Coluna da Dora Gurfinkel Haratz

 

Dora_Gurfinkel_Haratz_perfilDora Gurfinkel Haratz é psicóloga clínica. Atende famílias, empresas, casais e adultos.
Formou-se na PUC/RJ , Membro Fundador da Escola Brasileira de Psicanálise Movimento Freudiano e Palestrante.

 

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Você gosta de jogar tênis ou frescobol com seus amigos e parceiros?

Simplificando (muito!): no tênis o objetivo é vencer (bola no chão) o parceiro… no frescobol o objetivo é continuar jogando (bola no alto) para continuar brincando com ele… Pare e reflita por alguns segundos. Você quer passar sua vida inteira em estado de alerta? Ah, não creio! Conheci muita gente competente, boa, em seu ofício, inteligente (para algumas coisas), mas com enorme incapacidade de se colocar no lugar do outro. Quando muito competitivas então… são um desastre! Para si e para quem as cerca. Acabam falando sozinhas, em um verdadeiro solilóquio. Queimam suas pontes, fechando assim todos os canais para possíveis entendimentos e contatos. Transformam-se em ilhas. “Narciso acha feio tudo o que não é espelho”, já cantava Caetano. Quem se interessa por conversar, ou mesmo colaborar, com um/a “tudólogo/a”? Em qualquer tipo de parceria é melhor jogar pelo prazer da brincadeira. Pelo humor que nos mantém cada vez mais próximos dos nossos e também de nossos objetivos comuns (e, quem sabe, até dos incomuns…). No jogo da vida perde muito aquele que joga para vencer o… o… o… “adversário”(??????)!!!! É preciso nos darmos conta de que vivemos na era da necessidade de interlocução. Era da rede. A “Terra do quem manda aqui sou eu” tornou-se a “Terra do Nunca”. Novos rumos partem da constatação de que a palavra de ordem hoje é COLABORAÇÃO. Precisamos uns dos outros para alcançarmos nossas metas. Isso parece ser mais viável no acolhimento das diversidades e das diferenças, da inclusão de outros interlocutores. Seja popular por sua escuta atenta, por seu interesse em ouvir outras e variadas versões de realidades, por sua capacidade...

Viva!

A velhice é um estágio do ser que nos cabe a todos, se tivermos sorte. Podemos ser diferentes quanto à raça, cor, crença, escolhas sexuais, mas todos nós somos ou seremos velhos… um dia. A cada dia que passa a questão do “envelhecer” mais nos angustia e pior, vem se antecipando. Quanto preconceito e falta de lucidez existe nessa “classificação”. Parece que fomos ficando ultrapassados como coisas. Assim como… celulares. Há sempre uma versão mais nova e vamos nos sentindo “caducos”, embora ainda funcionemos muito bem. É isso, o tempo passando, a cada dia mais rápido, nos deixando uma sensação de impotência, como areia que escorre entre os dedos. A ampulheta nos apontando para sua metáfora. Ele, o tempo, começa a nos faltar e, paradoxalmente, nos sobra. E suas evidências já se fazem sentir em nós desde cedo. Se for uma crise, nos deixará mudados. Se para pior ou para melhor, só nós podemos decidir… Exigências se modificam. Passamos a privilegiar mentes brilhantes a peles brilhantes. Valores vão sendo questionados e modificados. Inúmeros fatores estão aqui envolvidos e eles são tantos! Biológicos, cronológicos, psicológicos, sociais… além dos pessoais. Uma verdadeira Babel em nós. De repente nos vemos transformados na resultante de uma grande mistura de identificações, após algumas décadas de vida. Somos aquele que fomos, aquele que gostaríamos de ser e, também, aquele que realmente somos neste exato momento. É preciso ter cuidado conosco, diante da impossibilidade de nos vermos como somos, dada nossa natureza que é a humana. Freud nos lembra de que na mais primitiva história do sujeito, ele precisa de um outro que o reconheça, o...

Ser mãe é diferente de ter filhos

Dia das mães chegando e vamos nos reaproximando do deslumbramento que o tema nos causa, estando nós na condição de filhos ou/e de mães. Verdade! Todos os dias são das mães. Agora, que é bem legal podermos curtir esse dia aproveitando a condição especial que é “a relação com”… ah isso é sim! Um brinde à pura qualidade de sentimentos e sensações. Encantada recebo “de presente” meu passado. Um de meus filhos me envia, pela internet (tempos deliciosamente modernos…) um vídeo que simula uma entrevista de emprego para O trabalho, assim o qualifica o “entrevistador’”. Cargo: Diretor de Operações Dinheiro: Nenhum Atributos: Todos, desde mobilidade total até alto nível de qualificação, passando por habilidades tanto para negociações como as inter relacionais. Pagamento: “as conexões significativas que você fará e a sensação que te dá ao poder ajudar “seus empregadores” são incomensuráveis”, diz o responsável pelo RH. Horário: 24 hs por dia, durante 365 dias por ano sem férias… E por aí vai. As reações dos “entrevistados” são as mais divertidas possíveis. Vão do horror até a mais pura incredulidade. Como alguém ousaria oferecer um “trabalho” assim? Ultrajante! Até que o “entrevistador” alerta para o fato de que inúmeras pessoas estão, neste exato momento, ocupando este cargo, para espanto geral. “Diretora de Operações também conhecidas como Mães”. Sorrisos, lágrimas, gratidão misturam-se ao reconhecimento. Lindo! (vídeo original: Cardstore.com #worldstoughestjob) Pensando na alegria imensa de poder ser filha, mãe e avó, sou levada à reflexão de que: Ter filhos não é o mesmo que ser mãe. Ser mãe é um exercício maravilhoso de… perda! É estarmos preparados para outro tipo de ganho: o...