Coluna da Zilda Knoploch

foto_zildaZilda Knoploch, mestre em antropologia pelo Museu Nacional – UFRJ, pós-graduada em Marketing pela ESPM, especializada em temas latino-americanos – Harvard Summer School – USA. Autora do livro “A Ideologia do Publicitário”, sócia e presidente da Enfoque Pesquisa de Marketing, palestrante da Casa do Saber. Foi docente de Pesquisa de Mercado no mestrado e no MBA de Marketing do COPPEAD-UFRJ, nos MBAs do IBMEC-RJ, IAG-PUC e da FGV- RJ. Foi executiva de RH na Mesbla e no Grupo Tristão de Café, e de Marketing na Têxtil Avanti e na Gillette do Brasil. Ex-diretora da ESPM-RJ.

 

Curso Classes Emergentes

A nova classe C está fazendo o mercado se reinventar. Conheça seus hábitos de consumo e entenda como eles afetam o seu negócio com o novo curso online da Eduvir, indicado para todos os públicos:

Classes Emergentes
Este curso fornece um panorama sobre a história das classes A, B e C no Brasil, fala sobre as classificações econômicas e suas aplicações, explora o conceito da mobilidade social e formice dados sobre a nova classe média brasileira, incluindo comportamento, atitudes, hábitos e valores.
Veja o vídeo ao lado e conheça um pouco mais sobre o curso!

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Vida 3.0: como continuar humano na era da inteligência artificial?

  Esta pergunta é cada vez mais relevante, mas não a inventei: ela é o título do livro de Max Tegmark, editado em 2017 e um dos vários publicados mais recentemente sobre a temática da Inteligência Artificial e seu impacto na sociedade humana. Max me fez lembrar do que senti quando li, nos anos 80, pela primeira de muitas vezes, “Eu, robô”, de Isaac Asimov, publicado em 1950. Como antropóloga, me fascinou a imaginação de Asimov ao projetar, antes da existência das atuais tecnologias digitais, uma sociedade em que robôs poderiam se tornar inteligentes a ponto de controlar os humanos. Com o desenvolvimento da Inteligência Artificial, muitas das fantasias de Asimov já estão materializadas. E Max aprimora esta ficção ao descrever robôs ultrainteligentes que se reprogramam e se superam, e criam versões cada vez mais incríveis de si mesmos em curtos espaços de tempo. E descreve as consequências para uma sociedade que vai perdendo para estes seres poderosos e ultra-ágeis a sua velocidade de se reinventar. São dois autores geniais, separados por muitas décadas de revolução tecnológica, mas trazendo uma mesma inquietação: o que nos tornamos? O que nos tornaremos? E como nos preparar para isto, na velocidade em que já está acontecendo? Estamos cercados de IA por todos os lados: ao buscarmos informação no Google, ao interagirmos nas redes sociais, comprarmos livros e outros itens na Amazon ou no supermercado virtual, ao conversarmos divertidamente com a Alexa ou com a Bia do Bradesco. A Inteligência Artificial está ali, e num estágio em que aprende sobre nós cada vez que com ela interagimos. E até mesmo nos ajuda em...

Os “novos” pais. O papel do pai ocidental no século XXI

A Enfoque e seus parceiros realizaram pesquisas no Brasil e na Europa sobre o papel do homem como pai nos dias de hoje e tivemos alguns aprendizados. Ainda que as mães e pais das novas gerações desejem cuidar de seus filhos de forma cooperativa, a realidade impõe sacrifícios a este desejo. O que vai de fato delinear o perfil do “novo pai” e a divisão de cuidados parentais é o tempo disponível – dele – para se dedicar aos filhos. Estas limitações de tempo nos permitiram identificar três diferentes perfis de pais, que implicam diferentes “rituais” na forma de exercitar seus outros papéis na casa. Eles são: um “paiexpress”, um “pai mão na massa” ou um “pai CEO”. O “paiexpress” é aquele que trabalha muitas, muitas horas por dia. A mãe acaba sendo a principal cuidadora das crianças. Assim, quando ele está com as crianças, o tempo tem que ser muito bem aproveitado e ele tende a usar este tempo paparicando os filhos e brincando com eles. O “pai mão na massa” trabalha tanto quanto a mãe e eles dividem os cuidados das crianças. Quando ele está com os filhos, quer fazer tudo “do seu jeito”. Ele tende a “gamificar” as tarefas cotidianas com os filhos, tais como alimentar, vestir, dar banho, transformando-as em pequenas diversões e, assim, em pequenas vitórias cotidianas. O “paiCEO”é o principal cuidador dos filhos, já que a mãe é a principal provedora e trabalha em tempo integral, por muitas horas. O desafio pessoal deste pai é conservar a própria identidade. Ele necessita fazer algo para si mesmo, precisa ter algumas formas de escapar da...

Os “Novos Velhos”

A questão das gerações e da longevidade tem sido recorrente em muitos campos do conhecimento, desde a Demografia, até a Medicina, a Educação Física, a Nutrição, o Lazer, a Previdência, a Sexualidade, a Tecnologia, para citar apenas alguns. Se no século XX considerávamos as pessoas com mais de 60 anos como aquelas que estão se afastando de várias atividades, ficando invisíveis, totalmente “fora do jogo”. No século XXI isto não é mais verdadeiro, pelo menos nos países ocidentais, e no Brasil não é diferente. Já é senso comum dizer que “Os 60 anos são os novos 40 anos”, idade que anteriormente marcava um momento de transição para a maturidade, e isto definitivamente não acontece mais. A Enfoque Pesquisa realizou há cerca de 8 anos no Brasil, Inglaterra, Espanha e Itália uma pesquisa com pessoas de 55 anos ou mais, até 80 anos, em que foi possível identificar 3 perfis comportamentais diferentes entre pessoas com estas faixas etárias: as “Conservadoras”, que se identificam e são identificadas pelos demais como aquelas que assumiram uma maturidade como avós, estando aposentadas. Elas não mais se veem trabalhando e não fazem mais atividades de lazer como as que antes costumavam fazer (viajar, dançar, por exemplo). São pessoas que não se interessavam por tecnologia e com dificuldades de acompanhar o ritmo acelerado de mudanças ao seu redor. Olham para o futuro com certa melancolia, sem grande entusiasmo, como se sua vida atual fosse o final da linha, sem novos sonhos pessoais. Um segundo segmento, que denominamos de “Celebradores”, é o de pessoas que encontraram neste estágio da vida seu melhor momento, desfrutando de liberdade, não...