Coluna da Angela Vega

angela-300x200Angela Vega é engenheira química formada na UFRJ, MBA Executivo no IBMEC e com especializações na Fundação Dom Cabral, INSEAD, Adigo e Amana-Key.

Facilitadora de processos de desenvolvimento individual, organizacional e de grupos. Na carreira empresarial, coordenou e desenvolveu projetos de gestão da mudança, gestão por processos, organização, ouvidoria e educação corporativa. Caminhante e corredora de rua, com algumas meias maratonas completadas. Participa do Presencing Institute, onde são debatidos conceitos e experiências internacionais sobre a Teoria U. É coach (executiva, de vida e de carreira), membro-fundadora do Capítulo RJ, do International Coach Federation (ICF) e aconselhadora biográfica.

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Desnaturalização do Olhar

Dia Internacional da Mulher. Muitas felicitações e um longo caminho de desenvolvimento a seguir. Como mulher, como humanidade. Para todos, homens e mulheres. O tema que escolhi para celebrar o dia é a desnaturalização do olhar. O que é isso? É refletir sobre o que vivemos no dia a dia, observando os comportamentos e atitudes (nossos e dos outros), assumidos como naturais (normais). Como falamos, ouvimos, pensamos… O que é natural? O que é normal? Ficamos acostumados a uma forma de ver, ouvir e interagir com o mundo, que aprendemos na escola, na família, na sociedade. Ao usar o “o” como uma forma de incluir os vários gêneros, desperto minha atenção para o fato de que usamos o masculino quando nos referimos ao plural de um conjunto de pessoas, mesmo quando a maioria são mulheres. Como desperto essa atenção na fala? Quem determinou isso, no curso da história? Segundo relatório da ONU, que pode ser consultado no link a seguir, https://esa.un.org/unpd/wpp/Publications/Files/WPP2017_KeyFindings.pdf, somos em torno de 7,6 bilhões de habitantes, com uma distribuição praticamente igual entre homens e mulheres. Assim como a questão do plural, deixamos de observar o tratamento que recebemos das pessoas que estão ao nosso redor, sejam homens ou mulheres…. Quando vi, no aeroporto, a divulgação do aplicativo Women Interrupted, http://www.womaninterruptedapp.com/pt/, que detecta a Interrupção Masculina em conversas do dia a dia, fiz essa reflexão. Será que os homens não são interrompidos? Também! Principalmente, se pertencerem ao espectro LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros/transexuais e intersexuais)… Como vivemos em uma sociedade predominantemente patriarcal, é mais provável que os comportamentos a seguir aconteçam com mulheres:Manterrupting, Bropriating, Mansplaining, Gaslighting.Independentementese você...

Meus Pensamentos, Seus Pensamentos – Criando um ambiente propício aos pensamentos

Você já pensou em qual tipo de ambiente você cria à sua volta? Conheci esta abordagem em novembro de 2014, em um evento para conhecer os fundamentos e acabo de me certificar como Coach usando a metodologia Thinking EnvironmentTM. Podemos ouvir para iluminar o pensamento do Outro ou para responder, questionar ou perguntar. Ouvir mesmo, de verdade… Quando ouvimos com a intenção de acender (despertar) o pensamento da outra pessoa, ajudamos a outra pessoa a pensar melhor. O fenômeno dos neurônios espelho confirma o quanto interferimos nos pensamentos uns dos outros. E o que ganhamos com isso? Uma sociedade melhor. Melhores e livres pensadores tem o poder de gerar ideias para resolver as questões que surgem dia após dia. Nancy Kline, como professora e consultora, estudou o pensamento e a interação entre as pessoas e transformou seu conhecimento e sua experiência em uma metodologia chamada The Thinking EnvironmentTM. O Thinking EnvironmentTM (se traduzido, seria Ambiente de Pensamentos) está alicerçado em 10 componentes, que são os seguintes: 1. Atenção – Ouvir com respeito e sem interrupções (grifado de propósito). Você certamente já foi interrompido e ao retomar a fala, disse “Onde mesmo eu estava? O que eu estava falando?” Nancy diz que nossos pensamentos vêm em ondas e ao sermos interrompidos, perdemos a onda do pensamento. A qualidade da atenção afeta profundamente a qualidade do pensamento da outra pessoa. 2. Igualdade – Tratar-se como “parceiros de pensamento” (thinkingpeers). Oferecer atenção e oportunidades iguais (saber que você terá a sua vez, aumenta a qualidade da atenção). 3. Tranquilidade – Estar livre de pressões internas e urgências. 4. Apreciação – Oferecer reconhecimento...

Mudanças: pequenas e grandes mortes

Participei recentemente de um evento, o que não é novidade para os que me conhecem. Estou sempre em busca de novos conhecimentos ou de aprofundar os existentes. O tema foi recebido com estranheza e espanto por alguns: a morte. O título do evento em latim, Ars Moriendi, que pode ser traduzido por A Arte de Morrer, dizia respeito a um texto da Idade Média (século XIV) chamado Livro Cristão dos Mortos. Era um retiro de silêncio e meditação, conduzido por Jean-Yves Leloup. Quando falamos em morte, pensamos na derradeira, inexorável para a qual caminhamos e que será a maior mudança que acontecerá em nossas vidas. Dizia a placa na porta do cemitério do documentário com o mesmo nome: “Nós que aqui estamos por vós esperamos”. Podemos também pensar nas “mortes” diárias que vivemos. Quando nossos contextos mudam. Quando relacionamentos se rompem. Quando perdemos um ente querido. Quando deixamos a empresa após a aposentadoria. Quando somos despedidos. Quando nos desidentificamos com nossa autoimagem. Mudanças, perdas, mortes. E para cada morte dessas é importante vivenciar o luto. Fazer o trabalho do luto. Qual trabalho precisamos fazer para aceitar o inaceitável? nos perguntava Jean-Yves. Foi também comentado que, em Genebra, na Suíça, ocorre o maior número de suicídios de aposentados. Provavelmente ocasionados pelo fato de não terem vivido o luto da transição pela perda da identidade que tinham com seus locais de trabalho, com suas empresas. O trabalho do luto implica em aceitar que o passado é passado. Não quer dizer que vamos esquecer. Enquanto vivemos no passado, estamos impedidos de viver o presente. E o luto não acontece por si só....