Coluna do Gilberto Ururahy

gilberto-300x200Gilberto Ururahy é médico formado em 1979 pela UFRJ, com especialização em Cirurgia Geral.

Diretor Médico da Med-Rio Check-Up é especialista em estresse e suas consequências na saúde de executivos com mais de 25 anos de atuação na atividade. Detentor das Medalhas Pedro Ernesto e Tiradentes. Autor dos livros “O Cérebro Emocional, as emoções e o estresse do cotidiano” e “Como se tornar um bom estressado” e de mais de uma centena de artigos médicos, publicados pela mídia brasileira, ao longo de 25 anos, todos tendo como objetivo a prevenção da saúde.

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Como a Covid-19 chegará ao fim?

O coronavírus estará fadado a ocupar o seu lugar na longa lista de pandemias superadas pela humanidade ao longo da História. O jornal americano The New York Times trouxe uma discussão interessante em edição recente: quando as pandemias chegam ao fim? Segundo historiadores e estudiosos, elas costumam acabar de duas formas: ou quando a enfermidade é derrotada por uma cura ou quando a população se cansa de temer a doença e passa a conviver com ela. “Quando as pessoas perguntam ‘quando isto terminará?’, elas estão se referindo ao fim social”, afirmou o historiador de Medicina Jeremy Greene. Allan Brandt, historiador da Universidade de Harvard, endossa o discurso. “Muitas perguntas sobre o fim da epidemia são determinadas por processos sociopolíticos”, declarou. Susan Murray, do Royal College of Surgeons de Dublin, em artigo para o prestigiado The New England Journal of Medicine, relembra do temor dos irlandeses diante dos casos de ebola no continente africano em 2014, apesar de nenhum caso ter sido registrado na Irlanda. “Se não estamos preparados para lutar contra o medo e a ignorância de modo tão ativo e racional como combatemos qualquer outro vírus, é possível que o medo cause danos terríveis a pessoa vulneráveis”, sentenciou. Especialistas listam epidemias que atravessaram a História, como a Praga de Justiniano no século VI, a medieval no século XIV, a Gripe Espanhola no século XIX e a H1N1, mais recentemente, no século XXI, para especular se a desistência social não pode ser um dos caminhos que levará a Covid-19 ao fim, já que uma vacina não está prevista para menos de um ano. Até lá, mais gente estará imune,...

O estresse do isolamento

Para evitar a contaminação na rua, as pessoas estão ficando doentes em casa Em recente coletiva à imprensa, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, apresentou informações surpreendentes sobre a contaminação do coronavírus a partir de dados coletados dos doentes no Estado americano. Ele afirmou que 66% das internações hospitalares correspondem a pacientes que estavam de quarentena em suas casas. E mais: 90% não estavam trabalhando ou o faziam de casa, sem necessidade de pegar transporte público. Essas informações contradizem muitos argumentos dos que defendem o isolamento absoluto. A interrupção brusca da rotina compromete o funcionamento regular do sistema imunológico. Para além disso, o cérebro humano no confinamento entra em “ebulição”, tomado por medo e incertezas: estresse, ansiedade, insônia, pânico, abuso de álcool, crises hipertensivas e infartos do miocárdio. O fato concreto é que para evitar se contaminarem na rua, as pessoas estão ficando doentes em suas casas. É inegável que muitos sofrerão de estresse pós-traumático em decorrência da pandemia, seja por perderem entes queridos em suas casas, a caminho de socorro ou internados nos próprios hospitais. O estresse pós-traumático é um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais em decorrência de o portador ter sido vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas que, em geral, representaram ameaça à sua vida ou à vida de terceiros. Como a prevenção é o melhor aliado da saúde, temos trabalhado em nossas clínicas regularmente depois de, claro, adotar todas as medidas de segurança contra o vírus, para os nossos colaboradores e clientes. Isto nos permitiu tabular uma pesquisa feita com os...

Coronavírus: uma boa e uma má notícia

As comorbidades, que aumentam o risco diante do novo coronavírus, podem ser evitadas com um estilo de vida saudável Pesquisa da Fiocruz recém-divulgada estima que um em cada três brasileiros adultos, ou seja, cerca de 50 milhões de pessoas, tem ao menos um dos cinco fatores de risco que podem agravar a Covid-19: diabetes, hipertensão, doenças pulmonares, cardíacas, ou são idosos. De acordo com os dados, 22% são hipertensos, 7% tem diabetes, 4,2% sofrem doenças do coração e 1,8% tem doenças no pulmão. É uma má notícia porque retrata que 33,5% da população tem dado pouca atenção aos cuidados com a saúde, já que todas estas doenças estão essencialmente ligadas a um estilo de vida impróprio. Até mesmo a idade avançada, outrora vista como uma condenação, não tem mais tal caráter. Cada vez vemos maior número de pessoas envelhecendo com talento, verdadeiros jovens plenamente ativos aos 70, 80 e 90 anos. Portanto, por trás da má notícia, há uma boa notícia: todas estas doenças são passíveis de prevenção. Um estilo de vida saudável representa 73% das chances de longevidade de um indivíduo. Estudo publicado pela Associação Médica Americana mostrou que quatro hábitos, adotados em conjunto, respondem por uma redução de 80% no risco de desenvolvimento das doenças crônicas mais comuns, justamente as que mais colocam em risco os pacientes de Covid-19. Os quatro hábitos são: dormir bem, manter o peso ideal, fazer exercícios regularmente e seguir uma dieta saudável. As transformações no mundo pós-pandemia não ocorrerão apenas na economia, no mercado de trabalho e no comportamento social. A prevenção e os cuidados com a saúde ganharão maior relevância. Através...