Coluna da Betania

Betania Tanure, é doutora pela Brunel University (Inglaterra), Postgraduate Diploma in Management Consulting na Henley Management College (Inglaterra), psicóloga pela PUC Minas. Sócia Fundadora da Betania Tanure Associados. Professora da PUC Minas nos cursos de Doutorado e Mestrado que são realizados em parceria com a Fundação Dom Cabral. Professora convidada do INSEAD (França), do TRIUM (New York University, London School of Economics, HEC) e da London Business School (Inglaterra). Diretora da FDC responsável por toda a área de desenvolvimento de executivos, empresas e parcerias empresariais durante 15 anos. Membro do Conselho de Administração e do Comitê de Gestão de Pessoas de grandes grupos empresariais.

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Limão ou limonada? Raiva ou agradecimento?

A colunista Betania Tanure fala sobre a oportunidade de se fazer escolhas e usar os aprendizados da crise para tomar novos rumos na vida pessoal e profissional   Exaustão, irritação, raiva, pressa. O isolamento social tem gerado nas pessoas uma vontade louca de mudar de ano, como se na virada, magicamente, a pandemia acabasse. Para alguns ela já acabou, errada e irresponsavelmente eu diria. Este poderá ser lembrado como um ano terrível, que fez aflorar o medo, a dor da perda de milhares de vidas. Um ano de viagens canceladas, aniversários não comemorados, casamentos adiados ou desfeitos, contratos rompidos, empresas fechadas, empregos perdidos. Ano em que a “cola” que une as pessoas às suas empresas se desgastou, pois, acredite, virtual não é real. Mas como tudo, 2020 não é apenas sombra, tem seu lado sol. Nos períodos de estabilidade o sol e as sombras são mais suaves, enquanto na crise o sol queima e as sombras vedam nossa visão a ponto de parecerem eternas. Não são. O medo de perder quem amamos nos fizeram olhar os mais velhos com maior cuidado e afeto. Forçadamente nos empurraram para perto da família, para “saborear” as nossas casas, ainda que para alguns a convivência tenha ficado insuportável. Mas é preciso viver esse medo para saber cuidar e compartilhar? Espero que você tenha feito dessa experiência a sua chance de mudar. Temos de olhar e decidir o melhor rumo a tomar. Nas empresas, é preciso compreender que não há mais espaço para a forma estabelecida de liderar. As competências que fizeram seu sucesso perderam valor. É preciso mudar e estar firme nos valores...

Qual é a vacina que vai mesmo nos “salvar”?

A colunista Betania Tanure diz que, mais do que adivinhar quando o ‘novo normal’ chegará, profissionais precisam cultivar o autoconhecimento e avaliar as atitudes frente ao outro.   Dúvida zero de que a primeira resposta intuitiva à pergunta-título é “a CoronaVac”, de origem chinesa, ou “a de Oxford”, Reino Unido, ambas em fase avançada. Mas não é delas que vamos tratar. Nosso tema é outro tipo de “vacina”. Inicio com um alerta sobre uma expressão muito usada e que me inquieta: “novo normal”. O termo revela a necessidade, muitas vezes inconsciente, de estabilidade, de algo que expulse as incertezas de nossas vidas. Receio ter de enfatizar que esse “novo normal” como símbolo de uma fantasiosa estabilidade não virá. Essa “vacina” não foi, nem será, produzida. Ao mesmo tempo, o fato de viver na incerteza absoluta e sob restrição de afeto social está enlouquecendo as pessoas. Muitas estão mais deprimidas, agressivas, irritadiças, exaustas e mais dependentes de bebidas alcoólicas e medicamentos. É o que nossas pesquisas revelam. Acostumar-se a viver só não se traduz em aprender com a solidão – e pode contribuir para o aumento do grau de egoísmo entre as pessoas. Mas, afinal, como nos imunizar contra esses males? Com a “vacina do autoconhecimento”. Não há modo mais efetivo de aprendermos a vencer o alto nível de exaustão e a irritabilidade que vivemos hoje. O problema é sempre o outro. O chefe, o colega, o parceiro afetivo… O autoconhecimento permite a cada um de nós fazer as escolhas corretas na vida, nos mais vários âmbitos. Temos de arregaçar as mangas e reaprender a liderar a nós mesmos, para...

Atenção: o que aparece na tela não é a realidade!

A colunista Betania Tanure diz que empresas e profissionais precisam avaliar e reagir ao potencial negativo da perda de interações sociais.   Nos momentos de maior incerteza sobre os rumos da pandemia, o home office foi e é uma ferramenta muito importante. Cresce, porém, a necessidade de discussão e de respostas consistentes sobre o potencial impacto negativo nas pessoas, nas empresas e no país. A tela representa uma ameaça à construção da cultura empresarial? O conhecimento tácito pode ser preservado? Como fica a produtividade? O vínculo com a empresa se altera? É preciso conhecer e reconhecer os problemas vividos “atrás das telas” e buscar a resposta a cada um eles. Outra discussão de extrema importância é o efeito do atual modelo de trabalho remoto nas emoções, que hoje estão à flor da pele. Nesse sentido, outra pergunta recorrente é: “As pessoas estão enlouquecendo?”. Somos seres relacionais! O afeto social tem lugar estabilizador em nossa saúde. Precisamos sentir o “cheiro do lugar”, capturar a alma das pessoas, e isso não se realiza por meio da tela. Impossível fugir dessa realidade. O cheiro do lugar e a alma das pessoas ficam “escondidos” atrás da tela ou são mascarados. Nas definições dos dicionários de nosso idioma, “mascarado” é “aquele que usa máscara”, ou que “cobre o rosto para caracterizar um personagem”. Na prevalência desse tipo de relações, a cultura perde lentamente sua cor e os problemas reais são ocultados. As relações virtuais permitem conhecer “a tela” de uma pessoa, e não reconhecer essa pessoa. Esse risco é enorme para profissionais das mais diversas posições, em especial do top management e dos conselhos...