Coluna da Angela Vega

angela-300x200Angela Vega é engenheira química formada na UFRJ, MBA Executivo no IBMEC e com especializações na Fundação Dom Cabral, INSEAD, Adigo e Amana-Key.

Facilitadora de processos de desenvolvimento individual, organizacional e de grupos. Na carreira empresarial, coordenou e desenvolveu projetos de gestão da mudança, gestão por processos, organização, ouvidoria e educação corporativa. Caminhante e corredora de rua, com algumas meias maratonas completadas. Participa do Presencing Institute, onde são debatidos conceitos e experiências internacionais sobre a Teoria U. É coach (executiva, de vida e de carreira), membro-fundadora do Capítulo RJ, do International Coach Federation (ICF) e aconselhadora biográfica.

A

Posts mais recentes


GAIA: uma possibilidade para encarar esses tempos

Estamos todos buscando nos adaptar ao novo estado de coisas: saúde física (limpeza das mãos, dos objetos etc), saúde mental (meditação, contato virtual com a família e amigos), produtividade (aprendendo a lidar com o home office). Tudo ao mesmo tempo. Haja controle de estresse para lidar com tantas mudanças. No meio disso tudo, surge o convite-chamado para a Jornada GAIA (Global Activation of Intention and Action, em português, Ativação Global de Intenção e Ação). Na mitologia grega, Gaia era a personificação da Terra, uma das divindades primordiais. Essa iniciativa surgiu no Presencing Institute, liderada por Otto Scharmer, mais conhecido pelo desenvolvimento da Teoria U em sua tese de pós-doutorado. E, as bases que levaram Otto Scharmer e seus colegas a proporem a Jornada podem ser encontradas no artigo (link a seguir), com tradução disponível em português: https://medium.com/presencing-institute-blog/eight-emerging-lessons-from-coronavirus-to-climate-action-683c39c10e8b Segundo os autores é chegada a hora de fazer uma pausa, perceber, conectar e, portanto, agir em conjunto. Podemos escolher entre 2 posicionamentos: a curva do Ausenciamento (estar ausente + preso ao passado) ou a curva do Presencing (estar presente + conectado ao que deseja emergir). Na curva do Presencing, representada pela letra U em formato aberto para cima, atuamos com 3 perspectivas: mente aberta (suspendendo o julgamento), coração aberto (renunciando ao cinismo) e vontade aberta (libertando-nos do medo). As três qualidades que nos levam nessa direção de abertura são as seguintes: curiosidade (na mente), compaixão (no coração) e a coragem (na vontade). Se estivermos no modo Ausenciamento (em inglês, Absencing), a letra U em formato invertido, atuaremos no sentido do fechamento: mente fechada (ignorância), coração fechado (ódio) e vontade fechada (medo)....

Por que usar um roteiro?

Na semana passada, tive a oportunidade de participar de um curso de Oratória, visando melhorar a qualidade das palestras que ministro. Um dos pontos enfatizados foi o uso do roteiro como orientação no processo de preparação de uma palestra. A tarefa proposta incluía apresentar uma palestra com 1 minuto de duração, quase um elevator pitch ou elevator speech (ou, em português, discurso de elevador), já que esses costumam ter em torno de 30 segundos. E o que é um “discurso de elevador”? O tempo entre uma parada e outra do elevador, em que a pessoa tem a possibilidade de se apresentar ou de apresentar uma ideia a alguém que pode ajudar a concretizá-la. O objetivo é envolver a pessoa que ouve para que seja conseguida uma segunda conversa. As startups também usam essa prática. Na minha experiência, ao preparar a palestra de 1 minuto, foi marcante a diferença entre ter e não ter o roteiro. Eu estava acostumada a fazer palestras sem necessariamente ter um roteiro. Preparava os slides e usava principalmente a inspiração e a improvisação ao apresentá-los. Observei que, na ausência do roteiro, o controle do tempo fica difícil e não necessariamente conseguimos passar toda a mensagem desejada. Quanto menor o tempo disponível, maior a necessidade do roteiro para esquematizar os assuntos e as falas. Alguém pode perguntar se não ficamos “engessados” com essa prática. Lembro da frase do poeta Renato Russo que afirma que disciplina é liberdade. Se formos disciplinados, usando o roteiro; estaremos livres para desenvolver o conteúdo e conseguir o resultado esperado. A existência de um roteiro por escrito permite que as adaptações sejam...

A importância de celebrar

Em determinadas épocas do ano ficamos imersos em um clima de festa, como no Carnaval. Tudo transpira movimento e algumas pessoas vibram e se envolvem com o clima existente. É importante fazer uma distinção entre festa e celebração. Uma festa pode acontecer sem que haja um objetivo. Pode ser que a festa seja o próprio objetivo. Para a celebração, necessariamente, existe uma razão para acontecer, marcando passagens e podendo ser encarada como um portal para a fase seguinte. Nas empresas, as celebrações também precisam ocupar um papel especial. Algumas pessoas a consideram como perda de tempo e que as realizações somente precisam ser comemoradas ao final. Entretanto, a celebração das pequenas vitórias, intermediárias, pode recarregar os empregados com energia para prosseguir o caminho na direção do objetivo maior a ser alcançado, principalmente em projetos de longo prazo. Celebrar tem sua origem no verbete do Latim CELEBRARE, que quer dizer “honrar, fazer solenidade” e do verbete CELEBER, “o que é várias vezes repetido”, logo, “famoso, digno de honras”. Faz muito tempo, li um artigo sobre a importância de solenizar nas empresas. Marcar os momentos de transição, reforçar determinados ritos. As entradas e saídas de pessoas, as conquistas realizadas, as mudanças de rumos. Quando passamos a considerar que tudo é corriqueiro, que tudo é natural, perdemos a capacidade de inovar e de nos surpreender. As celebrações destinadas ao reconhecimento de pessoas são importantes para as próprias e para as demais que são expostas a um exemplo de comportamento e atitude valorizado pela empresa. Deve-se destacar que, para cumprirem seu objetivo como solenidade, devem ser explicitadas as razões que a levaram a...