Coluna da Dora Gurfinkel Haratz

 

Dora_Gurfinkel_Haratz_perfilDora Gurfinkel Haratz é psicóloga clínica. Atende famílias, empresas, casais e adultos.
Formou-se na PUC/RJ , Membro Fundador da Escola Brasileira de Psicanálise Movimento Freudiano e Palestrante.

 

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A novidade do momento: com … viver!

Hoje, passados mais de 4 meses de “confinamento social possível” são claros os sinais de sofrimento psíquico. Distância dos que amamos, medo, ansiedade, excesso de tarefas domésticas, home-office sem um certo respeito pelos horários e a novidade da hora: o tal do FOGO (Fear Of Going Out/ medo de sair) tem sido fatores estressores que nos prejudicam, tanto física como mentalmente. Diante disso a questão é: devemos ou não nos manter afastados e seguir em confinamento? Depende. Depende da idade e da fragilidade física de cada um; do entendimento individual de que, com as devidas medidas de distanciamento social, é possível ser feliz também, caso a pessoa queira encontrar gente de que gosta e saiba que ambos estejam mantendo (quase) os mesmos cuidados em relação à Covid-19. Pois bem, de posse de suas armas (álcool gel, água e sabão, máscara) e até de um face shield (mascaras de acetato) seria interessante marcar um encontro com os mais queridos, sem beijo, sem abraço … sem toque. Mas olho no olho, presença real, mesmo que a 1,5M a 2M de distância. E quer saber? Já está muito bom para o momento. Conversar com o médico e com os amigos também pode ajudar a decidir quando e como dar um “up grade” na sua bolha atual. Vai durar para sempre? Não. Claro que não! Nem a janela que agora se abre, nem a doença propriamente dita. Então a dica é: aproveite! Uma coisa é certa, a falta da presença física tem nos causados muitos danos, entre eles aumento de ansiedade, medo de sair, depressão, crises de tristeza, excesso de preocupação enfim, estresse....

Dia Internacional da Mulher: uma Reflexão!

Dia 8 de março. O que nós mulheres temos a lembrar, a celebrar? Certamente muito. Avanços contínuos e incessantes em termos de inclusão, em todas as áreas das atividades humanas, sempre em movimento… (alguns dizem que desde a Revolução Francesa/Iluminismo.) Mudamos e somos mudados cotidianamente quando na relação com nossos pares e com o ambiente que nos cerca. Não estagnarmos é de fato uma meta. Isto vale para todos. Pessoalmente não sou afeita às comemorações deste dia. É que me dá uma sensação de “coisificação” … penso: tanto foi feito para não mais ocuparmos esse lugar, não é?  Mas se é para celebrarmos a vida e suas mudanças, contem comigo. Sempre. E aqui estamos: mulheres, parceiras, empresárias, mães, presidentes, amigas, funcionárias, avós, sonhadoras, donas de casa… enfim: donas de nossos narizes, na medida do possível, naturalmente. Adoramos estar com outros, de  acrescentarmos valor por onde passamos.  Mas isto não nos define. LIBERDADE, esta me parece ser a palavra com a qual mais nos identificamos hoje. Psicanalista que sou, convido meus mestres… Freud já no final de sua vida teria confidenciado à sua amiga e discípula Marie Bonaparte: “A questão que nunca foi respondida e que eu ainda não tenho sido capaz de responder, apesar de meus trinta anos de pesquisa sobre a alma feminina é: o que quer uma mulher?” À esta reflexão, Lacan acrescenta  sua polêmica e deliciosa  afirmação/ provocação: “A mulher não existe”… Isto tudo para nos dizer  o que, me parece, Freud já teria indicado de certa forma: O conceito de “A” mulher de fato não existe, porque nós mulheres  temos a capacidade de sermos uma a...

Quando mudar é uma ótima opção

Mudar é o tema do momento. Vida dinâmica, pessoas dinâmicas, capacidade de adaptação e flexibilidade. Fácil, não? NÃO! Nada fácil! Há momentos em que só o que pensamos é em rupturas, desesperança e becos sem saída. Uma chatice esta ditadura da felicidade! O que fazer? Termos esperança! Como psicóloga clínica pode parecer que estou “pescando em um aquário”, mas não é disso que se trata. Ou melhor, é também! (risos) Acredito no trabalho da psicoterapia como uma possibilidade de mudança a partir do rico diálogo terapêutico. Penso que mudar depende da motivação. Mas não de uma motivação qualquer. Já perceberam que conseguimos mudar e mantermos esta mudança ao logo do tempo (sendo isto sim o que podemos chamar de mudança), quando somos nós mesmos a fonte desta motivação? Acontece é que, na maioria das vezes, sequer conseguimos nos distinguir no meio de tantas demandas. Verdade? Quando foi que nos perdemos de nós mesmos? O que de fato queremos? Se temos que mudar, qual seria nossa direção? Penso que a Psicoterapia é o lugar privilegiado para levarmos estas questões na busca do mais íntimo em nós. Recontando nossas histórias, nos apaziguando com elas… reatualizando-as. Nestes momentos de crise precisamos que toda nossa criatividade esteja disponível. Crise é motivo de mudança e não de paralisação. Acompanhados por uma escuta atenta e dialógica, podemos nos lançar à procura de nossos tesouros internos. E sim. Todos nós os temos. Questão de mergulhar em nosso próprio mar em boa companhia. Que o discurso dialógico nos leve à terra firme e, ao mesmo tempo, à realização de nossos sonhos. É um convite à reflexão, ao...