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Ter competência política não é fazer politicagem

  A colunista Betania Tanure diz que astúcia social, influência interpessoal, habilidade de network e intencionalidade positiva são atributos necessários a todos os executivos   A competência política é, em síntese, a capacidade de influenciar os diversos públicos. Por razões didáticas, separo em três grupos: os liderados, ou que têm menos poder do que você; os pares, com poder razoavelmente igualitário; e os que têm mais poder do que você, dentro ou fora da empresa. O foco aqui é o exercício da competência política especialmente no terceiro grupo, dos que têm mais poder que você. Por exemplo na relação do gerente com o diretor, do diretor com o CEO, do CEO com o conselho de administração, deste com o Governo, nas suas diversas instâncias, bem como nas relações entre empresas, no seu ecossistema. Essa é uma qualidade ainda rara entre os executivos de bem. Por que? Eu poderia citar diversas razões, mas vou me ater a uma: eles convivem em diversos ambientes, com pessoas que, visando obter benefícios fundamentalmente individuais, praticam a politicagem “embalada” de competência política e o fazem com ética questionável ou mesmo à margem da lei. Diante disso, muitos executivos de bem preferem tolher-se a passar a ideia de que visam a autopromoção, de que estariam cruzando a linha, afastando a lógica meritocrática. Receios semelhantes, ainda maiores, ocorrem nas relações entre empresas privadas e o poder público. A situação se complica quando essas pessoas que atuam à margem passam a abusar de sua falsa competência política. São ousadas, afinal, o mal é mais ousado do que o bem. Atropelam o que e quem estiver na frente...

A Sessão vai Começar: Um Senhor Estagiário

Falar sobre diversidade é sempre oportuno. Já tratamos esse tema em algumas sessões, com os filmes “Zootopia – Esta Cidade é um Bicho”, “Uma Mulher Fantástica” e “Estrelas Além do Tempo”. Os tópicos abordados nestes filmes foram gênero, raça e homoafetividade. Entretanto, o mundo da diversidade trata de muitos outros temas como crenças, estado civil, classes sociais, etnias, necessidades especiais e etarismo. Revendo revistas antigas como Psique, Você S/A, Filosofia e Vida Simples, encontrei, na primeira revista citada, uma edição de 2015 que trazia uma matéria sobre “Etarismo nas Organizações”. De acordo com ela, “é no contexto profissional que estereótipos e preconceitos relacionados à idade se tornam mais explícitos”. Lembrei logo do filme “Um Senhor Estagiário”, estrelado por Anne Hathaway e Robert De Niro. Ben é um homem de 70 anos, viúvo e aposentado, que precisa de um novo propósito na vida. Uma oportunidade, um tanto inusitada, bate em sua porta quando uma startup de vendas online inicia um processo seletivo para estagiário sênior. Ele, então, se candidata e consegue a vaga.  Ao chegar na empresa, se depara com um ambiente diferente do seu trabalho anterior, além de ter que lidar com uma geração diferente da sua. Tanto Ben quanto os seus novos colegas poderiam perceber as dificuldades de ambos e se manter irredutíveis em suas posturas. Entretanto, eles abandonam esse pensamento e se ajudam mutuamente através do espírito de compartilhar conhecimento, possibilitando o crescimento de todos. A pergunta para nossa reflexão seria: “Quais são os comportamentos negativos que exibem discriminação por idade? De acordo com estudos, alguns aspectos seriam: Adotar políticas de recrutamento que impõem limites de idade à elegibilidade de uma pessoa. Ser rejeitado em uma promoção e a posição dada a alguém mais jovem. Ser negligenciado ou...

5 dicas para sobreviver às reuniões virtuais

As excessivas horas em reuniões por computador levam ao cansaço extremo e trazem prejuízo à saúde Com a imposição dos último meses de trabalhar de casa, muitas pessoas viram-se por horas a fio diante das telas do computador e do celular. De repente, é como se a vida tivesse se tornado uma longa e interminável reunião via Zoom, Skype, Hangout, Google Meeting e WhatsApp. Desta maratona virtual diante de muitas telas, câmeras, e profusão de janelinhas, quantos compromissos de trabalho foram produtivos e, efetivamente, úteis? Abaixo, listamos 5 dicas que podem ajudar a otimizar o tempo e a sobreviver à enxurrada de reuniões virtuais que ainda ocupam as horas de muitos colaboradores de empresas. 1 – Quando alguém se mexe em uma daquelas pequenas janelas na tela do computador, os olhos naturalmente vão naquela direção. Essa movimentação incessante tem alto potencial de distrair a mente. Quando entramos em um ambiente, os neurônios chamados amígdalas fazem uma varredura do local, verificando as ameaças e selecionando nossas reações. O mesmo acontece em reuniões virtuais. É como se o nosso cérebro estivesse participando de nove reuniões presenciais ao mesmo tempo e precisasse dar conta de toda aquela informação em segundos. Quando você olha em outra direção e depois retorna para a tela, a mente entende que você deixou o ambiente e retornou, reiniciando o processo cerebral novamente. Ao final do dia, essa interminável lógica subconsciente leva à exaustão. DICA: Ao invés de acompanhar diversas janelinhas simultaneamente, uma boa dica é usar o recurso do “speaker view”, ou seja, selecione para visualizar apenas a pessoa que está falando, a que deve ter a...

Dez prejuízos à saúde de quem trabalha em casa

A pandemia popularizou o home office, mas ele traz riscos à qualidade de vida  Com o fechamento dos escritórios em consequência da pandemia, boa parte dos funcionários de empresas seguiram trabalhando de casa. Computadores e celulares transformaram-se nos novos colegas de trabalho. A inadequação de residências para servirem como escritório em tempo integral começa a se refletir negativamente na saúde e na qualidade de vida dos colaboradores. Abaixo, listamos 10 prejuízos à saúde de quem trabalha em casa. 1 – VISÃO: Passar o dia diante de telas pode causar fadiga ocular, olhos inflamados e ressecados. Outros sintomas são irritação, vermelhidão e visão embaçada. Com o passar do tempo, a capacidade de visão também pode ser afetada. 2 – POSTURA: Falta de exercício físico e má postura por tempo excessivo diante do computador trazem dores no pescoço, curvatura dos ombros e cifose. 3 – LESÃO POR ESFORÇO REPETITIVO: Digitar nos teclados do computador ou do celular por longos períodos de tempo podem levar a lesões por esforço repetitivo nas mãos e pulsos, que podem piorar significativamente com o tempo. 4 – CABELOS: A vitamina D é absorvida, basicamente, a partir da exposição ao sol. Portanto, trabalhar em ambiente fechado por todo o dia pode levar o corpo à uma deficiência de vitamina e acarretar em perda de cabelo e maior lentidão no crescimento de novos fios. 5 – OLHEIRAS: A exposição à luminosidade das telas por longas horas pode causar olheiras proeminentes, aparentando cansaço e abatimento. 6 – PESCOÇO: Trabalhar em computadores ou telefones celulares podem contribuir para um esforço excessivo na área do pescoço e irradiar para ombros e...

Quem dirige sua vida? Revendo hábitos, crenças e costumes

Há algum tempo, lendo a introdução do livro O Futuro da Administração, me deparei com o autor, Gary Hamel, perguntando quem nós achávamos que comandava as empresas. Seria a Diretoria? O Presidente? O Conselho de administração? Não, dizia ele. As empresas estavam sendo dirigidas pelos fantasmas da administração. Quais? Os criadores da maior parte das ferramentas e técnicas de gestão, no século XIX: Frederick Taylor, Jules Fayol, Max Weber, Abraham Maslow, entre outros. Mesmo com o passar do tempo, os modelos criados continuavam habitando as mentes dos executivos e sendo colocados em prática, por exemplo, o tradicional método comando-e-controle. E os velhos pensadores se mantinham presentes. Podemos fazer uma analogia com a nossa vida. A resposta à pergunta “quem dirige sua vida hoje?” poderia ser “eu mesmo”. Da mesma forma do que acontece com as empresas, nós também recebemos um conjunto de “hábitos, normas e crenças” que formam o que podemos chamar de nosso modelo mental. O modelo mental é como uma lente a partir da qual enxergamos e vivenciamos o mundo. Segundo os conhecimentos da biografia humana e as leis biográficas, que consideram a vida dividida em setênios (períodos de 7 anos), no segundo setênio (de 7 a 14 anos) recebemos da família e da sociedade (escola) em que vivemos, os hábitos, as normas, as crenças e os costumes que começam então a moldar nosso comportamento. Se não tomamos consciência, continuamos sendo dirigidos por eles até hoje. E o que fazer a respeito? Recomendo os 4 passos descritos a seguir: reconhecer, identificar, analisar/avaliar e reforçar/mudar. O primeiro passo consiste em reconhecer a influência que sofremos ao receber hábitos,...

A Sessão vai Começar: Harriet

Como as salas de cinemas ainda não abriram, continuo nos serviços de streaming e canais por assinatura. Nesta sessão, escolhi o filme do gênero cinebiografia chamado Harriet. A atriz Cynthia Erivo concorreu este ano para o Oscar de melhor atriz, por sua extraordinária atuação. O longa conta a trajetória de Harriet, nascida por volta de 1820 como escrava numa fazenda no Condado de Dorchester, no estado de Maryland. Harriet foi espancada e açoitada por seus vários mestres quando criança. Ainda muito jovem sofreu um ferimento traumático na cabeça que a deixa sofrendo de convulsões e dores pelo resto da vida. Em 1849, com base nos rumores de que estava prestes a ser vendida, movida pelo propósito de ser livre, Harriet foge da fazenda e percorre 160km a pé até a Filadélfia para obter liberdade. Não satisfeita em ser livre sem a família, em dezembro de 1850 resgata a irmã e os dois filhos. Essa jornada gerou mais de 19 incursões, cada vez mais perigosas, nas quais, durante a década seguinte, conduziram pelo menos 70 escravos fugitivos ao longo do “Underground Railroad”, uma associação antiescravista até o Canadá. Harriet continuou suas atividades antiescravidão durante a Guerra Civil, servindo como escoteira, espiã e enfermeira do Exército da União, até se tornar a primeira mulher dos EUA a liderar tropas para a batalha. Analisando com base no livro “Character Strengths and Virtures” de Christopher Peterson e Martin Seligman observamos em Harriet a virtude da Coragem que compõe as forças de carácter da bravura, persistência, honestidade e vitalidade. Essas forças fortaleceram a estratégia utilizada para cumprir a missão de resgatar os escravos. Conheçamos mais características dessas forças. Bravura pode ser definida como uma força onde as pessoas não se retraem quando ameaçadas, pelo contrário, elas encaram desafios mesmo que...

A vacina para todos

A melhor prevenção contra a Covid-19 é o estilo de vida saudável Na semana passada, a morte precoce do jornalista e apresentador Rodrigo Rodrigues entristeceu a todos. Músico, flamenguista, excelente comunicador, Rodrigo era conhecido como um boa-praça entre seus colegas de ofício. Infelizmente, poucas horas depois de ser internado, ainda lúcido e se comunicando, uma trombose colocou fim à vida do querido jornalista. A trombose ocorre quando há formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais regiões de nossa circulação sanguínea. Esse coágulo bloqueia o fluxo de sangue e causa inchaço e dor na região comprometida. Com 45 anos e sobrepeso, Rodrigo foi vítima de uma das poucas certezas que cercam a Covid- 19: obesos são alto grupo de risco, em qualquer idade, assim como outras comorbidades (como doenças respiratórias, cardíacas, hipertensão, baixa imunidade ou diabetes). Milhares de indivíduos ao redor do mundo também perderam suas vidas em função das comorbidades. O país com mais casos de mortes é justamente os Estados Unidos, populoso em idosos e em pacientes obesos, diabéticos, cardíacos e portadores de doenças respiratórias. Em contraposição, o Japão, também rico em idosos porém com baixo índice de comorbidades, teve poucas mortes. A melhor vacina contra estas doenças é o estilo de vida saudável: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, controle de peso, sono reparador e check-ups periódicos. Esses hábitos devem ser mantidos durante todas as fases da vida. A alimentação equilibrada previne doenças, retarda o envelhecimento e melhora o humor; a prática de exercícios fortalece a imunidade, participa da boa gestão do estresse, além do controle de peso, o sono reparador repõe as energias...

Não vai ter jeito, você terá mesmo que mudar

Nesta edição, não quero falar da crise mundial, sanitária ou econômica. Meu tema é a crise antropológica, o jeito de viver, trabalhar, consumir, de ter e de ser. Quero falar de como fazemos o Brasil, o nosso Brasil. Em certo momento de nossa história, ligamos o piloto automático e fomos em frente, produzindo, ganhando (ou perdendo) dinheiro, colecionando sucessos, escondendo os insucessos, impelidos por prioridades trazidas pela tecnologia, pelo “outro”, e não por nós mesmos. Fechamos os olhos para os brutais efeitos disso no meio ambiente e na desigualdade social, que a atual crise escancarou. Os que me conhecem sabem que não sou pessimista. Ao contrário, minha vida é pautada por muita esperança. Mas neste momento, temos de admitir, estamos no limite de uma ambiência fragilmente “equilibrada” do ponto de vista social. Adicionado a tudo isso, o nível de exaustão das pessoas pode ter atravessado a fronteira do razoável. Não debite tudo ao trabalho excessivo. Outras causas existem, como a toxicidade da “quarentena” para as relações afetivas ou sociais, o medo da doença e o excesso de notícias negativas nas mídias. Sem contar a necessidade frustrada de lazer, além da multiplicidade de opções de lives que já não se consegue assistir. O que fazer para sair do espaço problema e ir para o espaço solução? Comece respirando fundo e acelerando o passo para mudar o seu fluxo natural. Como? Nós, na BTA, criamos um modelo que se aplica ao nível individual, ao organizacional e ao social. Consciência. Este é o nível da sua racionalidade. Se você não compreendeu ainda que, como todos nós, precisa mudar, sua situação é muito...

Evite confundir rigidez com rigor na gestão

  Você já percebeu que existe uma diferença sutil, de extrema importância, entre rigidez e rigor? Na grafia, a coincidência se reduz às três primeiras letras. Já no que diz respeito às práticas de gestão, e mesmo às nossas escolhas pessoais, o comportamento rígido e o rigoroso diferem completamente, assim como os efeitos, positivos ou negativos. Corremos um risco enorme de confundir os significados dos dois termos e, assim, ter boas desculpas para não atuar com a disciplina necessária ao bom desempenho dos negócios, aos indispensáveis processos de transformação da cultura organizacional e às mudanças que precisamos realizar em nós mesmos. Entre as principais situações que causam essa confusão, destaco duas. A primeira é quando o movimento de mudança gera medos, levando, muitas vezes, à uma oposição. Cria-se um clima de insegurança. A resistência cresce. Uma estratégia inconsciente de defesa leva as pessoas a fugirem do rigor nas ações de mudança, com a desculpa de que se trata da indesejada rigidez. A segunda é quando a flexibilidade é exaltada, gerando uma distorção muito comum: a indisciplina travestida de ações flexíveis. Decisões ou ações rigorosamente corretas são interpretadas como produto da inflexibilidade, um sinônimo de rigidez. A palavra “rigidez” deriva do latim rigidus. É fortemente associada, nos bons dicionários de nosso idioma, ao estado de quem não cede nem à flexão, nem à pressão e não é maleável. Também é definida como alta resistência à mudança: imobilidade, intransigência ou austeridade. Na linguagem simbólica, encontramos termos negativos, como “rigidez de estátua” e “rigidez da morte”. Morte? Imagino a sua expressão de surpresa. Afinal, ninguém quer essa rigidez na vida. Mas o...

Home Office: um convite à robotização de funcionários

  Quando a casa vira escritório, quem paga o preço é a qualidade de vida dos colaboradores.   Trancados em casa há quase cinco meses, muitos colaboradores de empresas são rápidos em listar os desconfortos do home office: excesso de horas trabalhadas, sobrecarga física e emocional, inadequação da casa para virar escritório, dificuldade em criar e manter uma rotina produtiva, falta de concentração com a interferência inevitável da família, tempo exíguo para se dedicar aos cuidados pessoais, como exercícios e alimentação saudável, com frequência fazendo as refeições diante da tela do computador ou do celular. A percepção foi confirmada por uma pesquisa do LinkedIn. Segundo o estudo, que ouviu duas mil pessoas, 68% dos entrevistados que estão trabalhando de casa têm passado ao menos uma hora a mais dedicados aos afazeres profissionais. O resultado é que 62% estão mais ansiosos e estressados com o trabalho do que antes. Com o fechamento dos escritórios, computadores e celulares se transformaram nos novos colegas de trabalho: a inteligência artificial e os algoritmos estão ditando o ritmo da jornada diária de milhões de trabalhadores que, tal qual robôs, se limitam a atender as demandas. Os relacionamentos interpessoais, que mantem viva a cultura, a missão e o espírito de equipe de uma empresa, foram interrompidos da noite para o dia. Funcionários viram-se sem a supervisão de um líder ou mentor que comande o time. Colaboradores reclamam que passam o dia tentando resolver questões que seriam sanadas rapidamente de forma presencial. Não é uma situação confortável para nenhuma das partes: para além de toda a fragilidade dos empregados, as empresas arcarão com gigantescas ações trabalhistas....