Nudges e Mudanças

Nudges e Mudanças

Na palestra de George Brooks, Americas Leader of People Advisory Services da consultoria Ernst & Young LLP (EY), no Congresso RH Rio 2019, ouvi a expressão “behavior nudge” que me deixou curiosa com o significado da palavra “nudge” (em português: empurrão, cutucada ou incentivo). Foi apresentada como uma forma de trabalhar a mudança cultural e de mindset, para liberar o potencial extraordinário do ser humano. Por exemplo, para estimular o senso de gratidão, enviar um email aos colaboradores, sugerindo que cada pessoa escolha alguém para agradecer e o faça. Ou, para estimular a abertura para outras ideias, sugerir que cada pessoa peça a opinião de uma outra sobre um projeto, por exemplo.

Na página Geekonomics, descobri que “um Nudge é qualquer aspecto da arquitetura de escolha que altere o comportamento das pessoas de uma maneira previsível, sem proibir nenhuma opção ou alterar significativamente seus incentivos econômicos. Para contar como um simples empurrão (Nudge), a intervenção deve ser fácil e barata de evitar. Nudges não são mandatos. Colocar a fruta no nível dos olhos conta como uma cutucada. Banir junk food não.” (Thaler and Sunstein 2008).

Lembrei da frase de Buckminster Fuller, citado por Peter Senge no seu livro A Quinta Disciplina, “você não pode mudar como os outros pensam, mas você pode dar-lhes uma ferramenta para usarem, a qual os levará a pensar de forma diferente.” O “nudge” cumpre esse papel… precisamos ser criativos para encontrar a fórmula que estimulará a mudança desejada nos comportamentos.

 

Fontes:

https://geekonomics.com.br/2018/08/nudge-siginificado-definicao/

A Quinta Disciplina. Peter Senge, Editora Best Seller.

Feedback e Feedforward – Aprendizados

Feedback e Feedforward – Aprendizados

A palavra feedback, importada do inglês, quer dizer retroalimentação ou realimentação. Isto é, uma ação acontece e o feedback fornece uma informação sobre a ação.

No meio empresarial, o feedback é considerado uma prática na gestão do desempenho dos empregados. Para casais, faria parte de uma DR (Discutir a Relação).

O momento em que acontece o feedback é muito delicado. Brené Brown levanta a questão da vulnerabilidade, nos fazendo pensar que, no encontro em que este acontece, as duas pessoas ficam vulneráveis: quem dá e quem recebe o feedback.

No livro “A Coragem de Ser Imperfeito”, a autora nos traz o seguinte checklist para avaliarmos se estamos prontos para dar feedback de qualidade:

– Estou disposta a me sentar ao seu lado em vez de no outro lado da mesa;

– Desejo colocar o problema na nossa frente em vez de entre nós (ou esfregá-lo na sua cara);

– Estou pronta para ouvir, fazer perguntas e aceitar que possa não estar entendendo a questão completamente;

– Quero reconhecer o que você faz bem em vez de ressaltar os seus erros;

– Reconheço seus pontos fortes e como você pode usá-los para vencer seus desafios;

– Posso chamá-lo à responsabilidade sem envergonhá-lo ou culpá-lo;

– Estou disposta a assumir a minha parte;

– Posso lhe agradecer sinceramente por seu empenho em vez de criticá-lo por suas falhas;

– Consigo explicar como solucionar esses desafios vai levá-lo a crescer e a aproveitar novas oportunidades; e

– Consigo vivenciar a vulnerabilidade e a abertura que espero ver em você.

Tenho preferido usar e indicar a visão de Marshall Goldsmith, que nos apresenta o feedforward como uma alternativa ao feedback.

Quando damos um feedback a alguém, estamos nos referindo a algo que aconteceu no passado. Dessa forma, geraremos angústia no outro porque, afinal, ele não poderá fazer nada a respeito, por não ser possível alterar o passado. Podemos até ressignificar, mas não alterar.

O feedforward, por outro lado, nos projeta para o futuro. E, parte da própria pessoa, a pergunta: “Eu sou Angela e quero melhorar ………….. Você pode me ajudar?” Ao fazer essa afirmação/pergunta recebemos ideias e “conselhos” que poderão nos ajudar a explorar novos caminhos e possibilidades. Em trabalhos com grupos, tenho usado essa técnica e as pessoas aprovam e vão passando, de pessoa em pessoa, recolhendo sugestões, agradecendo e se enriquecendo com as experiências.

E você, como vem tratando o feedback em sua vida?

 

Fontes:

A coragem de ser imperfeito. Brené Brown. Editora Sextante. 2013

Site Marshall Goldsmith – https://www.marshallgoldsmith.com/

https://www.marshallgoldsmith.com/articles/try-feedforward-instead-feedback/

A importância de encerrar – Fechar janelas para abrir portas

A importância de encerrar – Fechar janelas para abrir portas

Ao desejar feliz ano novo, faço questão de incluir às “boas entradas”, as “boas saídas”. Venho percebendo como é importante fechar o que está em aberto, para começar algo novo.

E, estando no meio do ano, vale a reflexão sobre nosso planejamento anual, avaliando o andamento dos projetos e planos.

Em 2003, ouvi uma palestra do headhunter Luiz Carlos Cabrera na qual ele falava para executivos sobre a importância de fechar os ciclos. Um MBA que não tinha sido terminado, um curso que ainda estava pendente… Dizia ele que essas incompletudes ficavam no nosso cérebro, “piscando” e drenando energia.

Quando fiz a formação em Life Coaching no ICI – Integrated Coaching Institute, aprendi sobre os “ralos de energia”. O que são? As coisas incompletas na nossa vida e que drenam energia dos nossos pensamentos e da nossa capacidade de realizar e focar no que realmente queremos. Outra vez, a referência ao desperdício de energia.

Encontrei a explicação ao ler sobre a ânsia pela “conclusão cognitiva” explorada por Robert Cialdini. Ele afirma que nosso foco cognitivo fica “preso” e retorna sistematicamente às tarefas incompletas, problemas não resolvidos e metas não alcançadas.

Pare um momento e liste o que está incompleto na sua vida. Decida o que você quer continuar e o que você quer eliminar dos seus pensamentos. Se é um curso incompleto, decida se vai continuar ou não. Se vai continuar, planeje sua vida para que isso aconteça. Se não vai continuar, decida-se, diga para si mesmo que não vai prosseguir e libere-se dessa pendência.

Uma forma concreta de fazer isso, pode ser escrever a lista das suas pendências e queimar… isso mesmo, queime e libere sua energia para os projetos que hoje fazem sentido para você.

 

Fonte:

Pré-Suasão. Robert Cialdini. Editora Sextante. 2017

“A empatia nossa de cada dia”

“A empatia nossa de cada dia”

A palavra empatia passou a frequentar as páginas de revistas e as bocas de muitos palestrantes. A minha inclusive. A revista Época Negócios de fevereiro de 2018, sobre Educação Executiva, afirmava que os líderes do futuro serão treinados em soft skills (habilidades pessoais e interpessoais) em contraposição às hard skills (habilidades e conhecimentos técnicos). E a empatia é uma dessas soft skills. Soube de uma empresa que fez a seleção final baseada na empatia. A capacidade técnica dos candidatos era equivalente e o que os diferenciou foi a capacidade de empatia.

O conhecido jornal Financial Times publicou uma matéria sobre trocar o treinamento em ética por empatia. A ética trata do bem comum e a empatia estabelece a conexão pessoa a pessoa.

Marshall Rosenberg, criador da CNV (Comunicação Não-violenta) diz que “empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo”.

E compreender não pressupõe aceitar ou rejeitar. O olhar empático implica em suspender o julgamento e buscar entender que o outro teve suas razões (sua história, suas crenças, sentimentos etc.) para ter tido aquele comportamento ou atitude, para ter dito o que disse.

Empatia não é simpatia ou antipatia… Qualquer desses dois implica em escolher uma posição a favor ou contra. Empatia implica em aceitar que o outro é diferente de nós.

Em um vídeo delicado e direto, Brené Brown explica o que é empatia. Começa dizendo que, enquanto a empatia atrai a conexão, a simpatia a afasta. Para estabelecer uma conexão com o outro, precisamos estar conectados primeiro com nós mesmos. Perceber nossos sentimentos, nossas necessidades.

Empatia fala de vulnerabilidade… De não ter todas as respostas.

O filósofo social Roman Krznaric idealizou o Museu da Empatia, em Londres. Uma grande caixa de sapato e dentro dela você pode escolher e calçar um par de sapatos, ao mesmo tempo em que ouve um áudio com a pessoa, dona do sapato, contando uma parte de sua história. É possível concretamente calçar o sapato do outro. Uma vivência profunda que pude experimentar quando o Museu esteve no Ibirapuera em 2017.

Empatia não é educar a outra pessoa, nem competir pelo sofrimento, nem consolar. Dizer ao outro o que fazer, é assumir que as suas ideias são melhores e que você possui as respostas.

Empatia é poder dizer ao outro que você está ao seu lado, independente se concorda ou não com as razões dele. Cada indivíduo é único.

Como exercitar a empatia? O primeiro passo é ouvir atentamente o outro e para isso, precisamos estar presentes; de corpo, alma e espírito. No aqui e agora, não no ontem ou no amanhã. E, esse ouvir precisa ser qualificado… Gostei muito da inversão feita pelo autor Paulo Coelho na frase “as paredes tem ouvidos”. A versão atual, segundo ele, seria “os ouvidos tem paredes”. Quando estivermos com outras pessoas, vamos lembrar de suspender as paredes para poder ouvir os pensamentos, sentimentos e necessidades do outro.

Exercitando a empatia, desenvolveremos a possibilidade de expandir nossa visão de mundo para incluir as visões de outras pessoas; e lapidaremos nossa convivência em sociedade.

E você, qual insight surgiu pela leitura? Como pretende exercitar a empatia?

 

Fontes:

Livro: Comunicação não-violenta – Marshall Rosenberg – Ed. Ágora

Site Center for Nonviolent Communication: https://www.cnvc.org/

Vídeo “O poder da empatia”: https://www.youtube.com/watch?v=4pADHGRNgbI

Desnaturalização do Olhar

Desnaturalização do Olhar

Dia Internacional da Mulher. Muitas felicitações e um longo caminho de desenvolvimento a seguir. Como mulher, como humanidade. Para todos, homens e mulheres.

O tema que escolhi para celebrar o dia é a desnaturalização do olhar. O que é isso? É refletir sobre o que vivemos no dia a dia, observando os comportamentos e atitudes (nossos e dos outros), assumidos como naturais (normais). Como falamos, ouvimos, pensamos… O que é natural? O que é normal?

Ficamos acostumados a uma forma de ver, ouvir e interagir com o mundo, que aprendemos na escola, na família, na sociedade. Ao usar o “o” como uma forma de incluir os vários gêneros, desperto minha atenção para o fato de que usamos o masculino quando nos referimos ao plural de um conjunto de pessoas, mesmo quando a maioria são mulheres. Como desperto essa atenção na fala? Quem determinou isso, no curso da história?

Segundo relatório da ONU, que pode ser consultado no link a seguir, https://esa.un.org/unpd/wpp/Publications/Files/WPP2017_KeyFindings.pdf, somos em torno de 7,6 bilhões de habitantes, com uma distribuição praticamente igual entre homens e mulheres.

Assim como a questão do plural, deixamos de observar o tratamento que recebemos das pessoas que estão ao nosso redor, sejam homens ou mulheres…. Quando vi, no aeroporto, a divulgação do aplicativo Women Interrupted, http://www.womaninterruptedapp.com/pt/, que detecta a Interrupção Masculina em conversas do dia a dia, fiz essa reflexão.

Será que os homens não são interrompidos? Também! Principalmente, se pertencerem ao espectro LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros/transexuais e intersexuais)…

Como vivemos em uma sociedade predominantemente patriarcal, é mais provável que os comportamentos a seguir aconteçam com mulheres:Manterrupting, Bropriating, Mansplaining, Gaslighting.Independentementese você é homem ou mulher, jáobservou esses comportamentos?

A medida que despertamos esse olhar, podemos nos sentir chateados, irritados, infelizes, desesperançosos… O que nos alivia é perceber que não estamos sozinhos.

O caminho de desenvolvimento do ser humano passa pela consciência, exercitada na convivência pacífica, acolhedora e empática com os outros.

“Empatia é uma compreensão respeitosa do que os outros estão experienciando. ” (Marshall Rosenberg)

Meus Pensamentos, Seus Pensamentos – Criando um ambiente propício aos pensamentos

Meus Pensamentos, Seus Pensamentos – Criando um ambiente propício aos pensamentos

Você já pensou em qual tipo de ambiente você cria à sua volta? Conheci esta abordagem em novembro de 2014, em um evento para conhecer os fundamentos e acabo de me certificar como Coach usando a metodologia Thinking EnvironmentTM. Podemos ouvir para iluminar o pensamento do Outro ou para responder, questionar ou perguntar. Ouvir mesmo, de verdade…

Quando ouvimos com a intenção de acender (despertar) o pensamento da outra pessoa, ajudamos a outra pessoa a pensar melhor. O fenômeno dos neurônios espelho confirma o quanto interferimos nos pensamentos uns dos outros.

E o que ganhamos com isso? Uma sociedade melhor. Melhores e livres pensadores tem o poder de gerar ideias para resolver as questões que surgem dia após dia.

Nancy Kline, como professora e consultora, estudou o pensamento e a interação entre as pessoas e transformou seu conhecimento e sua experiência em uma metodologia chamada The Thinking EnvironmentTM.

O Thinking EnvironmentTM (se traduzido, seria Ambiente de Pensamentos) está alicerçado em 10 componentes, que são os seguintes:

1. Atenção – Ouvir com respeito e sem interrupções (grifado de propósito). Você certamente já foi interrompido e ao retomar a fala, disse “Onde mesmo eu estava? O que eu estava falando?” Nancy diz que nossos pensamentos vêm em ondas e ao sermos interrompidos, perdemos a onda do pensamento. A qualidade da atenção afeta profundamente a qualidade do pensamento da outra pessoa.

2. Igualdade – Tratar-se como “parceiros de pensamento” (thinkingpeers). Oferecer atenção e oportunidades iguais (saber que você terá a sua vez, aumenta a qualidade da atenção).

3. Tranquilidade – Estar livre de pressões internas e urgências.

4. Apreciação – Oferecer reconhecimento genuíno das qualidades de uma pessoa (algumas pesquisas indicam que a razão seria de 5 reconhecimentos para 1 crítica). Sugere-se 3 elementos para essa apreciação: sucinta, sincera e específica. Nosso pensamento melhora na presença de apreciação.

5. Sentimentos – Permitir a liberação emocional (raiva, choro, riso, etc.) suficiente para restabelecer o pensar. Nancy Kline diz que a expressão de sentimentos limpa o pensamento. Seja chorando ou rindo, ao nos permitirmos viver este momento, nosso pensamento retoma o fluxo. Sem que alguém nos console, sendo simpático, e interrompa o fluxo dizendo “não fique assim”, “vai passar” etc.

6. Informação – Fornecer os fatos e desarmar a negação.

7. Encorajamento – Encorajar o outro a ir além do limite de suas ideias.

8. Diversidade – Assim como a realidade é diversa, nossa mente trabalha melhor na diversidade. A homogeneidade é um inibidor do pensar.

9. Perguntas IncisivasTM– Ao remover as suposições que nos limitam, podemos pensar por nós mesmos, de forma clara e criativa.

10. Lugar – O ambiente físico onde acontece o diálogo precisa transmitir às pessoas que elas são importantes. Quando o corpo é cuidado e respeitado, o pensar floresce.

 

Após conhecer e aplicar esse conceito em várias atividades com grupos e individualmente, no coaching, posso dizer que essa metodologia é muito mais do que uma metodologia. É uma filosofia de vida, uma forma de viver!

E agora, vamos cuidar do ambiente que geramos ao nosso redor?

Vamos apreciar mais as pessoas com as quais convivemos? Nem que seja por egoísmo… para que nossos pensamentos melhorem… e os delas também… e o mundo será melhor para todos!!!

 

Referências

Apostila do Curso The Thinking EnvironmentTM Foundation

Nancy Kline – Livro “Time to ThinkListening to Ignite the Human Mind”, Octopus Books, 2015

 

Para saber mais:

Página da Time toThink – http://www.timetothink.com/learn/articles/ (em inglês)