Coluna da Angela Vega

angela-300x200Angela Vega é engenheira química formada na UFRJ, MBA Executivo no IBMEC e com especializações na Fundação Dom Cabral, INSEAD, Adigo e Amana-Key.

Facilitadora de processos de desenvolvimento individual, organizacional e de grupos. Na carreira empresarial, coordenou e desenvolveu projetos de gestão da mudança, gestão por processos, organização, ouvidoria e educação corporativa. Caminhante e corredora de rua, com algumas meias maratonas completadas. Participa do Presencing Institute, onde são debatidos conceitos e experiências internacionais sobre a Teoria U. É coach (executiva, de vida e de carreira), membro-fundadora do Capítulo RJ, do International Coach Federation (ICF) e aconselhadora biográfica.

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Carreira: maturidade, longevidade e biografia

As pesquisas e instituições nos trazem notícias de que o envelhecimento da população no Brasil e no mundo é uma realidade. A longevidade nos traz desafios e nos oferece questões. O que farei com os anos pós-aposentadoria? Conseguirei me aposentar? O que farei com os anos adicionais de vida? Como me sustentarei? Qual será o impacto para os mais jovens? Os dados demográficos indicam que estamos vivendo uma transição demográfica. No Brasil, entre 1950 e 1975, a idade mediana da população estava próxima de 20 anos, significando que 50% da população tinham menos de 20 anos e somente 5% das pessoas estavam acima de 60 anos no país. Podia-se dizer que a estrutura etária brasileira era extremamente jovem. Segundo as projeções da ONU (2019), ao final do século XXI, a idade mediana no Brasil estará acima de 50 anos, significando que metade da população terá mais de 50 anos e a proporção de idosos de 60 anos e acima estará em 40%. E o país terá uma estrutura etária envelhecida. Segundo relatório das Nações Unidas (ONU), a expectativa de vida ao nascer para a população mundial atingiu 72,6 anos em 2019, um avanço de mais de oito anos desde 1990. Outras melhorias na sobrevivência são projetadas para resultar em um tempo médio de vida global de cerca de 77,1 anos em 2050. Em 2018, pela primeira vez na história, as pessoas com 65 anos ou mais, em todo o mundo, superavam as crianças com menos de cinco anos. As projeções indicam que, em 2050, haverá mais do dobro de pessoas com mais de 65 anos do que crianças com...

O que é comunicação não-violenta e como ela pode nos ajudar?

A Comunicação Não-Violenta (CNV), é baseada em habilidades de linguagem e de comunicação e “fortalece a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas”, o que bem define o contexto atual.   Para além do mundo VUCA, acrônimo para Volátil (Volatile), Incerto (Uncertain), Complexo (Complex) e Ambíguo (Ambiguous), agora as empresas e os indivíduos enfrentam a pandemia do Covid-19 e em decorrência dela, o isolamento social. As pessoas precisaram se adaptar rapidamente à diferentes situações, por exemplo, ao home office, cuja denominação mais adequada seria home + office (casa + trabalho). Nem sempre houve tempo para digerir as mudanças em curso. E elas ainda não acabaram, pois não podemos ter certeza do futuro. Será útil considerar a curva da mudança, fruto da observação da Dra. Elizabeth Kubler-Ross ao acompanhar pacientes terminais, diante daquela que é a última mudança pela qual passaremos, a inexorável, a morte. A curva da mudança, que pode também ser aplicada a um processo de luto e à situação em que estamos no isolamento social, começa com a negação, passa pela culpa, raiva , depressão, barganha, aceitação, até chegar à reconstrução (atitude de atenção e presença; aceitando que a pessoa ou a situação não faz mais parte do nosso presente). Após passar por essa“curva”, a promessa é que voltaremos a ser nós mesmos, retomaremos nosso lugar na sociedade com mais lucidez e maturidade. De acordo com as histórias de vida, crenças e modelos mentais, cada pessoa poderá passar, mais rápido ou mais lentamente, pelas diferentes fases da curva da mudança. Ao mesmo tempo, é importante ressaltar que os sentimentos são naturais, todos passamos por eles em...

Quem dirige sua vida? Revendo hábitos, crenças e costumes

Há algum tempo, lendo a introdução do livro O Futuro da Administração, me deparei com o autor, Gary Hamel, perguntando quem nós achávamos que comandava as empresas. Seria a Diretoria? O Presidente? O Conselho de administração? Não, dizia ele. As empresas estavam sendo dirigidas pelos fantasmas da administração. Quais? Os criadores da maior parte das ferramentas e técnicas de gestão, no século XIX: Frederick Taylor, Jules Fayol, Max Weber, Abraham Maslow, entre outros. Mesmo com o passar do tempo, os modelos criados continuavam habitando as mentes dos executivos e sendo colocados em prática, por exemplo, o tradicional método comando-e-controle. E os velhos pensadores se mantinham presentes. Podemos fazer uma analogia com a nossa vida. A resposta à pergunta “quem dirige sua vida hoje?” poderia ser “eu mesmo”. Da mesma forma do que acontece com as empresas, nós também recebemos um conjunto de “hábitos, normas e crenças” que formam o que podemos chamar de nosso modelo mental. O modelo mental é como uma lente a partir da qual enxergamos e vivenciamos o mundo. Segundo os conhecimentos da biografia humana e as leis biográficas, que consideram a vida dividida em setênios (períodos de 7 anos), no segundo setênio (de 7 a 14 anos) recebemos da família e da sociedade (escola) em que vivemos, os hábitos, as normas, as crenças e os costumes que começam então a moldar nosso comportamento. Se não tomamos consciência, continuamos sendo dirigidos por eles até hoje. E o que fazer a respeito? Recomendo os 4 passos descritos a seguir: reconhecer, identificar, analisar/avaliar e reforçar/mudar. O primeiro passo consiste em reconhecer a influência que sofremos ao receber hábitos,...