Coluna da Angela Vega

angela-300x200Angela Vega é engenheira química formada na UFRJ, MBA Executivo no IBMEC e com especializações na Fundação Dom Cabral, INSEAD, Adigo e Amana-Key.

Facilitadora de processos de desenvolvimento individual, organizacional e de grupos. Na carreira empresarial, coordenou e desenvolveu projetos de gestão da mudança, gestão por processos, organização, ouvidoria e educação corporativa. Caminhante e corredora de rua, com algumas meias maratonas completadas. Participa do Presencing Institute, onde são debatidos conceitos e experiências internacionais sobre a Teoria U. É coach (executiva, de vida e de carreira), membro-fundadora do Capítulo RJ, do International Coach Federation (ICF) e aconselhadora biográfica.

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Gratidão pra recomeçar

Alguns de nós chegamos ao final de 2020. Nem todos tiveram a mesma sorte ou destino. Começamos o ano com as perspectivas e os pensamentos que os inícios nos trazem: esperanças, sonhos, desejos, planos… No Carnaval, já recebíamos notícias do vírus se espalhando na Itália e na Espanha, e pensamos que, separados por um oceano estaríamos protegidos. Não demorou muito. Pelo ar, o vírus viajou até nós. E, em três semanas, começou o isolamento social no Brasil. Foi um ano de adaptação, sentimentos, perdas, ganhos. Este ano aconteceu, ponto. Resisto à ideia de apagar 2020 da minha vida. Ao lado das tristezas e luto pelas perdas dos/das amigos/as, está o mergulho que fiz para dentro de mim (Eu, Caçadora de Mim; lembrando da música de Sergio Magrão e Luiz Carlos Sá, imortalizada na voz de Milton Nascimento). O tempo no transporte para chegar e sair do trabalho transformado em tempo de interiorização, de meditação… A conclusão da pós graduação com a entrega do trabalho de conclusão de curso (TCC)… o aprendizado e a realização de diversas Lives para compartilhar conhecimentos… um livro lançado (capítulo sobre CNV) e um capítulo escrito para outro livro (carreira e longevidade) … as rodadas de 21 Dias de Meditação (21-Day Meditation Experience, app no Google Play) gratuitas, oferecidas pelo Chopra Center Meditation, com Deepak Chopra e Oprah Winfrey. E muito mais… O médico Deepak Chopra, autor de diversos livros e especialista em medicina alternativa, afirma que a prática da gratidão pode nos trazer benefícios nos âmbitos físico, social e psicológico. No físico, a gratidão fortalece nosso sistema imunológico, melhora o sono e nos traz...

Negritude e Branquitude: uma reflexão

Tempo de leitura: 4 min Assumo minha branquitude, assim como todos os vieses cognitivos que me habitam, e falo a partir deles com minhas vivências e observações. Feito esse disclaimer (em português, aviso legal), fiquei impressionada com a leitura recente do livro “Pequeno Manual Antirracista”, escrito por Djamila Ribeiro, filósofa, professora e ativista, como ela se define. Recomendo a leitura. No livro, a autora nos faz entrar em contato com o racismo estrutural e que, devido ao fato dele estar impregnado em nossas vidas, não podemos/devemos entrar em uma conversa, assumindo que não somos racistas. A branquitude, em oposição à negritude, vivemos em um contexto de privilégios, somente pela origem que temos. Pensando em generalizações, sou reticente a elas porque também me sinto excluída, quando ouço que “todos” os brasileiros possuem raízes negras, índias e são miscigenados. Sou brasileira, nascida no Rio de Janeiro, mas meus pais são espanhóis. Vieram para o Rio de Janeiro em 1960, se conheceram no navio de imigração, casaram e se estabeleceram aqui no Brasil. Se eles possuem miscigenação por conta das invasões árabes na Península Ibérica, não posso ter certeza. Tenho certeza de que a generalização não se aplica a mim. Da mesma forma, talvez outras pessoas, negras ou brancas, não tenham essa miscigenação… Falando de sangue. Já na cultura, diversos desses traços fazem parte do nosso dia a dia… O que faríamos sem a mandioca (aipim para alguns), cultivada inicialmente pelos indígenas? E os deliciosos pratos baseados na cultura africana (vatapá, caruru, bobó, acarajé)? E as palavras de origem indígena (caatinga, caipira, carioca, capenga, nhenhenhém) ou de origem africana (dengo, caçula, cafuné,...

Carreira: maturidade, longevidade e biografia

As pesquisas e instituições nos trazem notícias de que o envelhecimento da população no Brasil e no mundo é uma realidade. A longevidade nos traz desafios e nos oferece questões. O que farei com os anos pós-aposentadoria? Conseguirei me aposentar? O que farei com os anos adicionais de vida? Como me sustentarei? Qual será o impacto para os mais jovens? Os dados demográficos indicam que estamos vivendo uma transição demográfica. No Brasil, entre 1950 e 1975, a idade mediana da população estava próxima de 20 anos, significando que 50% da população tinham menos de 20 anos e somente 5% das pessoas estavam acima de 60 anos no país. Podia-se dizer que a estrutura etária brasileira era extremamente jovem. Segundo as projeções da ONU (2019), ao final do século XXI, a idade mediana no Brasil estará acima de 50 anos, significando que metade da população terá mais de 50 anos e a proporção de idosos de 60 anos e acima estará em 40%. E o país terá uma estrutura etária envelhecida. Segundo relatório das Nações Unidas (ONU), a expectativa de vida ao nascer para a população mundial atingiu 72,6 anos em 2019, um avanço de mais de oito anos desde 1990. Outras melhorias na sobrevivência são projetadas para resultar em um tempo médio de vida global de cerca de 77,1 anos em 2050. Em 2018, pela primeira vez na história, as pessoas com 65 anos ou mais, em todo o mundo, superavam as crianças com menos de cinco anos. As projeções indicam que, em 2050, haverá mais do dobro de pessoas com mais de 65 anos do que crianças com...