Coluna da Angela Vega

angela-300x200Angela Vega é engenheira química formada na UFRJ, MBA Executivo no IBMEC e com especializações na Fundação Dom Cabral, INSEAD, Adigo e Amana-Key.

Facilitadora de processos de desenvolvimento individual, organizacional e de grupos. Na carreira empresarial, coordenou e desenvolveu projetos de gestão da mudança, gestão por processos, organização, ouvidoria e educação corporativa. Caminhante e corredora de rua, com algumas meias maratonas completadas. Participa do Presencing Institute, onde são debatidos conceitos e experiências internacionais sobre a Teoria U. É coach (executiva, de vida e de carreira), membro-fundadora do Capítulo RJ, do International Coach Federation (ICF) e aconselhadora biográfica.

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Leveza para começar o ano

Em dezembro, tive a oportunidade de ouvir o audiolivro “The gentle art of swedish death cleaning” que, em tradução livre seria “a suave arte sueca da limpeza da morte”. A autora Margareta Magnusson, artista sueca, entre 80 e 100 anos, como ela se define, apresenta o döstadning, onde dö significa “morte” e städning significa “limpeza”. Na Suécia, essa palavra se refere ao processo de remover coisas desnecessárias tornando sua casa confortável e ordenada, quando você avalia que seu tempo de deixar o planeta está chegando. A autora passou por essa experiência de desfazer-se dos objetos de seus pais e marido. E decidiu descrever no livro uma forma de lidar antecipadamente com os objetos pessoais para dar menos trabalho quando morrermos. O processo pode ser realizado em qualquer fase da vida, até porque não sabemos quando partiremos. Nesse momento em que estamos iniciando o ano, podemos aproveitar essa ideia para rever nossos pertences, avaliando o que podemos descartar para nos tornarmos mais “leves” com o propósito de alcançar o que queremos em 2020. Arrumando o externo, por reflexão, arrumamos também o interno. O macro no micro. Margareta recomenda começar avaliando as coisas guardadas, estocadas, identificando o que pode ser descartado. Às vezes, podemos nos dar conta de que nem nos lembrávamos daqueles objetos. É importante dispor de tempo para avaliá-los, lembrando suas histórias e então, decidir dispensá-los ou não. No processo de life coaching, recomendamos avaliar os objetos, separando-os em 2 pilhas: o que gosto e o que não gosto. Descartamos a pilha do “não gosto” e da pilha “gosto” fazemos outra seleção: o que eu gosto e o que...

Tempos de revisão – Para mudar o mundo

Nossos pensamentos comandam nossas ações, despertam nossos sentimentos e criam realidade. Essa frase soa como algo místico e esotérico, mas não é. Para que algum projeto se concretize, primeiro é preciso existir um pensamento. É na nossa mente, na forma de pensamentos que tudo começa e, se decidirmos ir em frente, seguiremos para o planejamento e para a execução. Entramos em fase de revisão. O mês de dezembro, por ser o último do ano, nos traz essa reflexão sobre o que planejamos fazer (em janeiro) e o que efetivamente fizemos durante o ano. E, nesse balanço, podemos decidir o que vamos buscar no próximo ano. Como a mudança começa em cada um de nós, e o que pensamos e falamos termina por nos definir, proponho desenvolver uma atenção para nossas palavras e pensamentos em 2020. Estava assistindo uma aula com Leila Ferreira (jornalista e escritora) sobre a arte de conviver e ela falava da necessidade de restaurar a gentileza em nossas vidas e sobre estarmos vivendo uma epidemia de falta de educação. Citou uma frase de P. M. Forni, professor e estudioso da civilidade (viver em sociedade), na qual ele afirma: “Achar que gentileza é algo supérfluo é miopia. Gentileza é qualidade de vida (…) ser mal-educado e autocentrado é suicídio social.” Estamos ocupados (fisicamente e virtualmente), e na maioria das vezes, não percebemos como pequenos atos de gentileza iluminam nossas vidas e as dos outros. Em um evento nos anos 1990, o facilitador perguntou como tratávamos os vigilantes que nos recebiam a cada manhã no trabalho. E eu me dei conta de que passava por eles como se...

Para um exame de consciência

Há tempos, venho observando que, ao terminar meus workshops, aulas ou ao final de uma reunião, restam uma quantidade de papéis, copos de plástico para água ou copinhos de café sobre as mesas. Às vezes, até as notas registradas por alguns. E, nesses momentos, eu me pergunto o que leva as pessoas a abandonarem seu “lixo”? Quais serão os pensamentos e as crenças que sustentam esse comportamento? Minha suposição para o fato, traz o contexto em que a sociedade brasileira foi criada. Uma sociedade que se estabeleceu em meio à escravatura, na qual, a sinhazinha ou sinhozinho possuíam (do verbo ter) mucamas e serviçais para lhe atender e cuidar de seu bem-estar. Passei a chamar esse comportamento de “mentalidade escravocrata”. E, se me expandir um pouco mais, percebo que, no tratamento de pessoas que prestam serviços, também essas atitudes se fazem presentes. Foi emblemático para mim observar que, na academia que eu frequentava, nas aulas de spinning, algumas pessoas, em vez de encherem suas próprias garrafinhas de água, entregavam-nas a uma senhora da limpeza para que ela as enchesse. Aguadeiros modernos. O artigo que me despertou para essas observações foi escrito por Roberto Damatta, publicado pela CNI / SENAI, a respeito da imagem do engenheiro na sociedade brasileira. Em uma parte do texto, diz o autor: “Mas, mesmo abolida, a escravidão está na raiz do sistema social brasileiro. Foi ela quem sustentou esse personalismo sem o qual não se entende a operação de nosso sistema político. Foi ela também quem sustentou a hierarquia que até hoje, doce ou autoritariamente, por favor ou ordem, comanda quem vai “pegar o copo...