Blog da Eduvir

Decidir, não decidir ou quando decidir: eis a questão

“Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.” – Cora Coralina Preparando o material para um workshop sobre tomada de decisão, fiquei pensando nas decisões que tomamos ou não, ao longo de um dia ou ao longo da nossa vida. O verbo decidir vem do latim, decidere, que quer dizer determinar, definir; formado por DE-, “fora” + CAEDERE, “cortar”. A decisão implica em “cortar fora” algumas possibilidades. A decisão define o que virá em seguida. Podemos dizer que é como um portal. Mesmo quando não decidimos, uma decisão será tomada e talvez alguém decida por nós. Certamente já ouvimos esse argumento em tempos de eleição. Quanto à mudança de hábitos, já li que é melhor tomar as decisões antes para evitar que, em um momento não tão propício, sejamos levadas a tomar a decisão errada. Gretchen Rubin, autora do livro “Melhor do que antes”, que trata da formação de hábitos, descreve uma estratégia chamada Abstenção. É mais adequado que você decida, por antecipado, que vai deixar de comer doces ou deixar de beber vinho etc. antes de estar frente a frente com o fato. Na hora do almoço, durante a semana, será muito mais fácil dizer ao garçom “só como sobremesa no final de semana” do que ter que pensar, na hora, se aceita ou não a oferta, e estar sujeita a ouvir argumentos dos colegas, ponderando que “é só um docinho”… e ficar tentada a interromper a dieta. Quanto mais decisões tomarmos antes,...

Um Mar de Emoções

Você já reparou quantas emoções vivemos no nosso dia a dia? Você sai de casa e encontra seu vizinho. Se você se dá bem com ele, pode ficar alegre com o encontro. Se você discutiu com esse vizinho na última reunião do Condomínio, pode ficar incomodada ou irritada com a presença dele no elevador. Ouve uma música e fica alegre. Ouve uma notícia e fica raivoso. A caminho do trabalho, no trânsito, sua passagem é obstruída ou, na condução (ônibus, metrô, BRT…), alguém te empurra na hora de entrar no transporte… E as emoções vão surgindo… Marshall Rosemberg nos lembra que precisamos assumir a responsabilidade por nossos sentimentos, percebendo que o que os outros dizem ou fazem pode ser um estímulo (um gatilho) mas nunca a causa dos nossos sentimentos. Basta reparar que, frente a um mesmo evento, podemos observar pessoas diferentes manifestarem diferentes reações. Assumir a responsabilidade pelos nossos sentimentos pode nos tranquilizar ao trazer de volta o poder da escolha: eu me sinto assim porque eu… Ao mesmo tempo, exime os outros de nossas reclamações e cobranças. Porque precisamos nos ocupar conosco e não com eles. Foi uma descoberta conhecer o Atlas das Emoções, desenvolvido por Paul Ekman (consultor para o filme Divertidamente, que recomendo) a pedido do Dalai Lama. www.atlasofemotions.com Apesar de ainda não estar traduzido para o português, as versões existentes (espanhol, inglês, italiano e alemão) podem nos trazem uma perspectiva do desenrolar das nossas emoções em diferentes situações, aumentando o nosso entendimento. Explorando o Atlas, podemos ainda, ampliar o repertório de palavras que usamos para dar nome ao que sentimos. Bons mergulhos nesse mar!...

Considerações sobre o Ouvir

O ato de ouvir pode ser revolucionário. Ampliar o que ouvimos de outras pessoas aumenta nossos conhecimentos, pode nos proporcionar pensamentos inovadores, além de melhorar nossos relacionamentos. Ouvir é a base do diálogo. Segundo Nancy Kline, existem 2 mundos do pensar. No primeiro, o Mundo da Troca, ouvimos para responder. O outro começa a falar e imediatamente nós estamos pensando na resposta, para quando chegar a nossa vez. Nesse caso, ouvimos parcialmente o que o outro está dizendo e ainda atrapalhamos seu pensamento por não dar a ele a atenção necessária. No outro mundo, o Mundo do Pensador Independente, ouvimos o outro para “acender” ou “impulsionar” seu pensamento. Completamente concentrados no que está sendo dito, e com a confiança de que, quando chegar a nossa vez, teremos a atenção necessária para elaborar nossos próprios pensamentos. Como não estamos acostumados a esse outro Mundo, faz-se necessário exercitar. Suspender o julgamento (que é automático). Acompanhar o outro em seus pensamentos. Evitar interrupções para deixar fluir as ideias do outro. E aguardar a nossa vez para que o outro também possa exercitar o ouvir dele. Experimente e perceba os resultados. Depois me conte! Nancy Kline – www.timetothink.com Imagem: Imagem de Andrew Martin por Pixabay...

A Sessão Vai Começar – Não Mexa com Ela.

Em cartaz, há duas semanas, o filme “Não Mexa com Ela” traz um tema considerado “tabu” nas organizações que é a questão do Assédio Sexual e Moral. O longa-metragem, da diretora e roteirista israelense Michal Aviad, nos leva para este universo que mostra de forma progressiva como o abuso se desencadeia e até ele vai. O filme começa com a sorridente Orna deixando uma entrevista de emprego. Ela é a mãe de três filhos e seu marido, Ofer, abriu recentemente um pequeno restaurante que ainda não gera o retorno esperado. Ofer é cético quanto ao tempo que sua esposa, recém-contratada, vai passar longe de casa. Orna, por outro lado, fica feliz em retornar ao mercado de trabalho. Com a família precisando de dinheiro, ela acredita ser realmente competente como assistente de um empreendedor imobiliário rico e poderoso. Entretanto, Orna acaba se tornando alvo de assédio de seu chefe, desde comentários sobre sua roupa e cabelo até agressivas atitudes. Considero fundamental tratar esse assunto, primeiramente definindo Assédio Sexual e Assédio Moral. De acordo com o artigo 216-A do Código Penal, Assédio Sexual é constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Assédio Moral é exposição dos trabalhadores a situações humilhantes, constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, onde predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas, de um ou mais chefes, desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização,  forçando-a a desistir do emprego (fonte: Guia Trabalhista). Após as definições,...

Para conselheiros, o RH precisa saber se reinventar.

Há dois anos, o presidente da Itaúsa, Alfredo Setúbal, percebeu que as pessoas que comandavam a Duratex, uma das empresas controladas pela holding, não estavam preparadas para abraçar as mudanças necessárias no “mundo novo”. “Não era culpa delas. Mas a questão é que foram treinadas para trabalhar em um ambiente diferente. Chamei uma consultora externa para iniciar um processo urgente de cultura”. O mundo novo, segundo Setúbal, demanda empresas ágeis e que tenham um “propósito (não financeiro) capaz de atrair os melhores talentos, que hoje preferem empreender ou deixar o Brasil pela conjuntura”. “Para conseguirmos, a área de recursos humanos precisa se reinventar, ser mais prática e mostrar que a agenda de pessoas pode alavancar o negócio”, disse durante painel para convidados no Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (Conarh). A opinião foi compartilhada por Olga Colpo, conselheira do BMG e da Copel, dizendo que a área precisa evoluir, se posicionar diferente e levar o incômodo necessário para a transformação do negócio. Ela não tirou, porém, a responsabilidade do conselho em garantir que essas demandas ganhem espaço na agenda de reuniões que costumam ser dominadas, em grande parte, pelos números do trimestre ou por questões de compliance. “Se o presidente do conselho não for alguém que preze pelas pessoas, a velocidade dessas mudanças vai ser muito menor. Já ouvi conselheiros questionarem se vale a pena investir tanto dinheiro em treinamento, perguntando como podem ver o resultado desse investimento”, diz Olga. Transformar essa reflexão em indicadores tangíveis, como KPIs de engajamento, foi uma ação realizada por Patrick Larragoiti, presidente do conselho do Grupo SulAmérica. Ex-CEO da empresa, ele criou programas para...

Aprendizados do Tony Robbins Brasil 2019

Tive a oportunidade de participar do evento que trouxe Tony Robbins ao Brasil, em sua primeira vez no Rio de Janeiro. Já tinha lido seus livros Poder sem Limites e Desperte o Gigante Interior, nos anos 1990 e compartilho alguns conhecimentos sobre como realizar mudanças, que foram vivenciados no evento, por meio de muito movimento e entusiasmo: “Saiba que são suas as suas decisões, e não as suas condições que determinam o seu destino.” (Tony Robbins) – A energia é o segredo da execução. – O conhecimento é poder potencial. O verdadeiro poder está na execução, no fazer acontecer. – A complexidade é a inimiga da execução. Simplicidade é a chave. – A energia (para a execução) vem da nossa mente e do nosso coração. Comida não é fonte de energia (após comermos, experimentamos uma baixa de energia). – Para fazermos mudanças de forma rápida, precisamos de momentum (movimento). Pessoas felizes ficam mais felizes. – O Ciclo do Sucesso: Potencial se transforma em Ação; Ação gera Resultados; Resultados reforçam Certezas/Crenças; Crenças geram Potencial. Quando a Incerteza está presente, o Potencial não é gerado, poucas Ações acontecem e em decorrência, os Resultados não se materializam. – Para ter resultados, precisamos trabalhar primeiro a mente e as emoções. Um estudo demonstrou que jogadores de basquete que treinaram os arremessos por meio de visualização mental apresentaram melhores resultados do que aqueles que treinaram fisicamente. – Os fracassos não acontecem por causa dos recursos (tempo, dinheiro, tecnologia, conhecimento etc). Acontecem pela falta do recurso mais importante: as emoções. – Emoções são o recurso definitivo (ultimate resource): criatividade, compromisso, determinação, certeza, flexibilidade, conexão, compaixão...

Para ficar no emprego, jovens querem flexibilidade.

O que os profissionais da geração Z, nascida a partir de 1994 e a mais nova a entrar no mercado de trabalho, procuram em um emprego não é muito diferente do que é considerado mais atraente por outras gerações: uma boa remuneração, perspectivas de carreira e um ambiente organizacional agradável. Quando questionados sobre o que fará a diferença na hora de ficar no emprego, no entanto, o que mais aparece é a flexibilidade de horários. Isso não surge com a mesma importância para nenhum outro grupo de idade. Os dados são de um levantamento da empresa de recrutamento Talenses, feito com 3.945 profissionais de diversos níveis, idades e áreas, e que buscou identificar os principais fatores que fazem os trabalhadores escolherem uma vaga ou uma empresa. A flexibilidade apareceu como ponto mais citado entre os mais jovens quando questionados sobre o que os faria decidir ficar em uma companhia. “Não é uma questão de atração, mas é o fator mais importante para a retenção. É uma geração que efetivamente quer equilibrar mais a relação entre vida pessoal e profissional”, diz Luiz Valente, CEO da Talenses. Em segundo lugar, empataram remuneração e clima organizacional. A flexibilidade de horários também apareceu como elemento forte de atração para profissionais mulheres, independentemente da idade. Entre elas, 72% consideram esse um fator importante ao escolher um emprego, enquanto 57% dos homens dizem o mesmo. Ambiente organizacional, remuneração e perspectivas de carreira ainda aparecem na frente, no entanto, tanto para elas quanto para eles. De forma geral, os elementos de atração são parecidos entre todos os grupos. Para os baby boomers, geração que hoje está...

Intraempreendedorismo: uma característica em alta no mercado de trabalho

Um novo conceito tem se disseminado pelo mercado de trabalho e vem sendo cada vez mais buscado pelas companhias: o intraempreendedorismo. Trata-se da prática de empreender dentro de uma empresa, buscando soluções para problemas enfrentados no dia a dia ou novas oportunidades de negócio, de forma proativa, objetiva e inovadora. Um colaborador intraempreendedor tem o perfil de agir como o dono de um negócio, embora saiba que faça parte de uma engrenagem para o seu funcionamento. Com visão abrangente e senso crítico, uma pessoa com esse perfil oferece soluções não só em seu departamento, mas também em outras áreas às quais não esteja necessariamente envolvido, mas perceba a possibilidade de melhoria. As características do intraempreendedor vão ao encontro das habilidades consideradas importantes pelo Fórum Econômico Mundial para o futuro, como pensamento crítico, liderança, inteligência emocional e capacidade de lidar com problemas complexos.  Veja outras características relacionadas aos intraempreendedores: – Enxergar a empresa como um todo – Observa a companhia como uma engrenagem, na qual todos devem cumprir com suas funções. Esse tipo de mentalidade faz com que seja necessário compreender o negócio e o segmento de forma densa, não ficando restrito apenas ao departamento ao qual está vinculado. – Implanta projetos – Além de identificar problemas e sugerir melhorias e soluções, trata-se de um profissional proativo, capaz de implantar projetos com começo, meio e fim. – É resiliente – Sabe que a persistência e a continuidade são fundamentais para modificar uma parte da cultura ou do processo produtivo de uma empresa. Por isso, usa de sua influência, liderança e batalha para ter suas ideias implantadas, sabendo que podem ser benéficas. – Antecipa-se aos problemas – Tem uma visão de longo prazo, identificando oportunidades...

Equipes Eficazes: os achados do Projeto Aristóteles

Em 2008, a empresa Google lançou o Projeto Oxigênio para identificar o que tornava um gerente excelente e se sua presença era um diferencial para as equipes. Os resultados indicaram as seguintes características: ser um bom treinador; dar autonomia e não tentar controlar tudo; expressar interesse e preocupação pelo sucesso e bem-estar de seus subordinados; ser orientado para resultados; escutar e compartilhar informações; ajudar no desenvolvimento humano; possuir uma visão e uma estratégia claras; e possuir habilidades técnicas relevantes. Em seguimento, foi iniciado o Projeto Aristóteles no qual os pesquisadores visavam descobrir como criar a equipe perfeita (produtividade), buscando entender os padrões existentes por meio de entrevistas e observações em mais de 150 equipes dentro da Google (mais de 150 horas de entrevistas). Os resultados indicaram que um conjunto de normas de grupo fazia a diferença no desempenho das equipes. Foram observadas 5 dinâmicas que tornam as equipes eficazes, a saber: 1. Segurança Psicológica. Segundo a pesquisadora de Harvard, Amy Edmondson, segurança psicológica é uma “crença compartilhada, comum aos integrantes de uma equipe, de que o grupo é um lugar seguro para correr riscos”. Existe segurança para assumir riscos e ser vulnerável. A presença da confiança faz com que todos sintam que podem se expressar e cada integrante demonstre sensibilidade em relação aos sentimentos dos demais. 2. Confiabilidade. Os integrantes da equipe cumprem suas tarefas com responsabilidade e de forma confiável, contando uns com os outros. 3. Estrutura e Clareza. A existência de papéis claros, de planos e metas definidos contribuem para a eficácia das equipes. 4. Significado. Os membros da equipe percebem um senso de propósito no trabalho...

Otimismo, Gratidão e “Flow”

Otimismo é uma característica que, ao julgar pela famosa citação de Winston Churchill “um pessimista vê a dificuldade em todas as oportunidades; um otimista vê a oportunidade em cada dificuldade“, devemos refletir sobre quão é benifica para o nosso bem-estar. Há evidências que o otimismo melhora o sistema imunológico, previne doenças crônicas e ajuda as pessoas a enfrentarem, adequadamente, as mais complexas situações. De acordo com Martin Seligman, PhD em psicologia pela Universidade da Pensilvânia, as pessoas otimistas reagem aos problemas com um senso de confiança e são extremamente eficazes. Elas acreditam que os momentos negativos são temporários, limitados a determinados eventos (em vez de permearem todos os aspectos da vida de uma pessoa) e administráveis. Seligman pontua também que o otimismo é uma habilidade aprendida e os indivíduos podem mudar seus níveis de otimismo dependendo das situações em que se encontram. Pesquisas recentes indicam que otimistas e pessimistas abordam problemas de maneira diferente, e essa capacidade de lidar com a adversidade difere no resultado. Gratidão é uma forte emoção associada ao otimismo. Trata-se de uma das dez emoções positivas do estudo da PhD Bárbara Fedrickson sobre a Positividade. Nesse trabalho foi observado que: pessoas agradecidas são mais felizes, recebem mais apoio social, são menos estressadas e menos deprimidas; A gratidão contribui para a resiliência, fortalecendo a própria pessoa e os relacionamentos interpessoais; Estimular a cultura da gratidão dentro das organizações contribui para o compartilhamento das conquistas aumentando o engajamento entre as equipes. “Flow” foi o conceito desenvolvido pelo psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi para definir um estado de absorção total em uma atividade onde nada mais parece importar. Você...