Coluna do Gilberto Ururahy

gilberto-300x200Gilberto Ururahy é médico formado em 1979 pela UFRJ, com especialização em Cirurgia Geral.

Diretor Médico da Med-Rio Check-Up é especialista em estresse e suas consequências na saúde de executivos com mais de 25 anos de atuação na atividade. Detentor das Medalhas Pedro Ernesto e Tiradentes. Autor dos livros “O Cérebro Emocional, as emoções e o estresse do cotidiano” e “Como se tornar um bom estressado” e de mais de uma centena de artigos médicos, publicados pela mídia brasileira, ao longo de 25 anos, todos tendo como objetivo a prevenção da saúde.

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Longevidade com autonomia e bem-estar

As tendências e as transformações no mundo globalizado exigem a adaptação permanente de homens e mulheres. Novidades que geram pressões externas e são benéficas, quando nos estimulam a vencer desafios e melhoram o nosso desempenho sem causar esgotamento físico e mental. A incapacidade de adequação às mudanças diárias e o mau gerenciamento do estresse é o motor para o estilo de vida pouco saudável e abre caminho para depressão, ansiedade, irritação; fragiliza o coração, o cérebro, os intestinos, entre outros órgãos, dependendo das individualidades e do meio ambiente. Para usar o estresse cotidiano a nosso favor, precisamos adotar hábitos que fortalecem o nosso corpo e conhecer os fatores de risco à saúde. Assim, é possível buscar o bem-estar e a longevidade com autonomia. Ter bons hábitos significa dormir bem, fazer alimentação balanceada, praticar atividade física regularmente, reaprender a respirar, manter vida sexual plena, ocupar boa parte do tempo com momentos de lazer e atividades sociais, evitar o abuso de álcool, além de não consumir outras drogas e estimulantes; não se automedicar e não fumar, por exemplo. Outra atitude essencial é saber cuidar de sua saúde, para evitar surpresas e se antecipar a doenças. Nesse sentido, o check-up médico periódico é indispensável. Os exames regulares permitem avaliar seu corpo como um todo, levando em conta seu lado emocional, seu comportamento, mostram como o estresse do cotidiano agride o seu corpo e apontam os fatores de risco que impactam na saúde de cada indivíduo, permitindo a correção destes. O cuidado em manter hábitos saudáveis e praticar a prevenção deve começar na infância.  Hoje, não raro, vemos adolescentes e jovens com altos...

Emoções e saúde

Leonardo Da Vinci no século XVI disse: “O homem é um. É corpo e alma”. No século seguinte, Spinoza ratificou que espírito e corpo deviam ter raiz comum. Por várias razões, sobretudo religiosas, a ciência manteve uma separação entre corpo e espírito. A posição de Da Vinci e Spinoza, profunda e corajosa para a época, permaneceu incompreendida e durante muito tempo o dualismo cartesiano perdurou. Desde o nascimento somos nutridos tanto de emoções como de leite. Freud demonstrou como as primeiras emoções estruturam a personalidade. Na vida adulta, evoluímos a partir das emoções vividas na fase de crescimento. Uma das primeiras vantagens da maturidade e da experiência é saber identificar nossas emoções e, em alguns casos, domesticá-las progressivamente. As emoções são tão inerentes ao ser que, segundo estudiosos, estão inscritas no patrimônio genético. Para Darwin, existiriam seis emoções comuns à humanidade: alegria, tristeza, surpresa, medo, desgosto e raiva. Há quem associe essa visão das emoções à das cores. A variedade de matizes seria uma mistura entre as cores de base. No caso das emoções, as tonalidades seriam infinitas. No plano científico a emoção ainda é um mistério. Trata-se, a nosso ver, de uma mistura fisiológica complexa de hormônios, neurotransmissores, neurônios e circuitos neurocerebrais especiais transferidos a todos os órgãos e tecidos do corpo, somada a fatores psicológicos. As emoções determinam nossos atos, nos dão a energia para agir, amar, viver, mas também para sofrer e adoecer. Muitas vezes somos obrigados a não demonstrá-las e, sobretudo, a freá-las. Como se fosse possível esconder uma emoção. Cada vez mais os médicos percebem a estreita relação entre as emoções e a saúde....

A prevenção e a saúde pública – um outro olhar

“Existem mais crianças diante de aparelhos eletrônicos do que de brinquedos” Aprender a cuidar da própria saúde deveria fazer parte da grade curricular das escolas brasileiras. Nossas crianças estão seguindo cada dia mais a cartilha de um estilo de vida inadequado, adotado com o consentimento dos pais e o silêncio das autoridades públicas. Os hábitos alimentares inapropriados além da falta de atividade física geram uma combinação que provavelmente no futuro, resultará em doenças crônicas como obesidade, diabetes, as cardíacas, a hipertensão arterial e no consequente aumento dos gastos em saúde pública. Um problema que surge precocemente: estudo realizado em nossas clínicas de medicina preventiva, com cem adolescentes, mostrou que 10% sofriam com pressão alta, 20% apresentavam níveis elevados de colesterol e 45% encontravam-se acima do peso corporal ideal. Alguns países já despertaram para esta questão. O governo americano decidiu em junho que todos os produtos com gordura trans serão banidos do mercado até 2018. Já a França mirou nas bebidas açucaradas, como os refrigerantes e hoje é raro vê-los sendo servidos. O Brasil, no entanto, continua indiferente à evolução dos números. Pesquisa recente do IBGE alerta que o excesso de peso já atinge 52,5% dos adultos do país. Essa taxa, nove anos atrás, era de 43%. Já o percentual de crianças entre 5 e 9 anos chega a 33,5%. Nesse ritmo, como estarão os nossos futuros adultos, na próxima década? É hora de termos uma política pública nacional com foco na alimentação infantil combatendo o “inocente” cardápio alforriado a crianças: pizzas, hambúrgueres e frituras, acompanhados de refrigerantes. Em cada lata, garrafa ou copo estão concentrados, além de água e...