Coluna da Angela Vega

angela-300x200Angela Vega é engenheira química formada na UFRJ, MBA Executivo no IBMEC e com especializações na Fundação Dom Cabral, INSEAD, Adigo e Amana-Key.

Facilitadora de processos de desenvolvimento individual, organizacional e de grupos. Na carreira empresarial, coordenou e desenvolveu projetos de gestão da mudança, gestão por processos, organização, ouvidoria e educação corporativa. Caminhante e corredora de rua, com algumas meias maratonas completadas. Participa do Presencing Institute, onde são debatidos conceitos e experiências internacionais sobre a Teoria U. É coach (executiva, de vida e de carreira), membro-fundadora do Capítulo RJ, do International Coach Federation (ICF) e aconselhadora biográfica.

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Mudanças: pequenas e grandes mortes

Participei recentemente de um evento, o que não é novidade para os que me conhecem. Estou sempre em busca de novos conhecimentos ou de aprofundar os existentes. O tema foi recebido com estranheza e espanto por alguns: a morte. O título do evento em latim, Ars Moriendi, que pode ser traduzido por A Arte de Morrer, dizia respeito a um texto da Idade Média (século XIV) chamado Livro Cristão dos Mortos. Era um retiro de silêncio e meditação, conduzido por Jean-Yves Leloup. Quando falamos em morte, pensamos na derradeira, inexorável para a qual caminhamos e que será a maior mudança que acontecerá em nossas vidas. Dizia a placa na porta do cemitério do documentário com o mesmo nome: “Nós que aqui estamos por vós esperamos”. Podemos também pensar nas “mortes” diárias que vivemos. Quando nossos contextos mudam. Quando relacionamentos se rompem. Quando perdemos um ente querido. Quando deixamos a empresa após a aposentadoria. Quando somos despedidos. Quando nos desidentificamos com nossa autoimagem. Mudanças, perdas, mortes. E para cada morte dessas é importante vivenciar o luto. Fazer o trabalho do luto. Qual trabalho precisamos fazer para aceitar o inaceitável? nos perguntava Jean-Yves. Foi também comentado que, em Genebra, na Suíça, ocorre o maior número de suicídios de aposentados. Provavelmente ocasionados pelo fato de não terem vivido o luto da transição pela perda da identidade que tinham com seus locais de trabalho, com suas empresas. O trabalho do luto implica em aceitar que o passado é passado. Não quer dizer que vamos esquecer. Enquanto vivemos no passado, estamos impedidos de viver o presente. E o luto não acontece por si só....

Novo ano, novas experiências

Mais uma vez, um ano começa. Recebemos 365 dias fresquinhos para vivermos. O mês de janeiro de traz em si aquele momento especial em que sentimos o desejo de mudanças. E de fazer promessas… Nos sentimos impulsionados a pensar em mudanças nas várias dimensões da nossa vida (pessoal, profissional, financeira, espiritual etc.). Começar uma atividade física, melhorar a alimentação, cuidar das finanças, cuidar dos relacionamentos, estão entre elas. Encontro, pelo menos, duas possibilidades. Uma delas é deixar o tempo e a rotina levarem o desejo de mudanças embora e voltar a repetir nesse novo ano, o que já vínhamos fazendo. E, será quase certo que repetiremos os resultados que já alcançamos. E se queremos obter coisas diferentes? Mesmo sabendo que o autor da frase “Insanidade é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes” não é Einstein, esta frase nos faz colocar o pé no chão da realidade, saindo (ou caindo) do mundo dos sonhos… Uma outra possibilidade é aproveitar esse impulso e essa inquietação que janeiro nos traz. Como podemos nos conectar com nossos impulsos de mudança e identificar, escolher metas para o novo ano? Convido você a experimentar uma prática diferente para criar esta conexão: fazer o exercício do journaling. A tradução da palavra nos remete à antiga prática de escrever diários. Journaling, no sentido proposto por Otto Scharmer, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos EUA, é escrever (usando a mão mesmo, não digitando) em um caderno sobre um tema escolhido, responder determinadas perguntas ou simplesmente deixar fluir suas ideias. Neste ato, estaremos colocando em ação forças que unem o pensar, o sentir...

Longevidade – um conceito, uma realidade, muitas decisões

As estatísticas confirmam que estamos vivendo mais… Basta olhar em volta, e perceberemos que a longevidade é uma realidade. E o que faremos com ela? Podemos imaginar que a nossa vida já está encaminhada. Será? O que faremos com os anos adicionais de vida? Como nos sustentaremos? Qual o impacto para os mais jovens? Dois professores da renomada escola de negócios London Business School, Lynda Gratton e Andrew Scott, acabam de lançar o livro “The 100-Year Life – Living and Working in an Age of Longevity” (A Vida Centenária – Viver e Trabalhar na Era da Longevidade), ainda sem tradução para o português. No webinar de lançamento, os autores trouxeram algumas ideias que gostaria de compartilhar com vocês. Com a longevidade, caminhamos para o rompimento da imagem de uma vida com três estágios bem definidos: educação, trabalho e aposentadoria. Estudamos como uma preparação para o “mercado de trabalho” e trabalhamos para nos aposentar algum dia. Esse modelo está em extinção. Já se deu conta? Pois é… A educação precisa estender-se e permear toda a vida, transformando-se de educação receptiva em autoeducação, no desenvolvimento de habilidades e agregação de conhecimentos. Existem várias formas de educação possíveis (incluindo gratuitas). Considero as viagens como um meio de aprendizado e de autoconhecimento. As leituras, também. Para lidar com a “vida centenária”, os autores criaram 3 blocos de ativos intangíveis que precisamos cultivar, desde cedo, em nossa vida: Produtividade, Vitalidade e Transformação. O ativo Produtividade engloba o conhecimento (técnico e habilidades), os pares e a reputação. No ativo Vitalidade, encontram-se a saúde, o viver balanceado e os relacionamentos regenerativos (que nos energizam). Dentro do ativo...