Coluna do Gilberto Ururahy

gilberto-300x200Gilberto Ururahy é médico formado em 1979 pela UFRJ, com especialização em Cirurgia Geral.

Diretor Médico da Med-Rio Check-Up é especialista em estresse e suas consequências na saúde de executivos com mais de 25 anos de atuação na atividade. Detentor das Medalhas Pedro Ernesto e Tiradentes. Autor dos livros “O Cérebro Emocional, as emoções e o estresse do cotidiano” e “Como se tornar um bom estressado” e de mais de uma centena de artigos médicos, publicados pela mídia brasileira, ao longo de 25 anos, todos tendo como objetivo a prevenção da saúde.

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A vacina para todos

A melhor prevenção contra a Covid-19 é o estilo de vida saudável Na semana passada, a morte precoce do jornalista e apresentador Rodrigo Rodrigues entristeceu a todos. Músico, flamenguista, excelente comunicador, Rodrigo era conhecido como um boa-praça entre seus colegas de ofício. Infelizmente, poucas horas depois de ser internado, ainda lúcido e se comunicando, uma trombose colocou fim à vida do querido jornalista. A trombose ocorre quando há formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais regiões de nossa circulação sanguínea. Esse coágulo bloqueia o fluxo de sangue e causa inchaço e dor na região comprometida. Com 45 anos e sobrepeso, Rodrigo foi vítima de uma das poucas certezas que cercam a Covid- 19: obesos são alto grupo de risco, em qualquer idade, assim como outras comorbidades (como doenças respiratórias, cardíacas, hipertensão, baixa imunidade ou diabetes). Milhares de indivíduos ao redor do mundo também perderam suas vidas em função das comorbidades. O país com mais casos de mortes é justamente os Estados Unidos, populoso em idosos e em pacientes obesos, diabéticos, cardíacos e portadores de doenças respiratórias. Em contraposição, o Japão, também rico em idosos porém com baixo índice de comorbidades, teve poucas mortes. A melhor vacina contra estas doenças é o estilo de vida saudável: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, controle de peso, sono reparador e check-ups periódicos. Esses hábitos devem ser mantidos durante todas as fases da vida. A alimentação equilibrada previne doenças, retarda o envelhecimento e melhora o humor; a prática de exercícios fortalece a imunidade, participa da boa gestão do estresse, além do controle de peso, o sono reparador repõe as energias...

Home Office: um convite à robotização de funcionários

  Quando a casa vira escritório, quem paga o preço é a qualidade de vida dos colaboradores.   Trancados em casa há quase cinco meses, muitos colaboradores de empresas são rápidos em listar os desconfortos do home office: excesso de horas trabalhadas, sobrecarga física e emocional, inadequação da casa para virar escritório, dificuldade em criar e manter uma rotina produtiva, falta de concentração com a interferência inevitável da família, tempo exíguo para se dedicar aos cuidados pessoais, como exercícios e alimentação saudável, com frequência fazendo as refeições diante da tela do computador ou do celular. A percepção foi confirmada por uma pesquisa do LinkedIn. Segundo o estudo, que ouviu duas mil pessoas, 68% dos entrevistados que estão trabalhando de casa têm passado ao menos uma hora a mais dedicados aos afazeres profissionais. O resultado é que 62% estão mais ansiosos e estressados com o trabalho do que antes. Com o fechamento dos escritórios, computadores e celulares se transformaram nos novos colegas de trabalho: a inteligência artificial e os algoritmos estão ditando o ritmo da jornada diária de milhões de trabalhadores que, tal qual robôs, se limitam a atender as demandas. Os relacionamentos interpessoais, que mantem viva a cultura, a missão e o espírito de equipe de uma empresa, foram interrompidos da noite para o dia. Funcionários viram-se sem a supervisão de um líder ou mentor que comande o time. Colaboradores reclamam que passam o dia tentando resolver questões que seriam sanadas rapidamente de forma presencial. Não é uma situação confortável para nenhuma das partes: para além de toda a fragilidade dos empregados, as empresas arcarão com gigantescas ações trabalhistas....

Vacina contra a Covid-19: esperanças e incertezas

Enquanto o mundo busca uma vacina, não há garantias de imunização nem mesmo entre quem teve a doença. Muitas das informações sobre o novo coronavírus e a Covid-19 parecem instáveis. O que valia ontem, não vale hoje. Isso acontece porque o público leigo está podendo acompanhar, em tempo real, como funciona a ciência: uma busca infindável por novas comprovações. Cientistas não deitam sobre os louros de uma certeza: sabemos que tudo pode mudar diante de uma nova descoberta. Operando em terreno tão novo e desconhecido, não é raro nos depararmos com pesquisas científicas que põe por terra informações tidas como seguras até pouco tempo. De acordo com pesquisa da USP e da Universidade de Oxford, o coronavírus já estava circulando no Brasil bem antes dos primeiros casos detectados, no final de fevereiro. Outro estudo, da Universidade Federal de Santa Catarina, corrobora a tese. A UFSC encontrou partículas do novo coronavírus em duas amostras de esgoto colhidas em Florianópolis, em novembro e dezembro de 2019, portanto três meses antes do primeiro caso oficialmente diagnosticado no Brasil. A circulação prévia do vírus explica por que algumas pessoas infectadas com o novo coronavírus apresentam apenas sintomas leves ou ficam assintomáticas? Como se sabe, existem os antigos coronavírus. Não seriam eles os responsáveis pela imunidade da absoluta maioria da população, assintomáticas ao novo vírus? A isso chamamos imunidade cruzada. A corrida do ouro em busca de algum imunizante eficaz também traz dúvidas. Algumas empresas testaram inúmeros pacientes sintomáticos, a partir do PCR-Swab nasofaringeano – mais conhecido como o teste em que se coleta material pelas vias nazais e faringe – que foram positivos...