{"id":1300,"date":"2020-12-21T13:45:53","date_gmt":"2020-12-21T16:45:53","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=1300"},"modified":"2020-12-21T13:45:53","modified_gmt":"2020-12-21T16:45:53","slug":"aprendizado-em-escala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/21\/aprendizado-em-escala\/","title":{"rendered":"Aprendizado em escala"},"content":{"rendered":"<p>Em um mundo que se transforma rapidamente, com novas din\u00e2micas de neg\u00f3cios e demandas dos clientes, os m\u00e9todos tradicionais n\u00e3o s\u00e3o mais uma garantia de sucesso. As organiza\u00e7\u00f5es precisam redefinir suas estrat\u00e9gias de crescimento, seus modelos de neg\u00f3cios e at\u00e9 mesmo a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de trabalho para acompanhar as mudan\u00e7as e prosperar. Para John Hagel, diretor do Center for the Edge da Deloitte, localizado no Vale do Sil\u00edcio, e membro da Singularity University, o segredo est\u00e1 em mudar o foco da efici\u00eancia escal\u00e1vel para o aprendizado escal\u00e1vel. Hagel falou sobre esses desafios \u00e0\u00a0<strong>Mundo Corporativo<\/strong>\u00a0durante sua \u00faltima visita a S\u00e3o Paulo, quando participou da edi\u00e7\u00e3o 2019 do SingularityU Brasil Summit, patrocinado pela Deloitte.<\/p>\n<p><strong>A transforma\u00e7\u00e3o a partir das \u201cbordas\u201d \u00e9 um tema frequente em seus artigos e palestras. Como as empresas devem endere\u00e7ar essa quest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Nosso foco \u00e9 na inova\u00e7\u00e3o e na transforma\u00e7\u00e3o que v\u00eam das bordas para superar desafios. Para a maioria das organiza\u00e7\u00f5es, inovar significa criar um produto ou servi\u00e7o diferente para expandir ou conquistar novos mercados. A transforma\u00e7\u00e3o, no entanto, remete a quest\u00f5es mais b\u00e1sicas sobre o verdadeiro neg\u00f3cio central da empresa \u2013 ou em qual neg\u00f3cio ela deveria focar? O que deve ser revisto e retrabalhado para apoiar de fato esse posicionamento? A transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais desafiadora, pois obriga a questionar e mudar tudo. Nesse contexto, a melhor maneira de impulsionar a transforma\u00e7\u00e3o em grandes organiza\u00e7\u00f5es \u00e9 pelas bordas. Isso significa identificar uma \u00e1rea que seja relativamente modesta em termos de faturamento ou lucros para a empresa, mas que tenha o potencial de crescer ao ponto de se tornar o novo core do neg\u00f3cio, desde que seja poss\u00edvel compreender as for\u00e7as exponenciais que est\u00e3o por tr\u00e1s das mudan\u00e7as. N\u00e3o se trata apenas de ter um faturamento extra ou novas iniciativas. Trata-se de conduzir a transforma\u00e7\u00e3o escalando uma ponta, ao inv\u00e9s de transformar toda a organiza\u00e7\u00e3o de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os principais pontos de aten\u00e7\u00e3o ao seguir esse modelo?<\/strong><\/p>\n<p>Uma das recomenda\u00e7\u00f5es \u00e9 que as empresas encontrem uma borda que seja complementar ao neg\u00f3cio existente, para evitar que as atividades concorram entre si. Idealmente, voc\u00ea ter\u00e1 uma nova fonte de renda e lucros, ou ainda novos servi\u00e7os para os clientes. A competi\u00e7\u00e3o com o core business costuma gerar resist\u00eancia por parte do resto da organiza\u00e7\u00e3o \u2013 o instinto natural \u00e9 querer acabar com o concorrente. Por outro lado, h\u00e1 uma oportunidade latente em tempos de r\u00e1pidas mudan\u00e7as, para reestruturar mercados e ind\u00fastrias inteiras, de forma a criar muito mais valor e oportunidades para a empresa e para seus clientes.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso ter uma vis\u00e3o de longo prazo para realizar esse tipo de transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio um planejamento para quantos anos?<\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 a principal dificuldade nessa mentalidade. N\u00f3s desenvolvemos uma abordagem chamada \u201czoom out \/ zoom in\u201d. O \u201czoom out\u201d consiste em olhar para frente, projetar como ser\u00e1 sua ind\u00fastria daqui a 10 a 20 anos e visualizar quais os tipos de empresas ou de neg\u00f3cios que ter\u00e3o sucesso no futuro. Essa \u00e9 uma vis\u00e3o a longo prazo, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m analisar o que acontece agora. E imagine que h\u00e1 algo incipiente hoje que, dadas as mudan\u00e7as que ocorrem no mercado, tem o potencial de escalar para se tornar o principal foco do neg\u00f3cio em um cen\u00e1rio mais distante. Chamamos essa parte de \u201czoom in\u201d. Trata-se de um movimento cont\u00ednuo \u2013 olhar para um futuro ainda long\u00ednquo e detectar as pr\u00f3ximas oportunidades de neg\u00f3cios para implementar as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para chegar l\u00e1, sem perder o foco no presente.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o elemento-chave para prosperar nesse novo ambiente de neg\u00f3cios?<\/strong><\/p>\n<p>No passado, os neg\u00f3cios bem-sucedidos eram impulsionados por um modelo de efici\u00eancia escal\u00e1vel, era preciso ter cada vez mais efici\u00eancia em grande escala para ter \u00eaxito. Em um mundo de transforma\u00e7\u00f5es mais velozes, esse modelo tradicional j\u00e1 n\u00e3o funciona t\u00e3o bem. A efici\u00eancia tem retornos limitados \u2013 quanto mais eficiente \u00e9 seu neg\u00f3cio, mais dif\u00edcil \u00e9 alcan\u00e7ar o pr\u00f3ximo patamar de efici\u00eancia. Ironicamente, quanto mais bem-sucedido voc\u00ea \u00e9, menos chances tem de prosperar ainda mais. Com as r\u00e1pidas mudan\u00e7as que acontecem na economia em todo o mundo, o segredo \u00e9 aprender mais r\u00e1pido. Quem se contentar somente com o que fazia no passado, ficar\u00e1 cada vez mais desconectado das mudan\u00e7as que acontecem l\u00e1 fora. \u00c9 preciso conhecer as transforma\u00e7\u00f5es que est\u00e3o acontecendo e entender o que \u00e9 necess\u00e1rio para criar mais valor nesse contexto. As empresas que ter\u00e3o mais sucesso no futuro ser\u00e3o aquelas que focar\u00e3o o que chamamos de aprendizado escal\u00e1vel \u2013 ou seja, aprender mais r\u00e1pido de forma exponencial e entregar mais e mais valor para o ambiente de neg\u00f3cios. Esse modelo propicia retornos potenciais crescentes, pois, quanto mais voc\u00ea aprender, mais valor oferecer\u00e1 aos neg\u00f3cios. \u00c9 um desafio crucial passar da efici\u00eancia escal\u00e1vel para o aprendizado escal\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Como as ind\u00fastrias tradicionais est\u00e3o respondendo a essa realidade?<\/strong><\/p>\n<p>A maioria das organiza\u00e7\u00f5es sofre uma press\u00e3o constante dos investidores para crescer mais r\u00e1pido e a discuss\u00e3o costuma focar duas op\u00e7\u00f5es: investir na empresa e crescer organicamente ou realizar uma grande aquisi\u00e7\u00e3o para estimular o crescimento. H\u00e1, no entanto, uma terceira alternativa, que \u00e9 mobilizar terceiros para gerar cada vez mais valor para seus clientes e coletar parte desse valor. Nesse modelo, a empresa captura valor ao orquestrar esses ecossistemas, em vez de comprar outros neg\u00f3cios ou fazer tudo sozinha. \u00c9 uma forma poderosa de crescimento, a qual a maioria das empresas nem considera. A oportunidade est\u00e1 em encontrar maneiras de participar de plataformas em que voc\u00ea consiga alinhar as pessoas certas, com os recursos necess\u00e1rios e na melhor hora para atender a qualquer que seja a demanda atual. Trata-se de uma forma bastante diferente de conduzir os neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria da moda evolui rapidamente para esse modelo. N\u00f3s passamos algum tempo estudando uma empresa na China que trabalha com designers e marcas de roupas globais. Eles basicamente coordenam todos os recursos para cada etapa de produ\u00e7\u00e3o \u2013 da mat\u00e9ria-prima \u00e0 log\u00edstica de distribui\u00e7\u00e3o em todo o mundo \u2013 e fazem isso com tamanha flexibilidade que est\u00e3o prontos para responder quando a demanda muda. Para isso, criaram uma plataforma global de 15 mil parceiros de neg\u00f3cios, com participantes de perfis distintos. A chave est\u00e1 em conseguir conectar conhecimentos e capacidades com agilidade e flexibilidade, onde e quando for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>A maioria das empresas parece ter pressa em adotar novas tecnologias para acelerar a inova\u00e7\u00e3o. Como voc\u00ea v\u00ea o futuro do trabalho nesse cen\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>Computadores e algoritmos podem, de fato, desempenhar tarefas padronizadas e integradas com muito mais efici\u00eancia do que n\u00f3s, humanos. Eles n\u00e3o erram, n\u00e3o ficam doentes e n\u00e3o se distraem. N\u00f3s acreditamos que as m\u00e1quinas assumir\u00e3o toda essa parte. E essa \u00e9 uma \u00f3tima not\u00edcia, pois significa que n\u00f3s podemos dar um passo para tr\u00e1s e redefinir a no\u00e7\u00e3o de trabalho, para que cada pessoa dentro da organiza\u00e7\u00e3o possa se concentrar em endere\u00e7ar problemas e oportunidades in\u00e9ditos e criar cada vez mais valor. Profissionais de todas as \u00e1reas das organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o constantemente confrontados a novas situa\u00e7\u00f5es que apresentam diferentes problemas, desafios e oportunidades para criar mais valor, mas eles n\u00e3o t\u00eam tempo de cuidar disso, pois est\u00e3o focados em tarefas rotineiras.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos liberar tempo para tratar dessas quest\u00f5es, com as qualidades que nos tornam \u00fanicos \u2013 como curiosidade, imagina\u00e7\u00e3o, criatividade e intelig\u00eancia emocional. A intelig\u00eancia social redefine o trabalho fundamentalmente para as pessoas, mas propicia um valor imensur\u00e1vel para as institui\u00e7\u00f5es. Como seres humanos, n\u00f3s temos um conjunto infinito de necessidades potenciais. Assim que nossas necessidades b\u00e1sicas s\u00e3o satisfeitas, surgem outras. Ao transpor isso ao nosso comportamento como consumidores, percebemos que sempre teremos uma vontade nova a ser atendida. O desafio e a oportunidade para as empresas envolvem incentivar seus profissionais a detectar essas novas necessidades, para que eles possam se concentrar em criar valor para a organiza\u00e7\u00e3o, para os consumidores e para eles mesmos, enquanto atingem todo o seu potencial.<\/p>\n<p><strong>Como os l\u00edderes est\u00e3o lidando com essas mudan\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acredito que h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o crescente de executivos ao redor do planeta de que o mundo est\u00e1 mudando de uma forma que eles n\u00e3o entendem completamente. Parte da necessidade envolve aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os impactos dessas transforma\u00e7\u00f5es. Existe tamb\u00e9m o medo de assumir riscos. Inovar implica tomar caminhos desconhecidos e h\u00e1 sempre riscos associados \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. As grandes empresas t\u00eam a cultura de minimizar riscos. No Center for the Edge, centro de estudos da Deloitte no Vale do Sil\u00edcio, n\u00f3s analisamos as for\u00e7as que est\u00e3o remodelando a economia e diminuindo a efic\u00e1cia dos m\u00e9todos tradicionais de atua\u00e7\u00e3o. As organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam de capturar as novas oportunidades que surgem dessas mudan\u00e7as. Elas precisam ser inovadoras, precisam trabalhar como nunca fizeram antes e encontrar novas maneiras de criar valor \u2013 e isso requer inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\">Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/mundocorporativo.deloitte.com.br\/aprendizado-em-escala\/\">https:\/\/mundocorporativo.deloitte.com.br\/aprendizado-em-escala\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um mundo que se transforma rapidamente, com novas din\u00e2micas de neg\u00f3cios e demandas dos clientes, os m\u00e9todos tradicionais n\u00e3o s\u00e3o mais uma garantia de sucesso. As organiza\u00e7\u00f5es precisam redefinir suas estrat\u00e9gias de crescimento, seus modelos de neg\u00f3cios e at\u00e9 mesmo a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de trabalho para acompanhar as mudan\u00e7as e prosperar. 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