Coluna da Dora Gurfinkel Haratz

 

Dora_Gurfinkel_Haratz_perfilDora Gurfinkel Haratz é psicóloga clínica. Atende famílias, empresas, casais e adultos.
Formou-se na PUC/RJ , Membro Fundador da Escola Brasileira de Psicanálise Movimento Freudiano e Palestrante.

 

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Viva!

A velhice é um estágio do ser que nos cabe a todos, se tivermos sorte. Podemos ser diferentes quanto à raça, cor, crença, escolhas sexuais, mas todos nós somos ou seremos velhos… um dia. A cada dia que passa a questão do “envelhecer” mais nos angustia e pior, vem se antecipando. Quanto preconceito e falta de lucidez existe nessa “classificação”. Parece que fomos ficando ultrapassados como coisas. Assim como… celulares. Há sempre uma versão mais nova e vamos nos sentindo “caducos”, embora ainda funcionemos muito bem. É isso, o tempo passando, a cada dia mais rápido, nos deixando uma sensação de impotência, como areia que escorre entre os dedos. A ampulheta nos apontando para sua metáfora. Ele, o tempo, começa a nos faltar e, paradoxalmente, nos sobra. E suas evidências já se fazem sentir em nós desde cedo. Se for uma crise, nos deixará mudados. Se para pior ou para melhor, só nós podemos decidir… Exigências se modificam. Passamos a privilegiar mentes brilhantes a peles brilhantes. Valores vão sendo questionados e modificados. Inúmeros fatores estão aqui envolvidos e eles são tantos! Biológicos, cronológicos, psicológicos, sociais… além dos pessoais. Uma verdadeira Babel em nós. De repente nos vemos transformados na resultante de uma grande mistura de identificações, após algumas décadas de vida. Somos aquele que fomos, aquele que gostaríamos de ser e, também, aquele que realmente somos neste exato momento. É preciso ter cuidado conosco, diante da impossibilidade de nos vermos como somos, dada nossa natureza que é a humana. Freud nos lembra de que na mais primitiva história do sujeito, ele precisa de um outro que o reconheça, o...

Ser mãe é diferente de ter filhos

Dia das mães chegando e vamos nos reaproximando do deslumbramento que o tema nos causa, estando nós na condição de filhos ou/e de mães. Verdade! Todos os dias são das mães. Agora, que é bem legal podermos curtir esse dia aproveitando a condição especial que é “a relação com”… ah isso é sim! Um brinde à pura qualidade de sentimentos e sensações. Encantada recebo “de presente” meu passado. Um de meus filhos me envia, pela internet (tempos deliciosamente modernos…) um vídeo que simula uma entrevista de emprego para O trabalho, assim o qualifica o “entrevistador’”. Cargo: Diretor de Operações Dinheiro: Nenhum Atributos: Todos, desde mobilidade total até alto nível de qualificação, passando por habilidades tanto para negociações como as inter relacionais. Pagamento: “as conexões significativas que você fará e a sensação que te dá ao poder ajudar “seus empregadores” são incomensuráveis”, diz o responsável pelo RH. Horário: 24 hs por dia, durante 365 dias por ano sem férias… E por aí vai. As reações dos “entrevistados” são as mais divertidas possíveis. Vão do horror até a mais pura incredulidade. Como alguém ousaria oferecer um “trabalho” assim? Ultrajante! Até que o “entrevistador” alerta para o fato de que inúmeras pessoas estão, neste exato momento, ocupando este cargo, para espanto geral. “Diretora de Operações também conhecidas como Mães”. Sorrisos, lágrimas, gratidão misturam-se ao reconhecimento. Lindo! (vídeo original: Cardstore.com #worldstoughestjob) Pensando na alegria imensa de poder ser filha, mãe e avó, sou levada à reflexão de que: Ter filhos não é o mesmo que ser mãe. Ser mãe é um exercício maravilhoso de… perda! É estarmos preparados para outro tipo de ganho: o...

Laços

Laços… Compromisso e Comprometimentos, têm sido temas bastante discutidos, ultimamente. Tenho visto o quanto a palavra “compromisso” tem gerado profundo mal estar em algumas pessoas. Um termo tão pleno de significantes significados, tão humano, tornou-se, de repente, quase maldito! Melhor dizê-lo bem… É impossível tentar realizar o mito de ser sozinho. Pura fantasia! Fato irrefutável: somos humanos, portanto, seres de “com/vivências”… De que será que temos medo? Pois é por medo, suponho que evitamos nos comprometer. Medo de não sermos correspondidos, talvez. Mas como sermos correspondidos se julgamos nada ter a oferecer ou quando pensamos não ser o Outro merecedor do que temos a ofertar? Neste momento paro e penso: Ninguém é suficientemente pobre que não tenha nada a oferecer, nem desmesuradamente rico que nada tenha a receber. Parece que nossa “palavra de honra” está com seus dias contados, desmerecida, esvaziada, até mesmo ridicularizada. Um horror! É preciso consideramos também, a “Reciprocidade”. Sem este compromisso do Outro para conosco, seríamos lançados ao desamparo absoluto. Coisa terrível, esta sim, o desamparo. Aquele que desde cedo lutamos para evitar. Por sobrevivência mesmo. Pensemos agora no “Comprometimento”… No mundo corporativo, por exemplo, temos uma série de compromissos, uma série de tarefas, por assim dizer. Já o comprometimento é a relação que estabelecemos com estes compromissos. Uma vez envolvidos e motivados, compromissos fazem parte desta rica aliança de pertencimento. Eis que nos encontramos naturalmente comprometidos com causas, pessoas, objetivos e sonhos. Humanos… Funciona assim com nossos afetos também. Somos os mesmos, onde quer que estejamos… A partir deste ponto, basta que nos mantenhamos fiéis a nós mesmos, simplesmente. Um novo ponto de vista,...