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Negritude e Branquitude: uma reflexão

Tempo de leitura: 4 min Assumo minha branquitude, assim como todos os vieses cognitivos que me habitam, e falo a partir deles com minhas vivências e observações. Feito esse disclaimer (em português, aviso legal), fiquei impressionada com a leitura recente do livro “Pequeno Manual Antirracista”, escrito por Djamila Ribeiro, filósofa, professora e ativista, como ela se define. Recomendo a leitura. No livro, a autora nos faz entrar em contato com o racismo estrutural e que, devido ao fato dele estar impregnado em nossas vidas, não podemos/devemos entrar em uma conversa, assumindo que não somos racistas. A branquitude, em oposição à negritude, vivemos em um contexto de privilégios, somente pela origem que temos. Pensando em generalizações, sou reticente a elas porque também me sinto excluída, quando ouço que “todos” os brasileiros possuem raízes negras, índias e são miscigenados. Sou brasileira, nascida no Rio de Janeiro, mas meus pais são espanhóis. Vieram para o Rio de Janeiro em 1960, se conheceram no navio de imigração, casaram e se estabeleceram aqui no Brasil. Se eles possuem miscigenação por conta das invasões árabes na Península Ibérica, não posso ter certeza. Tenho certeza de que a generalização não se aplica a mim. Da mesma forma, talvez outras pessoas, negras ou brancas, não tenham essa miscigenação… Falando de sangue. Já na cultura, diversos desses traços fazem parte do nosso dia a dia… O que faríamos sem a mandioca (aipim para alguns), cultivada inicialmente pelos indígenas? E os deliciosos pratos baseados na cultura africana (vatapá, caruru, bobó, acarajé)? E as palavras de origem indígena (caatinga, caipira, carioca, capenga, nhenhenhém) ou de origem africana (dengo, caçula, cafuné,...

Liderança transformadora: uma ‘metamorfose ambulante’, que impacta equipes e encanta clientes

Um início de manhã contagiante e motivador. Assim foi a edição de 16/10  do Café com Soluções, iniciativa do Senac Soluções Corporativas, que trouxe como tema “O ciclo: liderança transformadora gera equipes engajadas que encantam o cliente”. Mas como? Segundo a docente da Faculdade Senac, Nereida Prudêncio Vianna, o desafio está em sentir-se confortável na zona de desconforto, e fazer isso de forma permanente. O que você faz de diferente na sua vida? E como inova junto aos colegas de trabalho? Você compartilha suas histórias com a equipe para juntos criarem soluções inventivas em busca do encantamento? Pois, conforme Nereida, “cada dia é um novo momento de transformamos nossa vida em algo melhor, que proporcione momentos extraordinários para si, seus colegas e clientes. Isso é liderança transformadora.” A palestrante lembrou de autores e compositores que ilustram bem sua fala. Ao trazer o tema da importância de mudar hábitos padronizados, lembrou Raul Seixas e a sua “metamorfose ambulante”. “Em 26 anos de mercado, autorizo-me a trabalhar assim, tornando a minha vida experimental”, disse ela. Para explicar o conceito de liderança transformadora, revelou características importantes desse líder: enxergar possibilidades nas pessoas, dedicar atenção individualizada, ser intelectualmente estimulante a partir do estímulo ao compartilhamento de conhecimentos, revitalizar, oxigenar, repensar, assumir o papel de educador. “Essa missão transformadora do líder é diária”, ressaltou. Na etapa seguinte, está a equipe, comprometida, coerente e como senso sistêmico, que impacta de forma extraordinária o todo. “Cada um, de forma individual, se manifesta para o encontro do todo. Devemos pensar em uma perspectiva única, na qual cada membro do grupo ache oportunidades de estar ali. E aí...

A tecnologia e a educação corporativa em tempos de pandemia

A pandemia acelerou a digitalização do mundo, mas as soluções para o e-learning nas empresas deve estar aliada à mídia adequada e inteligência As tecnologias estão interferindo em nossas vidas há um bom tempo. A pandemia certamente enfatizou e acelerou a nossa percepção e necessidade de ferramentas tecnológicas que antes poderiam até mesmo passar despercebidas. O Café com Soluções desta sexta-feira, 2 de outubro, contou com a palestra do gerente de Tecnologias Educacionais do Senac-RS, Sidinei Rossi, que abordou o tema “Tecnologia e a educação corporativa em tempos de isolamento social”. Conforme afirmou McLuhan em 1964, “as tecnologias se tornam invisíveis à medida que se tornam familiares”. As viagens de avião, por exemplo, levaram 68 anos para ganhar 50 milhões de usuários. Carros, 62 anos e a televisão, 22 anos. “A internet levou sete anos e o Twitter, dois anos. O Pokemón Go? Apenas 19 dias para ganhar 50 milhões de usuários. A velocidade que as tecnologias são incorporadas em nossas rotinas é impactante e a pandemia acelerou ainda mais. Estamos dependentes da internet”, afirmou Rossi. Na América do Sul, 73% da população utiliza a rede e no Brasil são 215 milhões de assinantes, ou seja, número que ultrapassou a população (211 milhões) brasileira. “E gastamos, em média, nove horas e 29 minutos na internet por dia. Conforme pesquisa da Hotsuit, com dados de julho de 2020, o papel do digital em ajudar as pessoas a superarem os obstáculos impostos pela Covid-19 apontou que 83% utilizam a rede para buscar ajuda com os lockdowns relacionados à pandemia; 76% para ajuda com a educação dos filhos; 74% para se manter...

Educação a Distância ou Educação Presencial? As veias abertas da Educação em Tempos de Coronavírus

Por Eleonora Ricardo – Presidente da Anitec. Nunca imaginaríamos que um vírus, um micro organismo iria em 2020 mudar o cenário global em todos os sentidos. A Economia, a Cultura e a Educação foram alcançadas pelo Coronovírus. O único episódio semelhante que mudou a cara do mundo com impacto parecido foi a queda das Torres Gêmeas nos EUA. Neste cenário que adentra 2020 e que promete desdobramentos para 2021 e 2022 com certeza emerge a necessidade de medidas inteligentes e menos burocráticas e mais imediatas. Se as empresas terão que se adaptar para novos formatos de produção, trabalho e comercialização, outros setores também terão que reinventar. Me assusta ainda ouvir uma corrente que questiona a educação a distância na educação básica e até mesmo no ensino superior . O preconceito ainda sinaliza a EAD como uma alternativa de baixa qualidade. Cuidado temos que ter em qualquer área. Se a Saúde não for bem cuidada, também, pode entrar em colapso se praticada com má qualidade e sem respeito aos seus usuários. Que dúvidas ainda temos em relação a EAD? Desenvolvo ações neste campo desde 1995. Fiz parte dos movimentos de apoio à regulamentação, a expansão da EAD, participei de vários congressos sobre o tema, fiz parte da ABT e ABED. Fui uma das primeiras a desenvolver um sistema de gerenciamento de cursos online concomitantemente com as grandes empresas de tecnologia como a MHW, IBM e instituições como a PUC Rio. Minha dissertação de Mestrado e a tese de Doutorado trataram da EAD naquilo que considero fundamental: capacitação de professores. Retratei em ambos os estudos o problema da autoria de alunos...

A Sessão vai Começar: Outubro Rosa e Novembro Azul

Os movimentos Outubro Rosa e Novembro Azul têm o objetivo de alertar as pessoas sobre a importância das medidas de prevenção do câncer de mama (outubro) e de próstata ( novembro). Sendo o cinema um excelente veículo para sensibilizar os espectadores, busquei em vários sites, filmes que abordavam o tema do câncer de mama. Um site indicou-me 14 filmes e o mais antigo datava de 1983 “Laços de Ternura”. Também encontrei uma ótima série chamada “Saúde Brasil”, que oferece documentários educativos voltados para a área de saúde, em especial à prevenção, e tinha um específico sobre câncer de próstata. Assim sendo, a palavra-chave desta sessão é Prevenção. Ela é definida como um conjunto de atividades e medidas que busca, se feitas antecipadamente, evitar um dano ou mal relacionados à incêndios, acidentes aéreos, ambientais, de trabalho e doenças. Tornou-se evidente que, a prevenção de doenças é a estratégia mais efetiva para o controle de patologias agudas e crônicas. A partir dela, surge a medicina preventiva, especialidade médica pautada na prevenção das doenças, em vez do tratamento dos sintomas. Por meio dessa perspectiva da medicina, as pessoas obtêm melhora na qualidade de vida. No aspecto organizacional, a gestão de saúde, com foco na medicina preventiva, apresenta os benefícios abaixo: Melhora do clima organizacional; • Redução nas taxas de absenteísmo; • Diminuição de afastamentos e atestados; • Aumento da saúde e produtividade dos colaboradores; Retenção de talentos. É importante ressaltar que a saúde não é meramente ausência de doença, por isso procedimentos que geram bem-estar também se encaixam na medicina preventiva. Seja com atividades de lazer no horário de trabalho, horários flexíveis,...

5 tendências na Gestão de Pessoas pós-pandemia para os CEOs ficarem de olho

Daiane Andognini, especialista em Liderança e Gestão de Talentos, destaca algumas das tendências em Recursos Humanos: Flexibilização Pesquisas recentes feitas com gestores empresariais brasileiros mostram que a ampla maioria aprovou os resultados obtidos pela adoção do trabalho remoto, alternativa encontrada por muitas empresas durante este período de isolamento social. Estudo do ISE Business School, por exemplo, afirma que 80% dos executivos estão satisfeitos com o novo modelo de trabalho. Em diversas companhias o “home office” já é tido como prática principal pelo menos até o final de 2020, revelando uma maior flexibilização do trabalho presencial daqui para frente. Plataformas de engajamento A gestão remota dos colaboradores passa a ser uma das tendências da área e com isso crescem também as plataformas de engajamento. O líder de cada célula da empresa terá de ser criativo nas estratégias de gestão da equipe, criando rituais de engajamento entre o time. Isso envolve dinâmicas colaborativas, estratégias de gamificação e recompensa, alternativas de integração entre os times remotamente e outros. Hoje já há diversas plataformas intuitivas online que reúnem diversas funcionalidades e ajudam no processo de engajamento. Profissionais versáteis Mais do que nunca as competências dos profissionais terão de estar de acordo com o que a empresa espera deles e, que, vão além de atitudes básicas a qualquer função, como comprometimento e ética. É preciso ter versatilidade para encarar as tarefas do dia a dia, mas também reunir diferenciais para poder estar apto a contribuir com a empresa em outros desafios, haja vista as rápidas transformações que o mercado exige. Empatia, comunicação e visão sistêmica são algumas das características que irão se sobressair. Foco...

O estresse e a saúde da mulher contemporânea

De acordo com estudo recente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a participação feminina no mercado de trabalho brasileiro deve crescer mais que a masculina até 2030. A tendência se explica por um maior investimento das mulheres em educação, conquista de direitos e saudáveis mudanças culturais da sociedade. Especialistas apontam que, em dez anos, elas serão profissionais mais qualificadas que os homens. O justo e positivo avanço na carreira das mulheres, no entanto, acarreta riscos à saúde na medida em que elas enfrentam o desafio de equilibrar diversas funções e tarefas ao mesmo tempo no trabalho, em casa ou na universidade. Ainda segundo o IPEA, as mulheres trabalham, em média, sete horas e meia a mais que os homens por semana, em razão da chamada “dupla ou tripla jornada”. Entre as consequências do acumulo de atividades estão os altos níveis de estresse e ansiedade. Segundo um estudo publicado no The Journal of Brain & Behavior, as mulheres são duas vezes mais propensas a sofrerem de estresse crônico que os homens. Além disso, um levantamento da Universidade de Harvard revelou que 80% de todas as consultas médicas de mulheres no mundo têm relação direta com o estresse vivenciado no cotidiano. O estresse impacta em diversos mecanismos do organismo, entre eles o sistema imunológico, além de ser um importante gatilho para o estilo de vida pouco saudável, como sedentarismo, tabagismo e consumo em excesso de bebidas alcoólicas e alimentos gordurosos e açucarados – fatores que favorecem o desenvolvimento de diversas doenças crônicas como as do coração, câncer, obesidade, hipertensão e diabetes. Algumas recomendações para evitar essas doenças são alimentação equilibrada,...

Carreira: maturidade, longevidade e biografia

As pesquisas e instituições nos trazem notícias de que o envelhecimento da população no Brasil e no mundo é uma realidade. A longevidade nos traz desafios e nos oferece questões. O que farei com os anos pós-aposentadoria? Conseguirei me aposentar? O que farei com os anos adicionais de vida? Como me sustentarei? Qual será o impacto para os mais jovens? Os dados demográficos indicam que estamos vivendo uma transição demográfica. No Brasil, entre 1950 e 1975, a idade mediana da população estava próxima de 20 anos, significando que 50% da população tinham menos de 20 anos e somente 5% das pessoas estavam acima de 60 anos no país. Podia-se dizer que a estrutura etária brasileira era extremamente jovem. Segundo as projeções da ONU (2019), ao final do século XXI, a idade mediana no Brasil estará acima de 50 anos, significando que metade da população terá mais de 50 anos e a proporção de idosos de 60 anos e acima estará em 40%. E o país terá uma estrutura etária envelhecida. Segundo relatório das Nações Unidas (ONU), a expectativa de vida ao nascer para a população mundial atingiu 72,6 anos em 2019, um avanço de mais de oito anos desde 1990. Outras melhorias na sobrevivência são projetadas para resultar em um tempo médio de vida global de cerca de 77,1 anos em 2050. Em 2018, pela primeira vez na história, as pessoas com 65 anos ou mais, em todo o mundo, superavam as crianças com menos de cinco anos. As projeções indicam que, em 2050, haverá mais do dobro de pessoas com mais de 65 anos do que crianças com...

Vem chegando o verão…

A primavera acaba de começar e o verão só se torna a estação oficial em dezembro. Mas o calor já dá sinais, com a temperatura chegando à casa dos 40 graus ainda em setembro! Como proteger a pele tanto calor? Antes de mais nada, convém esclarecer que o sol pode ser um aliado, mas também um grande vilão para a saúde e o funcionamento do corpo. Ele é importante para que o nosso organismo obtenha vitamina D, fundamental na melhora da absorção do cálcio, que fortalece os ossos. Mas a exposição equivocada ao sol traz danos graves: manchas, queimaduras e envelhecimento precoce, além de aumentar o risco de câncer de pele, o tipo mais comum de câncer no Brasil. Segundo o INCA, são cerca de 180 mil novos casos por ano. Para evitar os efeitos nocivos do sol, é essencial usar protetor solar diariamente, mesmo em dias nublados e passando o dia em ambientes fechados, nunca com fator de proteção inferior a 30 FPS. Quando estiver em locais de alta exposição solar, como na praia ou piscina, não abra mão de guarda-sol, chapéu e roupas que ajudam a proteger a pele dos raios solares mais intensos. As mesmas dicas valem para a prática de exercícios ao ar livre. A radiação ultravioleta (UVA) tem efeito cumulativo, o que significa que a cada dia de exposição solar a sua pele fica mais danificada. Como os raios UVA penetram nas camadas mais profundas da pele, os riscos das pessoas desenvolverem câncer é maior quando não estão protegidas pelo filtro solar. Um alerta importante: a pele não absorve o protetor solar imediatamente. Por...

Atenção: o que aparece na tela não é a realidade!

A colunista Betania Tanure diz que empresas e profissionais precisam avaliar e reagir ao potencial negativo da perda de interações sociais.   Nos momentos de maior incerteza sobre os rumos da pandemia, o home office foi e é uma ferramenta muito importante. Cresce, porém, a necessidade de discussão e de respostas consistentes sobre o potencial impacto negativo nas pessoas, nas empresas e no país. A tela representa uma ameaça à construção da cultura empresarial? O conhecimento tácito pode ser preservado? Como fica a produtividade? O vínculo com a empresa se altera? É preciso conhecer e reconhecer os problemas vividos “atrás das telas” e buscar a resposta a cada um eles. Outra discussão de extrema importância é o efeito do atual modelo de trabalho remoto nas emoções, que hoje estão à flor da pele. Nesse sentido, outra pergunta recorrente é: “As pessoas estão enlouquecendo?”. Somos seres relacionais! O afeto social tem lugar estabilizador em nossa saúde. Precisamos sentir o “cheiro do lugar”, capturar a alma das pessoas, e isso não se realiza por meio da tela. Impossível fugir dessa realidade. O cheiro do lugar e a alma das pessoas ficam “escondidos” atrás da tela ou são mascarados. Nas definições dos dicionários de nosso idioma, “mascarado” é “aquele que usa máscara”, ou que “cobre o rosto para caracterizar um personagem”. Na prevalência desse tipo de relações, a cultura perde lentamente sua cor e os problemas reais são ocultados. As relações virtuais permitem conhecer “a tela” de uma pessoa, e não reconhecer essa pessoa. Esse risco é enorme para profissionais das mais diversas posições, em especial do top management e dos conselhos...