06 jun, 2025

Por Gilberto Ururahy

Vida espiritual: os benefícios para a saúde física

Estudo publicado na revista científica Plos One demonstrou que ter uma vida espiritual
regular ou religiosa pode trazer benefícios à saúde física. O trabalho foi conduzido com
mais de 3.000 participantes em uma avaliação inicial (dos quais 600 voltaram para uma
reavaliação seis anos depois). A partir das informações fornecidas, como frequência das
práticas religiosas e de oração, fé proferida, comprometimento pessoal, ajudar ao
próximo e estratégias de enfrentamento de problemas, voluntários foram classificados
segundo o seu engajamento espiritual.

Em seguida, os pesquisadores avaliaram a relação entre a espiritualidade e a saúde
física das pessoas, levando em consideração fatores como idade, sexo, renda,
escolaridade e raça.

Os resultados mostram uma correlação relevante entre pessoas que demonstraram
envolvimento com algum tipo de expressão de fé religiosa na avaliação inicial e uma
melhor condição de saúde física na reavaliação. Em particular, essa associação foi mais
evidente entre os participantes mais velhos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já inclui a espiritualidade no conceito
ampliado de saúde, que busca tratar o paciente como um todo. Em pacientes idosos ou
em situação de vulnerabilidade, fatores emocionais e sociais influenciam diretamente a
resposta a diferentes tratamentos.

Estudo brasileiro de 2024 reforça a importância da religião como elemento da cultura
nacional para enfrentar doenças. Conduzido na Bahia, o trabalho acompanhou 100
pacientes em hemodiálise, com média de idade de 55 anos, de diferentes vertentes
religiosas. Já estudo realizado com 112 pessoas hospitalizadas na Romênia, com
quadros de Covid, revelou que, embora grupos de pacientes mais e menos religiosos
tivessem comorbidades semelhantes e grau similar de comprometimento pulmonar, os
mais espiritualizados apresentaram menor mortalidade, com taxa de 1% contra 14%
nos menos religiosos.

Além disso, pacientes com vida espiritual mais trabalhada apresentam maior resiliência
diante da perda de funcionalidade e da proximidade do fim da vida. É possível
constatar ainda um papel fundamental prestado pela comunidade religiosa como rede
de apoio em momentos de vulnerabilidade.
Nesse sentido, relevantes sociedades médicas, como a Sociedade Americana de
Geriatria, a Europeia de Cuidados Paliativos e a Brasileira de Cardiologia, já
reconhecem o papel da espiritualidade no bem‑estar e possuem orientações sobre como
integrar a dimensão espiritual ao tratamento.
A espiritualidade é um dos pilares para uma vida saudável, além de outros fatores
como, como uma alimentação saudável, prática de exercícios físicos, realização de
check-ups regulares, sono reparador, consumo reduzido de álcool e distância do
cigarro.

Saúde é prevenção!