{"id":1342,"date":"2020-12-21T15:48:43","date_gmt":"2020-12-21T18:48:43","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=1342"},"modified":"2020-12-21T15:48:43","modified_gmt":"2020-12-21T18:48:43","slug":"negritude-e-branquitude-uma-reflexao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/21\/negritude-e-branquitude-uma-reflexao\/","title":{"rendered":"Negritude e Branquitude: uma reflex\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 4 min<\/p>\n<p>Assumo minha branquitude, assim como todos os vieses cognitivos que me habitam, e falo a partir deles com minhas viv\u00eancias e observa\u00e7\u00f5es. Feito esse\u00a0<i>disclaimer<\/i>\u00a0(em portugu\u00eas, aviso legal), fiquei impressionada com a leitura recente do livro \u201cPequeno Manual Antirracista\u201d, escrito por Djamila Ribeiro, fil\u00f3sofa, professora e ativista, como ela se define. Recomendo a leitura.<\/p>\n<p>No livro, a autora nos faz entrar em contato com o racismo estrutural e que, devido ao fato dele estar impregnado em nossas vidas, n\u00e3o podemos\/devemos entrar em uma conversa, assumindo que n\u00e3o somos racistas. A branquitude, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 negritude, vivemos em um contexto de privil\u00e9gios, somente pela origem que temos. Pensando em generaliza\u00e7\u00f5es, sou reticente a elas porque tamb\u00e9m me sinto exclu\u00edda, quando ou\u00e7o que \u201ctodos\u201d os brasileiros possuem ra\u00edzes negras, \u00edndias e s\u00e3o miscigenados. Sou brasileira, nascida no Rio de Janeiro, mas meus pais s\u00e3o espanh\u00f3is. Vieram para o Rio de Janeiro em 1960, se conheceram no navio de imigra\u00e7\u00e3o, casaram e se estabeleceram aqui no Brasil. Se eles possuem miscigena\u00e7\u00e3o por conta das invas\u00f5es \u00e1rabes na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, n\u00e3o posso ter certeza. Tenho certeza de que a generaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplica a mim. Da mesma forma, talvez outras pessoas, negras ou brancas, n\u00e3o tenham essa miscigena\u00e7\u00e3o\u2026 Falando de sangue. J\u00e1 na cultura, diversos desses tra\u00e7os fazem parte do nosso dia a dia\u2026 O que far\u00edamos sem a mandioca (aipim para alguns), cultivada inicialmente pelos ind\u00edgenas? E os deliciosos pratos baseados na cultura africana (vatap\u00e1, caruru, bob\u00f3, acaraj\u00e9)? E as palavras de origem ind\u00edgena (caatinga, caipira, carioca, capenga, nhenhenh\u00e9m) ou de origem africana (dengo, ca\u00e7ula, cafun\u00e9, quitanda, fub\u00e1, cacha\u00e7a, muvuca) que est\u00e3o completamente incorporadas ao nosso vocabul\u00e1rio?<\/p>\n<p>Admitir que somos privilegiados, \u00e9 o primeiro passo. Assisti a uma entrevista da empres\u00e1ria Monique Evelle, no evento HSM Expo Now. Ela citava a diferen\u00e7a de tratamento e de percep\u00e7\u00e3o que acontece quando uma pessoa negra sai de um carro, por exemplo, e come\u00e7a a correr em uma rua\u2026 n\u00e3o se imagina que ela possa estar atrasado\/a para um compromisso. Os brancos podemos correr, sem que a pol\u00edcia nos persiga ou os olhares nos condenem (previamente). Outro ponto citado por ela, foi a inclus\u00e3o da palavra \u201cnegro ou negra\u201d quando nos referimos \u00e0 pessoa. Dizer Monique Evelle, empres\u00e1ria negra, seria o equivalente a dizer Angela Vega, coach e palestrante branca. Esquisito, n\u00e3o? Pois \u00e9 o que possivelmente fazemos e lemos sem nos darmos conta\u2026<\/p>\n<p>Penso ainda nas raz\u00f5es que nos fazem escolher como pessoas negras de destaque, ou refer\u00eancia, Oprah Winfrey (apresentadora americana), o casal Obama (ex-presidente americano e ex-primeira-dama) e Maya Angelou (poeta e ativista americana). N\u00e3o estou desvalorizando as pessoas citadas, estou questionando por que n\u00e3o refor\u00e7amos ou escolhemos refer\u00eancias brasileiras. Uma das respostas \u00e9 dada por Djamila quando ela fala do epistemic\u00eddio, isto \u00e9, o apagamento sistem\u00e1tico de produ\u00e7\u00f5es e saberes produzidos por grupos oprimidos, conceito originalmente proposto pelo soci\u00f3logo portugu\u00eas Boaventura Sousa Santos.<\/p>\n<p>Em seu livro, Djamila nos traz diversas refer\u00eancias em v\u00e1rios campos: Abdias Nascimento (ator, diretor, dramaturgo), Ana Cl\u00e1udia Lemos (soci\u00f3loga, doutora em ci\u00eancias sociais, pesquisadora sobre g\u00eanero, ra\u00e7a e lideran\u00e7as femininas), Carla Akotirene (formada em servi\u00e7o social, mestra e doutoranda em estudos sobre mulheres, g\u00eanero e feminismo), Elisa Lucinda (poeta, jornalista, atriz e cantora), Concei\u00e7\u00e3o Evaristo (escritora, professora e ativista), Marcela Bonfim (economista e fot\u00f3grafa), Neusa Santos (psiquiatra, psicanalista e escritora) e tantas\/os outras\/os\u2026<\/p>\n<p>Trata-se de expandir nossa consci\u00eancia, saltando para fora do aqu\u00e1rio em que, vivendo cercados de \u00e1gua, passamos a n\u00e3o enxerg\u00e1-la. Ficamos \u201ccegos\u201d para a realidade. Mesmo me considerando uma pessoa aberta e esclarecida, pude perceber v\u00e1rios pontos cegos.<\/p>\n<p>Fica o convite para uma autorreflex\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>Pequeno Manual Antirracista. Djamila Ribeiro. Companhia das Letras. 2019<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/poetas-negras-da-literatura-brasileira\/\">https:\/\/www.geledes.org.br\/poetas-negras-da-literatura-brasileira\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/moniqueevelle.com.br\/\">https:\/\/moniqueevelle.com.br\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Imagem: Image by Gerd Altmann from Pixabay<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 4 min Assumo minha branquitude, assim como todos os vieses cognitivos que me habitam, e falo a partir deles com minhas viv\u00eancias e observa\u00e7\u00f5es. 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