Coluna da Betania

Betania Tanure, é doutora pela Brunel University (Inglaterra), Postgraduate Diploma in Management Consulting na Henley Management College (Inglaterra), psicóloga pela PUC Minas. Sócia Fundadora da Betania Tanure Associados. Professora da PUC Minas nos cursos de Doutorado e Mestrado que são realizados em parceria com a Fundação Dom Cabral. Professora convidada do INSEAD (França), do TRIUM (New York University, London School of Economics, HEC) e da London Business School (Inglaterra). Diretora da FDC responsável por toda a área de desenvolvimento de executivos, empresas e parcerias empresariais durante 15 anos. Membro do Conselho de Administração e do Comitê de Gestão de Pessoas de grandes grupos empresariais.

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Atenção: o que aparece na tela não é a realidade!

A colunista Betania Tanure diz que empresas e profissionais precisam avaliar e reagir ao potencial negativo da perda de interações sociais.   Nos momentos de maior incerteza sobre os rumos da pandemia, o home office foi e é uma ferramenta muito importante. Cresce, porém, a necessidade de discussão e de respostas consistentes sobre o potencial impacto negativo nas pessoas, nas empresas e no país. A tela representa uma ameaça à construção da cultura empresarial? O conhecimento tácito pode ser preservado? Como fica a produtividade? O vínculo com a empresa se altera? É preciso conhecer e reconhecer os problemas vividos “atrás das telas” e buscar a resposta a cada um eles. Outra discussão de extrema importância é o efeito do atual modelo de trabalho remoto nas emoções, que hoje estão à flor da pele. Nesse sentido, outra pergunta recorrente é: “As pessoas estão enlouquecendo?”. Somos seres relacionais! O afeto social tem lugar estabilizador em nossa saúde. Precisamos sentir o “cheiro do lugar”, capturar a alma das pessoas, e isso não se realiza por meio da tela. Impossível fugir dessa realidade. O cheiro do lugar e a alma das pessoas ficam “escondidos” atrás da tela ou são mascarados. Nas definições dos dicionários de nosso idioma, “mascarado” é “aquele que usa máscara”, ou que “cobre o rosto para caracterizar um personagem”. Na prevalência desse tipo de relações, a cultura perde lentamente sua cor e os problemas reais são ocultados. As relações virtuais permitem conhecer “a tela” de uma pessoa, e não reconhecer essa pessoa. Esse risco é enorme para profissionais das mais diversas posições, em especial do top management e dos conselhos...

Anestesia: uma opção irresponsável para Todos

A colunista Betania Tanure fala sobre a responsabilidade de não ter medo de agir na crise   A atual crise extrapola os limites da economia e da saúde, impondo mudanças no jeito de trabalhar, de consumir, de viver. Um olhar atento nos leva a reconhecer elementos e comportamentos típicos de uma crise em nível social, organizacional, individual. A atual crise é, portanto, também antropológica. Faço um recorte de uma perspectiva dessa situação: a anestesia das pessoas diante dos problemas graves, das dores, dos erros, dos riscos, que por vezes levam à morte. Independentemente de o alvo ser o CPF ou o CNPJ, ela é concretamente a morte dos sonhos. São várias as reações possíveis diante de um problema grave – seja como país, seja como organizações neste cenário em que o sucesso anterior não define a fase seguinte, seja como indivíduos diante da necessidade de se reinventar. A primeira e mais saudável reação é não negar o problema. Temos de admitir sua existência, compreender sua natureza, suas causas, seu impacto, os riscos envolvidos, buscar formas de lidar com a dor e as frustrações. E agir para extirpar o problema ou, no mínimo, administrá-lo. A necessidade de mudança exige força, esforço, decisão e o desejo de construir um novo caminho. Para isso é preciso que as pessoas adquiram novas competências. “No free lunch”: força e esforço, conhecimento do problema, foco na solução. Saia do espaço problema e vá para o espaço solução. Evite que seus problemas se tornem areia movediça, que o imobilizem. Não perca tempo, não perca o foco, não perca o jogo. No último feriado, vimos que boa parte...

Ter competência política não é fazer politicagem

  A colunista Betania Tanure diz que astúcia social, influência interpessoal, habilidade de network e intencionalidade positiva são atributos necessários a todos os executivos   A competência política é, em síntese, a capacidade de influenciar os diversos públicos. Por razões didáticas, separo em três grupos: os liderados, ou que têm menos poder do que você; os pares, com poder razoavelmente igualitário; e os que têm mais poder do que você, dentro ou fora da empresa. O foco aqui é o exercício da competência política especialmente no terceiro grupo, dos que têm mais poder que você. Por exemplo na relação do gerente com o diretor, do diretor com o CEO, do CEO com o conselho de administração, deste com o Governo, nas suas diversas instâncias, bem como nas relações entre empresas, no seu ecossistema. Essa é uma qualidade ainda rara entre os executivos de bem. Por que? Eu poderia citar diversas razões, mas vou me ater a uma: eles convivem em diversos ambientes, com pessoas que, visando obter benefícios fundamentalmente individuais, praticam a politicagem “embalada” de competência política e o fazem com ética questionável ou mesmo à margem da lei. Diante disso, muitos executivos de bem preferem tolher-se a passar a ideia de que visam a autopromoção, de que estariam cruzando a linha, afastando a lógica meritocrática. Receios semelhantes, ainda maiores, ocorrem nas relações entre empresas privadas e o poder público. A situação se complica quando essas pessoas que atuam à margem passam a abusar de sua falsa competência política. São ousadas, afinal, o mal é mais ousado do que o bem. Atropelam o que e quem estiver na frente...