16 dez, 2020

Por Angela Vega

Crise: não, obrigada(o)! Ou: sim por favor!

Crise é um tema sobre o qual muito se escreve. A crise mundial, a crise econômica, a crise política, a crise de valores, e outras mais…

Há várias formas de se lidar com uma crise. Alguns a encaram de frente e outros optam por negá-la, tomando uma das “pílulas da felicidade”.

O que é a crise? Crise, palavra de origem grega, Krisis, que pode significar ruptura, separação, decisão, julgamento e escolha. Na Grécia, a palavra crise era usada para indicar o ponto de virada em uma decisão, argumento ou doença. Hipócrates, pai da Medicina, chamava de crise o ponto no qual o doente podia melhorar ou piorar. Tudo fica diferente depois de uma crise, considerando que haverá uma mudança para alguma direção.

Na abordagem da biografia humana, com a vida dividida em setênios (sete anos), as crises podem ser vistas como oportunidades de desenvolvimento do ser humano. E o que podemos desenvolver? Nossa força interna, despertar nosso sentido de viver, nossa missão… O certo é que vamos passar pelas crises, aprendendo ou não as lições necessárias.

Crise da Identidade – 21 anos

Surge a primeira crise. Com a chegada da maturidade, o jovem busca seu caminho e sua diferenciação da família. Qual é a minha identidade? Quem sou eu? Alguns já se iniciaram na profissão, por conta de uma formação técnica ou estão fazendo um curso superior e pode surgir a questão: esta profissão faz sentido para mim?

Crise dos Talentos – 28 anos

As aptidões com as quais nascemos são colocadas em xeque. São efetivamente minhas ou pertencem ao meu passado? Quais aptidões, a partir de esforço próprio, preciso desenvolver para o futuro? Podem surgir dúvidas: “Estou no caminho? Que caminho devo seguir? ”

Crise da Autenticidade – 35 anos

Nesta fase, a tarefa de desenvolvimento é transformar a crítica externa em autocrítica. Somos levados a questionar: “Quem sou eu, realmente? Quais são as minhas potencialidades? Quais são meus valores? Quais são meus limites? Como posso ser autêntico(a) em minha ação? Em que dimensões da minha vida não vivo de acordo com meus valores?”

Crise Existencial – 42 anos

A biografia humana situa aos 42 anos, a chamada “crise dos 40”. Podemos dizer que estamos no alto de uma montanha e enxergar toda a paisagem. Nesta fase, sentimos o decaimento das forças físicas e o futuro está efetivamente em nossas mãos, dependente de nosso esforço pessoal. Como encontrar um novo patamar e encarar novas dimensões da vida?

Quanto mais nos dispusermos a viver nossas crises, mais estaremos fortalecendo nosso Eu, para vivermos nossa missão individual, seja ela qual for, e dar nossa contribuição à humanidade.

“Perseverar é aprender,
aprender é praticar,
praticar é repetir,
repetir é ganhar experiência,
experiência é crise,
crise é prova,
prova é fortalecimento,
fortalecimento é liberdade,
liberdade é criar do nada,
criar do nada é transformar,
transformar é caminho e fim ao mesmo tempo. ”
– Rudolf Steiner.

Bibliografia indicada:
Tomar a vida nas próprias mãos – Dra. Gudrun Burkhard – Ed. Antroposófica
Harmonia e Saúde – Dra. Gudrun Burkhard – LUAAMA