Coluna da Angela Vega

angela-300x200Angela Vega é engenheira química formada na UFRJ, MBA Executivo no IBMEC e com especializações na Fundação Dom Cabral, INSEAD, Adigo e Amana-Key.

Facilitadora de processos de desenvolvimento individual, organizacional e de grupos. Na carreira empresarial, coordenou e desenvolveu projetos de gestão da mudança, gestão por processos, organização, ouvidoria e educação corporativa. Caminhante e corredora de rua, com algumas meias maratonas completadas. Participa do Presencing Institute, onde são debatidos conceitos e experiências internacionais sobre a Teoria U. É coach (executiva, de vida e de carreira), membro-fundadora do Capítulo RJ, do International Coach Federation (ICF) e aconselhadora biográfica.

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Reflexões sobre a Longevidade

Devido ao meu interesse no tema longevidade, escrevi um post em 2016 sobre o livro “The 100-Year Life – Living and Working in an Age of Longevity”, recém-lançado na época pelos Professores Lynda Gratton e Andrew Scott, da London Business School. Os dados demográficos indicam que estamos frente a um panorama que torna bem concreta a questão da longevidade. Um estudo do BNDES aponta que a parcela da população acima de 60 anos está crescendo em um ritmo mais acelerado do que qualquer outro grupo etário. Além disso, projeta-se que, em 2050, o percentual da população mundial acima de 60 anos ultrapasse o de jovens de até 14 anos. No Brasil, esta transição deve ocorrer ainda mais cedo, em 2030. Espera-se ainda que, entre 2015 e 2030, o grupo de idosos acima de 85 anos aumentará em um ritmo maior do que a população entre 0 e 60 anos. E como vamos lidar com essas questões? Em seu novo livro sobre o tema, “The New Long Life: A Framework for Flourishing in a Changing World”, lançado em maio de 2020, os autores afirmam que a combinação entre tecnologia e longevidade leva a muitas questões sobre a carreira, não fazendo mais sentido pensarmos a vida dividida em três fases: estudar, trabalhar e se aposentar. Precisamos de novos pressupostos e os autores nos sugerem três ações fundamentais (“pedras-de-toque”, em inglês, touchstones): Narrar (Contar): navegar minha trajetória de vida. Criar uma narrativa, uma história, que confira significado à nossa vida e ajude na navegação pelas escolhas que fazemos, considerando que a longevidade aumenta a duração da vida e as rupturas tecnológicas criam...

Necessidades e Comportamentos

O isolamento social nos coloca à prova. Tanto vivenciamos como ouvimos falar dos conflitos que acontecem dentro das casas, entre membros da família ou não. Casos de desavenças surgem entre vizinhos em condomínios, quanto às regras de convivência. A maioria de nós passou a deixar os sapatos do lado de fora da porta do apartamento para evitar contaminação. E passamos a ocupar espaços que são sociais… não tivemos chance nem tempo de negociar as “novas” regras e alguns se ressentem com isso. Quero trazer algumas possibilidades de entendermos essa questão dos conflitos à luz da comunicação não-violenta (CNV). “A CNV se baseia em habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de permanecermos humanos, mesmo em condições adversas.” (Marshall Rosenberg) Essa abordagem, desenvolvida por Marshall Rosenberg, está baseada em quatro componentes: observação, sentimento, necessidades e pedido. Nesse post, vamos tratar principalmente dos 2 componentes centrais: sentimento e necessidades. O convite que a CNV nos traz é para que assumamos a responsabilidade por nossos sentimentos, percebendo que, o que os outros dizem e fazem pode ser o gatilho, nunca a causa de nossos sentimentos. Segundo Marshall, nossos sentimentos estão diretamente relacionados às nossas necessidades. Se nossas necessidades estão atendidas, nos sentimos alegres, exultantes, esperançosos, entusiasmados, curiosos, confiantes, gratificados, motivados… No caso de nossas necessidades não estarem sendo atendidas, ficamos desconfortáveis, infelizes, irritados, chateados, aterrorizados, nervosos, rancorosos, tristes… A partir de sua experiência, Marshall apresenta um conjunto de necessidades humanas básicas, ressaltando que estas são compartilhadas por todos os seres humanos, quais sejam: Autonomia: escolher seus próprios sonhos, objetivos, valores e planos; escolher seu próprio plano para realizar esses sonhos,...

A Pandemia e o Paradigma

Depois de algumas longas semanas de isolamento social incluindo realização de home office (em português, teletrabalho), compartilho as reflexões que me surgiram. No início do processo, sentia certa estranheza quando ouvia algumas pessoas usando a expressão “quando voltarmos ao normal”… e eu me perguntava o que era o normal e para qual normal estaríamos voltando. Agora, já se fala no “novo normal”. Talvez porque as mudanças pelas quais estamos passando já deixam marcas que impedem que seja possível retornar ao “velho normal”. Lembro que, na década de 90, no boom da Gestão pela Qualidade Total, conheci a palavra “paradigma”. De origem grega, foi tomada emprestada de um livro do físico Thomas Khun, para representar um conjunto de referências que formam uma visão de mundo. Na época, apresentava-se como exemplo de quebra de paradigmas o que havia acontecido na indústria de relógios. A Suíça dominava a tecnologia e era “dona” de uma grande fatia do mercado (market share). Os relógios suíços eram conhecidos como os melhores do mundo pela precisão, por meio de seus sofisticados mecanismos que exigiam grande qualificação para serem produzidos. Então, os japoneses desenvolveram o relógio digital, que apresentava a mesma precisão e mudaram a cara da indústria. Os relógios suíços continuaram sendo reconhecidos por sua qualidade, mas o market share mudou completamente. A produção em série de relógios digitais tornou o produto mais acessível, por conta da mudança tecnológica. Ouvi, algumas vezes, a explicação de que, quando há uma mudança de paradigma, tudo começa do zero. Isto é, todas as referências, padrões etc. são como que “resetados”. ALT-CTRL-DEL! Na minha percepção é o que a pandemia...