Coluna da Martha Corrêa

Martha_CorreaMartha Corrêa é economista, pós-graduada em Finanças, com longa experiência profissional em Planejamento Financeiro e Orçamento em empresas de grande e médio portes. Ministra palestras sobre Educação Financeira Pessoal, dando também consultorias sobre o tema.
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Design thinking school: criatividade ao alcance de todos!

Em Setembro de 2014 tive a oportunidade de visitar algumas empresas no Vale do Silício como a Google e a Apple, o que já teria sido por si só uma experiência inesquecível e riquíssima: ver de perto suas visões de futuro, dinamismo, os estímulos à criatividade de todo o corpo funcional e a forte valorização do capital humano “abre a cabeça” e nos faz acreditar que o impossível não existe! Mas uma outra visita nesta região merece também destaque especial: a da DSchool, ou Design Thinking School, na Universidade de Stanford. Idealizada pelos irmãos Tom e David Kelley a partir das constatações de que a realidade é multidisciplinar e de que a complexidade dos desafios da atualidade requer soluções mais criativas e humanas, a metodologia da Escola de Design Thinking busca soluções inovadoras para os desafios apresentados, centradas nos usuários finais e suportadas pelo tripé “desejável (pelas pessoas)-factível (tecnicamente)-viável (em termos de negócio)”. Dentre as crenças que norteiam a Escola e a metodologia de trabalho que propõem, valem ressaltar: • Todos somos criativos: a criatividade é como um músculo, que é fortalecido pelo esforço, prática e encorajamento; • Todo processo inovador deve ser centrado no ser humano e desenhado para “pessoas reais”. A interação com os usuários finais é fundamental para o desenvolvimento de soluções. A genuína empatia com eles faz da observação uma profunda fonte de inspiração; • Todo “ponto de frustração” deve ser olhado como uma oportunidade de inovação e melhorias; • Pessoas ditas “criativas” são aquelas que fazem mais experimentos, que “dão mais chutes a gol”. Para se ter uma boa ideia, deve-se começar listando muitas...

Sobre sonhos, riscos e empreendedorismo

Certa vez, ouvi uma definição interessante sobre o pensamento empreendedor: ao invés de partirem de uma dada receita culinária e irem em busca dos ingredientes adequados para fazê-la, os empreendedores são aqueles que verificam os ingredientes que lhes estão disponíveis e criam sua receita a partir deles. “Os empreendedores criam o futuro” resumem artigos sobre o tema! Mas como exatamente acontece isso? Há os casos em que tudo ocorre de forma natural, quase por acaso, com pequenos trabalhos e atividades informais sendo “tocados adiante” até o dia que se avolumam e viram negócios de verdade. Há os casos de hobbies, que vêm sendo cultivados vida afora até virarem “coisa séria”. E há também os casos em que o sonho de ser dona de um negócio próprio leva a pessoa a procurar alternativas, seja através da experiência adquirida em sua carreira profissional pregressa, de temas de seu interesse ou de franquias que soem atraentes. Independente da história, a transformação de um trabalho em uma empresa requer novas habilidades do dono, o qual será desafiado dia a dia a ampliar sua visão e capacitação para além da operação conhecida. Se, até então, o domínio do conhecimento operacional da atividade fim de seu negócio parecia ser suficiente para seu sucesso, a prática agora mostra que esse empreendedor precisará aprofundar, pelo menos, seus conhecimentos Comerciais, de Gestão de Pessoas e de Finanças. No caso específico de Finanças, é verdade que há hoje em dia uma série de aplicativos disponíveis que facilitam a vida dos novatos empreendedores enquanto seus negócios ainda não alcançaram uma escala que justifique – ou possibilite – a contratação de...

Inflação, juros, investimento e … as nossas vidas

“Senhores Passageiros, por favor, apertem os cintos de segurança, pois estamos atravessando uma área de turbulências”. …e aí bate aquele friozinho na barriga, sem que tenhamos muito mais a fazer além de atender a solicitação recebida. A leitura de jornais atualmente nos causa um friozinho semelhante. Notícias sobre o aumento da inflação, dos juros, sobre a redução dos níveis de investimento no país nos causam desconforto, apreensão e aquelas dúvidas: – “como exatamente tudo isso afeta a minha empresa e a vida dos meus funcionários?”, -“como se proteger dos impactos destes fatos?” Lição aprendida desde sempre, devemos cuidar para que nossos gastos não superem as nossas receitas. Se não for assim, nos endividamos e este endividamento gera um novo custo para nós, o de pagamento de juros (o “custo do dinheiro”), originando, muitas vezes, a bola de neve do descontrole financeiro. Para “quebrar” este ciclo, sacrifícios são necessários sob a forma de redução de gastos, o popular “aperto dos cintos”. Esse cenário simplificado se aplica ao orçamento da sua empresa, de seus funcionários, das famílias destes e também ao do nosso país. No caso desse último, alguns pontos importantes merecem destaque para compreendermos as turbulências atuais: No ano passado, a meta de Superávit Primário – definido como aquilo que o governo deve economizar para pagar os juros de sua dívida – não foi alcançada. Além disso, reajustes de tarifas chave da economia estavam represados – como a de energia elétrica e o preço do combustível – gerando desequilíbrios para as empresas fornecedoras e forte impacto nas contas de todos, quando ocorreram. Além disso, repasses em cascata destes aumentos aos...