Para iniciar uma Liderança Facilitadora

Para iniciar uma Liderança Facilitadora

Cada vez mais percebo a importância de existirem líderes facilitadores. O que é ser facilitador? Aproveitando a definição proposta pela wikipedia, facilitador é alguém que ajuda um grupo de pessoas a compreender os seus objetivos comuns, auxiliando-os a planejar como alcançar estes objetivos. E o líder pode e deve desempenhar esse papel, usando processos que contribuam para criar um ambiente mais propício à convivência, harmonizando relações, e ajudando para que os resultados aconteçam.

Por que isso é importante? Entre os muitos desafios enfrentados pelas empresas no mundo todo, o engajamento dos colaboradores é um destaque porque impacta diretamente nos resultados organizacionais.

Em conversa com líderes, sobre mudanças, observo a existência de questões relacionadas às pessoas, principalmente. Como o líder pode ajudá-las nesses momentos de transição, para que o engajamento se mantenha ou aumente?

Por outro lado, também percebo que as pessoas estão sedentas de oportunidades de diálogo: de poderem se expressar e de se perceberem ouvidas.

Precisamos assumir que as reuniões são o novo locus de trabalho, não mais as salas, as mesas ou as estações e, por isso, novas condições para que o diálogo aconteça, são necessárias. Reconhecer que o espaço mudou, nos leva a considerar que não dá mais para agirmos da mesma forma que antes.

Uma das recomendações que faço é incorporar o check in no início das reuniões, a mesma prática usada pela facilitação em workshops ou encontros. Para que serve? Quando chegamos em um hotel, fazemos o check in para podermos entrar, entregando documentos que nos identificam. Da mesma forma, o check in nas reuniões nos permite “chegar”, dar entrada, afirmando a presença.

No processo de check in, além do nome, podemos adicionar uma pergunta, por exemplo, “o que eu preciso deixar lá fora para estar presente aqui?”. O objetivo dessa pergunta é permitir ao participante explicitar algo que está ocupando sua mente e que, ao ser assumido, gera tranquilidade porque a mente entende que a questão será tratada em algum outro momento. Outras perguntas que podem ser usadas: “o que estou trazendo para essa reunião?” e “qual o sentimento presente?” Em um grupo que já se conhece há algum tempo, podemos pedir: “conte algo de sua vida, que as pessoas que estão aqui não sabem”.

Pode parecer estranho e diferente. Recomendo começar e insistir com a prática. Criamos intimidade e presença. E estar presente hoje é um grande desafio.

Ao terminar a reunião, faz-se o check out. Fechando o encontro/a reunião, dizemos o nome e também podemos incorporar perguntas: “o que estou levando daqui?; “qual foi meu maior aprendizado”, entre outras que a criatividade e o momento podem trazer.

Práticas simples e pequenas que nos ajudam a dar foco são sempre bem-vindas e para termos resultados diferentes, precisamos fazer algo diferente, certo?

Se você já usa o check in/check out, compartilhe as perguntas que você usa ou usou.

 

Liderança Responsável: visões do World Economic Forum

Liderança Responsável: visões do World Economic Forum

Nos meses de janeiro, vem acontecendo o Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – WEF, em inglês), na cidade de Davos, na Suiça. O primeiro encontro do WEF foi em 1971, por inspiração do Prof. Klaus Schwab, de que as empresas / os negócios deveriam servir a todas as partes interessadas – clientes, empregados, comunidades, bem como aos acionistas.

Como instituição, o WEF desenvolve vários temas, considerando que tudo está relacionado e que as decisões de negócio impactam a sociedade e o meio ambiente.

Um dos temas tratados é liderança e, em 2020, o Fórum dos Jovens Líderes Globais (Forum of Young Global Leaders) e a Global Shapers Community, em colaboração com a consultoria Accenture, analisaram o que seria a nova liderança necessária (organizações de modo geral, negócios, governo e terceiro setor) para um mundo sustentável e justo, a Liderança Responsável.

Considerando que minha profissão original é engenheira química, me chamou atenção a conexão feita do Modelo de Cinco Elementos da Liderança Responsável com a forma com que os elementos químicos são representados na Tabela Periódica: um número (número atômico), normalmente uma ou duas letras (símbolo do elemento) e o nome do elemento abaixo. Em pentágonos conectados por seus lados. Uma representação poderosa.

Elemento 1 – St – Stakeholder Inclusion (Inclusão das Partes Interessadas)

Elemento 2 – Em – Emotion & Intuition (Emoção e Intuição)

Elemento 3 – Mi – Mission & Purpose (Missão & Propósito)

Elemento 4 – Te – Technology & Innovation (Tecnologia & Inovação)

Elemento 5 – In – Intellect & Insight (Intelecto & Insight)

Além dos nomes, cada elemento do modelo possui três qualidades que definem sua essência.

E o que esse modelo nos traz para reflexão?

O elemento 1 (St), Inclusão das Partes Interessadas, (essência: Confiança, Responsabilização – Accountability e Impacto) fala de proteger a confiança, colocando-se nos sapatos dos diversos stakeholders ao tomar decisões e criando um ambiente no qual indivíduos diversos possam expressar a sua voz e sentir-se pertencentes.

Já o elemento Elemento 2, Emoção e Intuição, (essência: Instinto, Humildade e Compaixão), está relacionado à qualidade dos líderes de destravar o compromisso e a criatividade, sendo “verdadeiros” seres humanos, mostrando compaixão, humildade e abertura.

No elemento 3, Missão & Propósito, (essência: Integridade, Pensamento Sistêmico e Dar Sentido – Sensemaking), encontra-se a qualidade de inspirar uma visão compartilhada de prosperidade para a organização e suas partes interessadas, visando o alcance das metas comuns.

O elemento 4, Tecnologia & Inovação, (essência: Visão Tech, Inovação responsável e Criatividade), traz a criação de valor organizacional e social por meio de inovação responsável com tecnologia emergente.

 E finalmente, no elemento 5, Intelecto & Insight (essência: Dados-para-Conhecimento – Data-to-knowkedge, Pensamento crítico, Aprendizado contínuo), estão situadas as qualidades relacionadas a encontrar caminhos para o sucesso, abraçando aprendizado contínuo e troca de conhecimento.

O objetivo do estudo é estimular um diálogo em torno dos temas identificados, ajudando os negócios a orientar o desenvolvimento de suas lideranças. O relatório é uma excelente leitura para estarmos antenados com as qualidades necessárias aos líderes do futuro, os quais precisam ser preparados no presente.

Podemos também considerar que todos somos líderes, em algum nível, e aproveitar o Modelo dos Cinco Elementos para refletir sobre nossas qualidades e ações.

 

Referências:

https://www.weforum.org/agenda/2020/01/responsible-leadership-2030/

Versão completa do estudo em:

https://www.accenture.com/_acnmedia/PDF-115/Accenture-DAVOS-Responsible-Leadership-Report.pdf#zoom=50

 

Leveza para começar o ano

Leveza para começar o ano

Em dezembro, tive a oportunidade de ouvir o audiolivro “The gentle art of swedish death cleaning” que, em tradução livre seria “a suave arte sueca da limpeza da morte”.

A autora Margareta Magnusson, artista sueca, entre 80 e 100 anos, como ela se define, apresenta o döstadning, onde dö significa “morte” e städning significa “limpeza”. Na Suécia, essa palavra se refere ao processo de remover coisas desnecessárias tornando sua casa confortável e ordenada, quando você avalia que seu tempo de deixar o planeta está chegando.

A autora passou por essa experiência de desfazer-se dos objetos de seus pais e marido. E decidiu descrever no livro uma forma de lidar antecipadamente com os objetos pessoais para dar menos trabalho quando morrermos.

O processo pode ser realizado em qualquer fase da vida, até porque não sabemos quando partiremos.

Nesse momento em que estamos iniciando o ano, podemos aproveitar essa ideia para rever nossos pertences, avaliando o que podemos descartar para nos tornarmos mais “leves” com o propósito de alcançar o que queremos em 2020. Arrumando o externo, por reflexão, arrumamos também o interno. O macro no micro.

Margareta recomenda começar avaliando as coisas guardadas, estocadas, identificando o que pode ser descartado. Às vezes, podemos nos dar conta de que nem nos lembrávamos daqueles objetos.

É importante dispor de tempo para avaliá-los, lembrando suas histórias e então, decidir dispensá-los ou não.

No processo de life coaching, recomendamos avaliar os objetos, separando-os em 2 pilhas: o que gosto e o que não gosto. Descartamos a pilha do “não gosto” e da pilha “gosto” fazemos outra seleção: o que eu gosto e o que eu adoro. E mantemos somente a pilha do “eu adoro”.

Marie Kondo, consultora de organização, ensina o método de “sentir” o objeto para verificar se ele traz alegria. Se não trouxer, descarte-o.

Tanto Marie Kondo quanto Margareta não recomendam começar com fotografias, cartas ou papéis relacionados a memórias. Elas nos prenderão e impedirão que o processo de limpeza continue.

O que você precisa para iniciar seu processo de limpeza?

«A única coisa de que podemos ter a certeza é que só a morte é certa, para todos, sem exceção. Mas, antes que ela aconteça, podemos tentar fazer quase tudo.»

 

Fontes: The Gentle Art of Swedish Death Cleaning: How to Free Yourself and Your Family From a Lifetime of Clutter. Margareta Magnusson. Scribner

A mágica da arrumação. Marie Kondo. Ed. Sextante

Tempos de revisão – Para mudar o mundo

Tempos de revisão – Para mudar o mundo

Nossos pensamentos comandam nossas ações, despertam nossos sentimentos e criam realidade. Essa frase soa como algo místico e esotérico, mas não é. Para que algum projeto se concretize, primeiro é preciso existir um pensamento. É na nossa mente, na forma de pensamentos que tudo começa e, se decidirmos ir em frente, seguiremos para o planejamento e para a execução.

Entramos em fase de revisão. O mês de dezembro, por ser o último do ano, nos traz essa reflexão sobre o que planejamos fazer (em janeiro) e o que efetivamente fizemos durante o ano. E, nesse balanço, podemos decidir o que vamos buscar no próximo ano.

Como a mudança começa em cada um de nós, e o que pensamos e falamos termina por nos definir, proponho desenvolver uma atenção para nossas palavras e pensamentos em 2020.

Estava assistindo uma aula com Leila Ferreira (jornalista e escritora) sobre a arte de conviver e ela falava da necessidade de restaurar a gentileza em nossas vidas e sobre estarmos vivendo uma epidemia de falta de educação. Citou uma frase de P. M. Forni, professor e estudioso da civilidade (viver em sociedade), na qual ele afirma: “Achar que gentileza é algo supérfluo é miopia. Gentileza é qualidade de vida (…) ser mal-educado e autocentrado é suicídio social.”

Estamos ocupados (fisicamente e virtualmente), e na maioria das vezes, não percebemos como pequenos atos de gentileza iluminam nossas vidas e as dos outros.

Em um evento nos anos 1990, o facilitador perguntou como tratávamos os vigilantes que nos recebiam a cada manhã no trabalho. E eu me dei conta de que passava por eles como se fossem parte da estrutura do prédio. Daquele evento em diante, escolhi desejar bom dia a todos.

Quem já correu ou caminhou comigo na rua, sabe que cumprimento várias pessoas conhecidas ou desconhecidas. E se elas não responderem, me perguntam. Eu digo que a minha parte é oferecer o bom dia. Já a resposta, eu não controlo. E me lembro da frase de William James que diz “o pássaro não canta porque está feliz, ele está feliz porque canta.”

Para cultivar a gentileza, podemos começar com gestos aparentemente simples como dar bom dia, pedir desculpas, usar “por favor”, dar passagem no trânsito ou na rua, ceder o assento (por opção não por obrigação), abrir a porta, segurar a porta do elevador, entre tantos outros.

E, depois, poder dar passos maiores para abraçar as pessoas, ouvir a resposta do “como vai?”, dar respostas diferentes de “tudo bem”…

Minha amiga Isa Ferreira, observadora do mundo, escreveu uma coletânea em que ela oferece lembretes sobre boas maneiras, educação doméstica, higiene e saúde, e crescimento pessoal. O Projeto Semeando é o legado dela para um mundo melhor.

Qual é o seu legado?

Como seria escolher a gentileza em 2020?

Quais ações você pode incluir no seu dia a dia?

Referência:

Projeto Semeando – https://livrosemeando.wordpress.com/

Livro na íntegra – https://www.facebook.com/livroSemeando/

 

Imagem: Gerd Altmann por Pixabay

 

 

Para um exame de consciência

Para um exame de consciência

Há tempos, venho observando que, ao terminar meus workshops, aulas ou ao final de uma reunião, restam uma quantidade de papéis, copos de plástico para água ou copinhos de café sobre as mesas. Às vezes, até as notas registradas por alguns.

E, nesses momentos, eu me pergunto o que leva as pessoas a abandonarem seu “lixo”? Quais serão os pensamentos e as crenças que sustentam esse comportamento?

Minha suposição para o fato, traz o contexto em que a sociedade brasileira foi criada. Uma sociedade que se estabeleceu em meio à escravatura, na qual, a sinhazinha ou sinhozinho possuíam (do verbo ter) mucamas e serviçais para lhe atender e cuidar de seu bem-estar.

Passei a chamar esse comportamento de “mentalidade escravocrata”. E, se me expandir um pouco mais, percebo que, no tratamento de pessoas que prestam serviços, também essas atitudes se fazem presentes.

Foi emblemático para mim observar que, na academia que eu frequentava, nas aulas de spinning, algumas pessoas, em vez de encherem suas próprias garrafinhas de água, entregavam-nas a uma senhora da limpeza para que ela as enchesse. Aguadeiros modernos.

O artigo que me despertou para essas observações foi escrito por Roberto Damatta, publicado pela CNI / SENAI, a respeito da imagem do engenheiro na sociedade brasileira. Em uma parte do texto, diz o autor:

“Mas, mesmo abolida, a escravidão está na raiz do sistema social brasileiro. Foi ela quem sustentou esse personalismo sem o qual não se entende a operação de nosso sistema político. Foi ela também quem sustentou a hierarquia que até hoje, doce ou autoritariamente, por favor ou ordem, comanda quem vai “pegar o copo d’àgua”, “fazer o cafezinho”, “servir à mesa”, “ir ao banco” e “arrumar o quarto”. Impossível não citar, neste contexto, uma observação de Luccock quando visitava uma casa brasileira e surpreendia, com seu olhar igualitário de inglês, o comportamento de uma dama carioca sentada numa esteira e rodeada e suas escravas: Junto e ao alcance da mão estava pousado um canjirão d’água. Em certo momento, interrompeu a conversa para gritar por uma outra escrava que estava em local diferente da casa. Quando a negra entrou no quarto, a senhora lhe disse: ‘Dê-me o canjirão’. Assim fez ela, sua senhora bebeu e devolveu-lho; a escrava recolocou o vaso onde estava e retirou-se sem que parecesse ter dado pela estranheza da ordem, estando talvez a repetir o que já fizera milhares de vezes antes. (LUCCOCK, 1820, p. 48). É óbvio que a “estranheza” exprime o etnocentrismo de caráter igualitário do observador, abismado com o que percebia como inércia ou preguiça da dona da casa, incapaz de mexer-se para pegar a botija d’água situada ao alcance de sua mão.”

E nas praças de alimentação dos shoppings? Às vezes, não encontramos onde sentar porque as pessoas não retornaram as bandejas usadas.

Por isso, nesse dia da consciência negra, recomendo que você faça um exame de consciência, lembrando de suas atitudes e pensamentos “escravocratas”, e proponha uma mudança.

Não se justifique, dizendo que esse comportamento mantém o emprego de outras pessoas. É o que desejamos para elas?

Por que não deixar os locais arrumados para os que virão, na expectativa de que alguém faça o serviço e limpe nossa bagunça?

Pense e repense.

 

Referência

DaMatta, Roberto. Imagem do engenheiro na sociedade brasileira. Brasília: SENAI/DN, 2010. 34 p.

http://www.portaldaindustria.com.br/publicacoes/2012/7/imagem-do-engenheiro/

 

 

 

Imagem: Carlos Alvarenga por Pixabay

 

A Transição na Mudança

A Transição na Mudança

A mudança está sempre presente na nossa vida. O que nem sempre nos damos conta é da transição que a acompanha.

Segundo William Bridges, mudanças são eventos e situações, externos. Já as transições dizem respeito ao processo interno com o qual lidamos com as mudanças. Esse aspecto psicológico está relacionado às emoções e podemos nos deparar com o medo, a dúvida, a angústia, a incerteza. O que nos assusta não é a mudança em si, mas o que ela representa quando acontece.

No momento da transição, a vulnerabilidade está presente, como quando estamos no centro da travessia de um túnel ou de uma passarela. Não temos mais a segurança de onde saímos e ainda não alcançamos a segurança do outro lado.

Podemos considerar a transição como a passagem por um portal e para isso, precisamos estar abertos a entrar em contato com nossos sentimentos e refletir sobre o que aquela mudança está nos trazendo como desafio ou como oportunidade. Deixar ir para deixar vir.

Marshall Rosenberg, idealizador da Comunicação não violenta, afirmava que existe uma conexão entre nossos sentimentos e as necessidades que possuímos.

Por isso, na transição, quando muitos sentimentos surgem, é importante estarmos atentos(as) às nossas necessidades para que possamos identificá-las e passar pelas mudanças de forma suave e plena.

E você, como tem vivido suas transições?

 

Imagem: gastoninaui para Pixabay