Decidir, não decidir ou quando decidir: eis a questão

Decidir, não decidir ou quando decidir: eis a questão

“Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.” – Cora Coralina

Preparando o material para um workshop sobre tomada de decisão, fiquei pensando nas decisões que tomamos ou não, ao longo de um dia ou ao longo da nossa vida. O verbo decidir vem do latim, decidere, que quer dizer determinar, definir; formado por DE-, “fora” + CAEDERE, “cortar”. A decisão implica em “cortar fora” algumas possibilidades.

A decisão define o que virá em seguida. Podemos dizer que é como um portal. Mesmo quando não decidimos, uma decisão será tomada e talvez alguém decida por nós. Certamente já ouvimos esse argumento em tempos de eleição.

Quanto à mudança de hábitos, já li que é melhor tomar as decisões antes para evitar que, em um momento não tão propício, sejamos levadas a tomar a decisão errada.

Gretchen Rubin, autora do livro “Melhor do que antes”, que trata da formação de hábitos, descreve uma estratégia chamada Abstenção. É mais adequado que você decida, por antecipado, que vai deixar de comer doces ou deixar de beber vinho etc. antes de estar frente a frente com o fato. Na hora do almoço, durante a semana, será muito mais fácil dizer ao garçom “só como sobremesa no final de semana” do que ter que pensar, na hora, se aceita ou não a oferta, e estar sujeita a ouvir argumentos dos colegas, ponderando que “é só um docinho”… e ficar tentada a interromper a dieta.

Quanto mais decisões tomarmos antes, mais conseguiremos reforçar nossos hábitos.

Ouvi Tony Robbins dizer que é mais fácil fazer jejum do que dieta. Faz sentido. Nos dias ou períodos de jejum, só é permitido beber água ou líquidos sem açúcar. Já na dieta… Se for a de pontos, temos que decidir as combinações; se for uma dieta com restrições, precisamos lembrar tudo o que podemos ou não comer… E essa energia usada para cada tomada de decisão, consome nossa força de vontade. Ao final da tarde ou da noite, acabamos cedendo…

Da mesma forma, uma mudança em qualquer aspecto da nossa vida, começa com esse pequeno passo que envolve uma decisão… Enquanto não decidirmos, nada de novo acontecerá.

Minha última “grande” decisão foi iniciar uma pós-graduação em Filosofia e Autoconhecimento, inspirada pela frase “daqui a um ano, você vai desejar ter começado hoje”, atribuída a Karen Lumb.

E você, como anda seu poder de decisão?

 

Referência:

Melhor do que antes: o que aprendi sobre criar e abandonar hábitos. Gretchen Rubin. Ed. Fontanar, 2015.

Se quiser ler um post sobre o livro citado:

http://eduvir.com.br/novo/novos-habitos-ou-velhos-habitos/

 

Imagem: Arek Socha / Pixabay

Um Mar de Emoções

Um Mar de Emoções

Você já reparou quantas emoções vivemos no nosso dia a dia? Você sai de casa e encontra seu vizinho. Se você se dá bem com ele, pode ficar alegre com o encontro. Se você discutiu com esse vizinho na última reunião do Condomínio, pode ficar incomodada ou irritada com a presença dele no elevador. Ouve uma música e fica alegre. Ouve uma notícia e fica raivoso.

A caminho do trabalho, no trânsito, sua passagem é obstruída ou, na condução (ônibus, metrô, BRT…), alguém te empurra na hora de entrar no transporte… E as emoções vão surgindo…

Marshall Rosemberg nos lembra que precisamos assumir a responsabilidade por nossos sentimentos, percebendo que o que os outros dizem ou fazem pode ser um estímulo (um gatilho) mas nunca a causa dos nossos sentimentos. Basta reparar que, frente a um mesmo evento, podemos observar pessoas diferentes manifestarem diferentes reações.

Assumir a responsabilidade pelos nossos sentimentos pode nos tranquilizar ao trazer de volta o poder da escolha: eu me sinto assim porque eu… Ao mesmo tempo, exime os outros de nossas reclamações e cobranças. Porque precisamos nos ocupar conosco e não com eles.

Foi uma descoberta conhecer o Atlas das Emoções, desenvolvido por Paul Ekman (consultor para o filme Divertidamente, que recomendo) a pedido do Dalai Lama.

www.atlasofemotions.com

Apesar de ainda não estar traduzido para o português, as versões existentes (espanhol, inglês, italiano e alemão) podem nos trazem uma perspectiva do desenrolar das nossas emoções em diferentes situações, aumentando o nosso entendimento. Explorando o Atlas, podemos ainda, ampliar o repertório de palavras que usamos para dar nome ao que sentimos.

Bons mergulhos nesse mar!

 

Comunicação Não violenta. Marshall Rosemberg. Ed. Ágora

Imagem: Dimitris Vetsikas por Pixabay

 

Considerações sobre o Ouvir

Considerações sobre o Ouvir

O ato de ouvir pode ser revolucionário. Ampliar o que ouvimos de outras pessoas aumenta nossos conhecimentos, pode nos proporcionar pensamentos inovadores, além de melhorar nossos relacionamentos. Ouvir é a base do diálogo.

Segundo Nancy Kline, existem 2 mundos do pensar. No primeiro, o Mundo da Troca, ouvimos para responder. O outro começa a falar e imediatamente nós estamos pensando na resposta, para quando chegar a nossa vez. Nesse caso, ouvimos parcialmente o que o outro está dizendo e ainda atrapalhamos seu pensamento por não dar a ele a atenção necessária. No outro mundo, o Mundo do Pensador Independente, ouvimos o outro para “acender” ou “impulsionar” seu pensamento. Completamente concentrados no que está sendo dito, e com a confiança de que, quando chegar a nossa vez, teremos a atenção necessária para elaborar nossos próprios pensamentos.

Como não estamos acostumados a esse outro Mundo, faz-se necessário exercitar. Suspender o julgamento (que é automático). Acompanhar o outro em seus pensamentos. Evitar interrupções para deixar fluir as ideias do outro. E aguardar a nossa vez para que o outro também possa exercitar o ouvir dele.

Experimente e perceba os resultados. Depois me conte!

Nancy Kline – www.timetothink.com

Imagem: Imagem de Andrew Martin por Pixabay

 

Aprendizados do Tony Robbins Brasil 2019

Aprendizados do Tony Robbins Brasil 2019

Tive a oportunidade de participar do evento que trouxe Tony Robbins ao Brasil, em sua primeira vez no Rio de Janeiro. Já tinha lido seus livros Poder sem Limites e Desperte o Gigante Interior, nos anos 1990 e compartilho alguns conhecimentos sobre como realizar mudanças, que foram vivenciados no evento, por meio de muito movimento e entusiasmo:

“Saiba que são suas as suas decisões, e não as suas condições que determinam o seu destino.” (Tony Robbins)

– A energia é o segredo da execução.

– O conhecimento é poder potencial. O verdadeiro poder está na execução, no fazer acontecer.

– A complexidade é a inimiga da execução. Simplicidade é a chave.

– A energia (para a execução) vem da nossa mente e do nosso coração. Comida não é fonte de energia (após comermos, experimentamos uma baixa de energia).

– Para fazermos mudanças de forma rápida, precisamos de momentum (movimento). Pessoas felizes ficam mais felizes.

– O Ciclo do Sucesso: Potencial se transforma em Ação; Ação gera Resultados; Resultados reforçam Certezas/Crenças; Crenças geram Potencial. Quando a Incerteza está presente, o Potencial não é gerado, poucas Ações acontecem e em decorrência, os Resultados não se materializam.

– Para ter resultados, precisamos trabalhar primeiro a mente e as emoções. Um estudo demonstrou que jogadores de basquete que treinaram os arremessos por meio de visualização mental apresentaram melhores resultados do que aqueles que treinaram fisicamente.

– Os fracassos não acontecem por causa dos recursos (tempo, dinheiro, tecnologia, conhecimento etc). Acontecem pela falta do recurso mais importante: as emoções.

– Emoções são o recurso definitivo (ultimate resource): criatividade, compromisso, determinação, certeza, flexibilidade, conexão, compaixão e visão.

– Duas forças influenciam nossas decisões: Estado Mental (momento a momento) e o Modelo de Mundo (longo prazo). Seu estado mental controla seu comportamento.

– Para mudar seu foco, mude suas perguntas.

 Qual a mudança que você quer fazer na sua vida? Como criar momentum? Como conseguirá energia? Quais crenças precisará rever?

 Referências:

Poder sem Limites. Tony Robbins. Ed. Best Seller

Desperte seu Gigante Interior. Tony Robbins. Ed. Best Seller

https://www.tonyrobbins.com/

 

Imagem: Gerd Altmann por Pixabay

 

Equipes Eficazes: os achados do Projeto Aristóteles

Equipes Eficazes: os achados do Projeto Aristóteles

Em 2008, a empresa Google lançou o Projeto Oxigênio para identificar o que tornava um gerente excelente e se sua presença era um diferencial para as equipes. Os resultados indicaram as seguintes características: ser um bom treinador; dar autonomia e não tentar controlar tudo; expressar interesse e preocupação pelo sucesso e bem-estar de seus subordinados; ser orientado para resultados; escutar e compartilhar informações; ajudar no desenvolvimento humano; possuir uma visão e uma estratégia claras; e possuir habilidades técnicas relevantes.

Em seguimento, foi iniciado o Projeto Aristóteles no qual os pesquisadores visavam descobrir como criar a equipe perfeita (produtividade), buscando entender os padrões existentes por meio de entrevistas e observações em mais de 150 equipes dentro da Google (mais de 150 horas de entrevistas).

Os resultados indicaram que um conjunto de normas de grupo fazia a diferença no desempenho das equipes. Foram observadas 5 dinâmicas que tornam as equipes eficazes, a saber:

1. Segurança Psicológica. Segundo a pesquisadora de Harvard, Amy Edmondson, segurança psicológica é uma “crença compartilhada, comum aos integrantes de uma equipe, de que o grupo é um lugar seguro para correr riscos”. Existe segurança para assumir riscos e ser vulnerável. A presença da confiança faz com que todos sintam que podem se expressar e cada integrante demonstre sensibilidade em relação aos sentimentos dos demais.

2. Confiabilidade. Os integrantes da equipe cumprem suas tarefas com responsabilidade e de forma confiável, contando uns com os outros.

3. Estrutura e Clareza. A existência de papéis claros, de planos e metas definidos contribuem para a eficácia das equipes.

4. Significado. Os membros da equipe percebem um senso de propósito no trabalho que fazem e nos resultados.

5. Impacto. Reflete a percepção de que o trabalho realizado é importante, faz a diferença e cria mudança, contribuindo para os resultados da organização.

Os pesquisadores também descobriram que algumas variáveis não impactavam, significativamente, a eficácia das equipes na Google: estar juntos no mesmo espaço (escritório); o consenso na tomada de decisões; a extroversão dos membros da equipe; o desempenho individual; a quantidade de trabalho; a senioridade; o tamanho da equipe; e o tipo de contrato (permanente ou temporário).

Ainda que você não trabalhe na Google, espero que essas informações e dinâmicas sirvam para uma reflexão sobre como tornar suas equipes mais bem-sucedidas ou como se tornar um membro eficaz de uma equipe.

Referências:

Charles Duhigg. Mais rápido e melhor: os segredos da produtividade na vida e nos negócios. Ed. Objetiva, 2016

https://rework.withgoogle.com/print/guides/5721312655835136/

 

O cérebro é feito para pensar… não para armazenar!

O cérebro é feito para pensar… não para armazenar!

Minha experiência com o método criado por David Allen, o Getting Things Done (GTD), descrito no seu livro “A Arte de Fazer Acontecer” tem me confirmado essa afirmação. Sinto-me mais produtiva e criativa ao registrar as ideias que surgem em vez de deixá-las na minha cabeça.

David explica que, com o desenvolvimento da neurociência e o consequente entendimento de como o cérebro funciona, fica claro que a mente é ótima para reconhecer, mas péssima para lembrar. Por isso, justifica-se a necessidade de se ter um sistema externo de armazenamento, fazendo “downloads” sistemáticos para ele. Por exemplo, podemos registrar os compromissos ou ideias em um caderno ou em outro sistema informatizado.

Dessa maneira, a mente é liberada para a criatividade e para pensar, porque passa a “confiar” no seu sistema, entendendo que, em algum momento, você dará atenção ao que foi registrado.

Além disso, como já foi abordado no post “A importância de encerrar – Fechar janelas para abrir portas”, tarefas incompletas interferem na qualidade do nosso pensar. Quando registrarmos a ideia ou a pendência, nosso cérebro descansa e pode ser usado para tarefas mais nobres e que exigem foco. Ganhamos energia.

Por isso, defina uma forma de registrar suas ideias ou pendências para tratar delas depois. Sua produtividade pode depender disso.

E você, como cuida de suas ideias e de sua mente?

“Sua mente é feita para ter ideias, não para armazená-las.” (David Allen)

 

Referências

A Arte de Fazer Acontecer. David Allen. Ed. Sextante. 2015

Post: http://eduvir.com.br/novo/a-importancia-de-encerrar-fechar-janelas-para-abrir-portas-2-minutos-de-leitura/

Imagem: Gerd Altmann por Pixabay