Coluna do Frederico Müller

frederico-300x200Frederico Müller é médico com especialização em Oncologia Clínica pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) e pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Observership (H. City of Hope, Adult Oncology Program, Duarte, California, EUA). Oncologista Clínico da Oncoclínica / CEON – Centro de Excelência Oncológica, do serviço de Oncologia Clínica do Hospital Federal Cardoso Fontes e coordenador do serviço de Oncologia Clínica do Hospital Fundação do Câncer. Membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

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Mitos e verdades sobre o câncer

Com o diagnóstico do câncer vem uma série de dúvidas sobre o seu comportamento, prognóstico e tratamento. É necessário desmistificar alguns mitos e verdades sobre o câncer em geral. O Câncer é contagioso. Mito – O câncer não é contagioso, seu surgimento geralmente está relacionado a uma série de fatores ambientais e comportamentais do indivíduo. Alguns tipos de câncer podem ser prevenidos com a adoção de medidas simples, como é o caso do câncer de colo uterino relacionado à infecção pelo vírus HPV. A utilização de preservativo (camisinha) pode evitar a infecção pelo vírus HPV. Todo câncer é hereditário. Mito – Apenas 5 a 10% dos casos de câncer são hereditários, a grande maioria (90 a 95%) dos casos são chamados de esporádicos. O câncer esporádico está relacionado ao estilo de vida do indivíduo (hábitos alimentares, prática de esporte / sedentarismo, tabagismo entre outros). Posso reduzir o risco de ter câncer adotando hábitos saudáveis de vida Verdade – Atualmente sabemos que a adoção de um estilo de vida saudável, com a realização de atividade física diária, redução da obesidade, boa alimentação (rica em frutas, legumes e verduras, pobre em alimentos industrializados e embutidos) e ausência de tabagismo podem levar a redução significativa no risco de desenvolvimento do câncer em geral.  Tabagismo causa apenas câncer de pulmão.  Mito – Considerado a principal causa de morte evitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), O tabagismo além de ser causa de diversas doenças respiratórias e cardiovasculares, também é um fator de risco importante para o desenvolvimento de câncer em vários órgãos, como: pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga,...

Você conhece a crioterapia usada para evitar a queda de cabelo no tratamento de câncer?

A alopecia (queda parcial ou total dos cabelos) induzida pela quimioterapia é um dos efeitos colaterais mais indesejados pelos pacientes com câncer, principalmente as mulheres. Apesar de não colocar em risco a saúde do paciente, a alopecia pode causar diferentes graus de desconforto como diminuição da autoestima, depressão e estigmatização perante a sociedade. Esse efeito indesejado pode ser provocado por várias drogas quimioterápicas, em diferentes graus de severidade e usualmente dependente do tipo da droga, da dose, modo como é administrada e a combinação entre medicamentos. O resfriamento do couro cabeludo na tentativa de prevenir a alopecia tem sido utilizado desde a década de 70 através de diversas técnicas. A teoria é que quando reduzimos a temperatura do couro cabeludo a baixos níveis por um período prolongado antes, durante e após a infusão da quimioterapia ocorre uma redução da chegada de sangue e consequentemente de quimioterapia no couro cabeludo aliado à uma redução do metabolismo dos folículos pilosos, reduzindo assim a queda de cabelo. Atualmente dispomos de equipamentos modernos para a realização da técnica de crioterapia (sistema de resfriamento) em couro cabeludo. O objetivo é prevenir a alopecia causada pelo tratamento quimioterápico, reduzindo assim a necessidade do uso de prótese capilar (peruca) ou lenço pelos pacientes. A taxa de sucesso (medida basicamente pela redução da alopecia) é variável e depende do esquema quimioterápico utilizado e da resposta de cada paciente, porém varia em torno de 49% a 100% dos casos. Normalmente é bem tolerado, porém algumas pessoas podem se queixar de cefaléia, tontura e sensação de frio. Nem todo paciente em tratamento quimioterápico deve ou pode ser submetido a...

Podemos nos prevenir contra o câncer?

Para que possamos responder essa pergunta, devemos primeiramente entender alguns conceitos: o que é o câncer, a importância desta doença nos tempos modernos, fatores causais e medidas para sua prevenção.  Isso é o que veremos a partir de agora nessa Sessão do Blog da Eduvir que estamos chamando de Previna o Câncer!  Neste primeiro post não discutiremos sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, deixaremos esse assunto para outro momento. Câncer é o nome dado ao crescimento desordenado das células que podem invadir órgãos e tecidos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo. Atualmente o câncer é um problema de saúde pública mundial e sua incidência cresceu 20% na última década. No Brasil, é a segunda causa de mortes por doença, atrás apenas dos problemas cardiovasculares. Para 2030, a expectativa, em todo o mundo, é de 21,4 milhões de novos casos e 13,2 milhões de óbitos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).  Esses dados mostram a importância do tema e a necessidade crescente de uma política visando à informação da população quanto à prevenção e diagnóstico precoce com o intuito de aumentar as chances de sucesso do tratamento. As causas do câncer podem ser externas (ligadas ao meio ambiente em que vivemos e aos hábitos de vida do indivíduo), internas (relacionadas às alterações genéticas pré-determinadas) ou a união dos dois fatores. O que muitas pessoas desconhecem é que as causas externas correspondem por cerca de 80-90% das causas de câncer. São raros os casos de câncer relacionados exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos. Neste post vamos nos concentrar apenas nas causas externas,...