Coluna da Angela Vega

angela-300x200Angela Vega é engenheira química formada na UFRJ, MBA Executivo no IBMEC e com especializações na Fundação Dom Cabral, INSEAD, Adigo e Amana-Key.

Facilitadora de processos de desenvolvimento individual, organizacional e de grupos. Na carreira empresarial, coordenou e desenvolveu projetos de gestão da mudança, gestão por processos, organização, ouvidoria e educação corporativa. Caminhante e corredora de rua, com algumas meias maratonas completadas. Participa do Presencing Institute, onde são debatidos conceitos e experiências internacionais sobre a Teoria U. É coach (executiva, de vida e de carreira), membro-fundadora do Capítulo RJ, do International Coach Federation (ICF) e aconselhadora biográfica.

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Decidir, não decidir ou quando decidir: eis a questão

“Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.” – Cora Coralina Preparando o material para um workshop sobre tomada de decisão, fiquei pensando nas decisões que tomamos ou não, ao longo de um dia ou ao longo da nossa vida. O verbo decidir vem do latim, decidere, que quer dizer determinar, definir; formado por DE-, “fora” + CAEDERE, “cortar”. A decisão implica em “cortar fora” algumas possibilidades. A decisão define o que virá em seguida. Podemos dizer que é como um portal. Mesmo quando não decidimos, uma decisão será tomada e talvez alguém decida por nós. Certamente já ouvimos esse argumento em tempos de eleição. Quanto à mudança de hábitos, já li que é melhor tomar as decisões antes para evitar que, em um momento não tão propício, sejamos levadas a tomar a decisão errada. Gretchen Rubin, autora do livro “Melhor do que antes”, que trata da formação de hábitos, descreve uma estratégia chamada Abstenção. É mais adequado que você decida, por antecipado, que vai deixar de comer doces ou deixar de beber vinho etc. antes de estar frente a frente com o fato. Na hora do almoço, durante a semana, será muito mais fácil dizer ao garçom “só como sobremesa no final de semana” do que ter que pensar, na hora, se aceita ou não a oferta, e estar sujeita a ouvir argumentos dos colegas, ponderando que “é só um docinho”… e ficar tentada a interromper a dieta. Quanto mais decisões tomarmos antes,...

Um Mar de Emoções

Você já reparou quantas emoções vivemos no nosso dia a dia? Você sai de casa e encontra seu vizinho. Se você se dá bem com ele, pode ficar alegre com o encontro. Se você discutiu com esse vizinho na última reunião do Condomínio, pode ficar incomodada ou irritada com a presença dele no elevador. Ouve uma música e fica alegre. Ouve uma notícia e fica raivoso. A caminho do trabalho, no trânsito, sua passagem é obstruída ou, na condução (ônibus, metrô, BRT…), alguém te empurra na hora de entrar no transporte… E as emoções vão surgindo… Marshall Rosemberg nos lembra que precisamos assumir a responsabilidade por nossos sentimentos, percebendo que o que os outros dizem ou fazem pode ser um estímulo (um gatilho) mas nunca a causa dos nossos sentimentos. Basta reparar que, frente a um mesmo evento, podemos observar pessoas diferentes manifestarem diferentes reações. Assumir a responsabilidade pelos nossos sentimentos pode nos tranquilizar ao trazer de volta o poder da escolha: eu me sinto assim porque eu… Ao mesmo tempo, exime os outros de nossas reclamações e cobranças. Porque precisamos nos ocupar conosco e não com eles. Foi uma descoberta conhecer o Atlas das Emoções, desenvolvido por Paul Ekman (consultor para o filme Divertidamente, que recomendo) a pedido do Dalai Lama. www.atlasofemotions.com Apesar de ainda não estar traduzido para o português, as versões existentes (espanhol, inglês, italiano e alemão) podem nos trazem uma perspectiva do desenrolar das nossas emoções em diferentes situações, aumentando o nosso entendimento. Explorando o Atlas, podemos ainda, ampliar o repertório de palavras que usamos para dar nome ao que sentimos. Bons mergulhos nesse mar!...

Considerações sobre o Ouvir

O ato de ouvir pode ser revolucionário. Ampliar o que ouvimos de outras pessoas aumenta nossos conhecimentos, pode nos proporcionar pensamentos inovadores, além de melhorar nossos relacionamentos. Ouvir é a base do diálogo. Segundo Nancy Kline, existem 2 mundos do pensar. No primeiro, o Mundo da Troca, ouvimos para responder. O outro começa a falar e imediatamente nós estamos pensando na resposta, para quando chegar a nossa vez. Nesse caso, ouvimos parcialmente o que o outro está dizendo e ainda atrapalhamos seu pensamento por não dar a ele a atenção necessária. No outro mundo, o Mundo do Pensador Independente, ouvimos o outro para “acender” ou “impulsionar” seu pensamento. Completamente concentrados no que está sendo dito, e com a confiança de que, quando chegar a nossa vez, teremos a atenção necessária para elaborar nossos próprios pensamentos. Como não estamos acostumados a esse outro Mundo, faz-se necessário exercitar. Suspender o julgamento (que é automático). Acompanhar o outro em seus pensamentos. Evitar interrupções para deixar fluir as ideias do outro. E aguardar a nossa vez para que o outro também possa exercitar o ouvir dele. Experimente e perceba os resultados. Depois me conte! Nancy Kline – www.timetothink.com Imagem: Imagem de Andrew Martin por Pixabay...