Coluna da Dora Gurfinkel Haratz

 

Dora_Gurfinkel_Haratz_perfilDora Gurfinkel Haratz é psicóloga clínica. Atende famílias, empresas, casais e adultos.
Formou-se na PUC/RJ , Membro Fundador da Escola Brasileira de Psicanálise Movimento Freudiano e Palestrante.

 

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Dia Internacional da Mulher: uma Reflexão!

Dia 8 de março. O que nós mulheres temos a lembrar, a celebrar? Certamente muito. Avanços contínuos e incessantes em termos de inclusão, em todas as áreas das atividades humanas, sempre em movimento… (alguns dizem que desde a Revolução Francesa/Iluminismo.) Mudamos e somos mudados cotidianamente quando na relação com nossos pares e com o ambiente que nos cerca. Não estagnarmos é de fato uma meta. Isto vale para todos. Pessoalmente não sou afeita às comemorações deste dia. É que me dá uma sensação de “coisificação” … penso: tanto foi feito para não mais ocuparmos esse lugar, não é?  Mas se é para celebrarmos a vida e suas mudanças, contem comigo. Sempre. E aqui estamos: mulheres, parceiras, empresárias, mães, presidentes, amigas, funcionárias, avós, sonhadoras, donas de casa… enfim: donas de nossos narizes, na medida do possível, naturalmente. Adoramos estar com outros, de  acrescentarmos valor por onde passamos.  Mas isto não nos define. LIBERDADE, esta me parece ser a palavra com a qual mais nos identificamos hoje. Psicanalista que sou, convido meus mestres… Freud já no final de sua vida teria confidenciado à sua amiga e discípula Marie Bonaparte: “A questão que nunca foi respondida e que eu ainda não tenho sido capaz de responder, apesar de meus trinta anos de pesquisa sobre a alma feminina é: o que quer uma mulher?” À esta reflexão, Lacan acrescenta  sua polêmica e deliciosa  afirmação/ provocação: “A mulher não existe”… Isto tudo para nos dizer  o que, me parece, Freud já teria indicado de certa forma: O conceito de “A” mulher de fato não existe, porque nós mulheres  temos a capacidade de sermos uma a...

Quando mudar é uma ótima opção

Mudar é o tema do momento. Vida dinâmica, pessoas dinâmicas, capacidade de adaptação e flexibilidade. Fácil, não? NÃO! Nada fácil! Há momentos em que só o que pensamos é em rupturas, desesperança e becos sem saída. Uma chatice esta ditadura da felicidade! O que fazer? Termos esperança! Como psicóloga clínica pode parecer que estou “pescando em um aquário”, mas não é disso que se trata. Ou melhor, é também! (risos) Acredito no trabalho da psicoterapia como uma possibilidade de mudança a partir do rico diálogo terapêutico. Penso que mudar depende da motivação. Mas não de uma motivação qualquer. Já perceberam que conseguimos mudar e mantermos esta mudança ao logo do tempo (sendo isto sim o que podemos chamar de mudança), quando somos nós mesmos a fonte desta motivação? Acontece é que, na maioria das vezes, sequer conseguimos nos distinguir no meio de tantas demandas. Verdade? Quando foi que nos perdemos de nós mesmos? O que de fato queremos? Se temos que mudar, qual seria nossa direção? Penso que a Psicoterapia é o lugar privilegiado para levarmos estas questões na busca do mais íntimo em nós. Recontando nossas histórias, nos apaziguando com elas… reatualizando-as. Nestes momentos de crise precisamos que toda nossa criatividade esteja disponível. Crise é motivo de mudança e não de paralisação. Acompanhados por uma escuta atenta e dialógica, podemos nos lançar à procura de nossos tesouros internos. E sim. Todos nós os temos. Questão de mergulhar em nosso próprio mar em boa companhia. Que o discurso dialógico nos leve à terra firme e, ao mesmo tempo, à realização de nossos sonhos. É um convite à reflexão, ao...

Você gosta de jogar tênis ou frescobol com seus amigos e parceiros?

Simplificando (muito!): no tênis o objetivo é vencer (bola no chão) o parceiro… no frescobol o objetivo é continuar jogando (bola no alto) para continuar brincando com ele… Pare e reflita por alguns segundos. Você quer passar sua vida inteira em estado de alerta? Ah, não creio! Conheci muita gente competente, boa, em seu ofício, inteligente (para algumas coisas), mas com enorme incapacidade de se colocar no lugar do outro. Quando muito competitivas então… são um desastre! Para si e para quem as cerca. Acabam falando sozinhas, em um verdadeiro solilóquio. Queimam suas pontes, fechando assim todos os canais para possíveis entendimentos e contatos. Transformam-se em ilhas. “Narciso acha feio tudo o que não é espelho”, já cantava Caetano. Quem se interessa por conversar, ou mesmo colaborar, com um/a “tudólogo/a”? Em qualquer tipo de parceria é melhor jogar pelo prazer da brincadeira. Pelo humor que nos mantém cada vez mais próximos dos nossos e também de nossos objetivos comuns (e, quem sabe, até dos incomuns…). No jogo da vida perde muito aquele que joga para vencer o… o… o… “adversário”(??????)!!!! É preciso nos darmos conta de que vivemos na era da necessidade de interlocução. Era da rede. A “Terra do quem manda aqui sou eu” tornou-se a “Terra do Nunca”. Novos rumos partem da constatação de que a palavra de ordem hoje é COLABORAÇÃO. Precisamos uns dos outros para alcançarmos nossas metas. Isso parece ser mais viável no acolhimento das diversidades e das diferenças, da inclusão de outros interlocutores. Seja popular por sua escuta atenta, por seu interesse em ouvir outras e variadas versões de realidades, por sua capacidade...