{"id":1339,"date":"2020-12-21T15:47:44","date_gmt":"2020-12-21T18:47:44","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=1339"},"modified":"2020-12-21T15:47:44","modified_gmt":"2020-12-21T18:47:44","slug":"carreira-maturidade-longevidade-e-biografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/21\/carreira-maturidade-longevidade-e-biografia\/","title":{"rendered":"Carreira: maturidade, longevidade e biografia"},"content":{"rendered":"<p>As pesquisas e institui\u00e7\u00f5es nos trazem not\u00edcias de que o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o no Brasil e no mundo \u00e9 uma realidade. A longevidade nos traz desafios e nos oferece quest\u00f5es. O que farei com os anos p\u00f3s-aposentadoria? Conseguirei me aposentar? O que farei com os anos adicionais de vida? Como me sustentarei? Qual ser\u00e1 o impacto para os mais jovens?<\/p>\n<p>Os dados demogr\u00e1ficos indicam que estamos vivendo uma transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica. No Brasil, entre 1950 e 1975, a idade mediana da popula\u00e7\u00e3o estava pr\u00f3xima de 20 anos, significando que 50% da popula\u00e7\u00e3o tinham menos de 20 anos e somente 5% das pessoas estavam acima de 60 anos no pa\u00eds. Podia-se dizer que a estrutura et\u00e1ria brasileira era extremamente jovem.<\/p>\n<p>Segundo as proje\u00e7\u00f5es da ONU (2019), ao final do s\u00e9culo XXI, a idade mediana no Brasil estar\u00e1 acima de 50 anos, significando que metade da popula\u00e7\u00e3o ter\u00e1 mais de 50 anos e a propor\u00e7\u00e3o de idosos de 60 anos e acima estar\u00e1 em 40%. E o pa\u00eds ter\u00e1 uma estrutura et\u00e1ria envelhecida.<\/p>\n<p>Segundo relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a expectativa de vida ao nascer para a popula\u00e7\u00e3o mundial atingiu 72,6 anos em 2019, um avan\u00e7o de mais de oito anos desde 1990. Outras melhorias na sobreviv\u00eancia s\u00e3o projetadas para resultar em um tempo m\u00e9dio de vida global de cerca de 77,1 anos em 2050. Em 2018, pela primeira vez na hist\u00f3ria, as pessoas com 65 anos ou mais, em todo o mundo, superavam as crian\u00e7as com menos de cinco anos. As proje\u00e7\u00f5es indicam que, em 2050, haver\u00e1 mais do dobro de pessoas com mais de 65 anos do que crian\u00e7as com menos de cinco anos. At\u00e9 2050, o n\u00famero de pessoas com 65 anos ou mais em todo o mundo tamb\u00e9m ultrapassar\u00e1 o n\u00famero de adolescentes e jovens de 15 a 24 anos.<\/p>\n<p>Estima-se que no Brasil, esta transi\u00e7\u00e3o deve ocorrer em 2030 e que, entre 2015 e 2030, o grupo de idosos acima de 85 anos aumentar\u00e1 em um ritmo maior do que a popula\u00e7\u00e3o entre zero e 60 anos. Em 2020, j\u00e1 percebemos essa transforma\u00e7\u00e3o e v\u00e1rios movimentos t\u00eam surgido, por exemplo, o Maturi Jobs, como uma forma de inclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o 50+ no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>E o que esses dados significam? Que a sociedade, as organiza\u00e7\u00f5es e os indiv\u00edduos precisam se preparar para essa realidade, esse novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Dois professores da renomada escola de neg\u00f3cios London Business School (LBS), na Inglaterra, Lynda Gratton e Andrew Scott, v\u00eam estudando o tema da longevidade e lan\u00e7aram dois livros, sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas. Em 2016, publicaram o \u201cThe 100-Year Life \u2013 Living and Working in an Age of Longevity\u201d (\u201cA Vida Centen\u00e1ria \u2013 Viver e Trabalhar na Era da Longevidade\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre) e em maio de 2020, \u201cThe New Long Life: A Framework for Flourishing in a Changing World\u201d (A Nova Vida Longa: Uma Estrutura para Florescer em um Mundo em Mudan\u00e7a, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>No primeiro livro, os autores afirmam que estamos caminhando para o rompimento com a imagem de uma vida com tr\u00eas est\u00e1gios bem definidos: educa\u00e7\u00e3o, trabalho e aposentadoria. O estudo \u00e9 uma prepara\u00e7\u00e3o para o \u201cmercado de trabalho\u201d e trabalhamos visando a aposentadoria. Esse modelo est\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea j\u00e1 percebeu?<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o precisa estender-se e permear toda a vida, transformando-se de educa\u00e7\u00e3o receptiva em autoeduca\u00e7\u00e3o, no desenvolvimento de habilidades e agrega\u00e7\u00e3o de conhecimentos.\u00a0De\u00a0<em>lifelong learning<a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-5553323411877815548__ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em>\u00a0a\u00a0<em>lifewide learning<a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/u\/0\/#m_-5553323411877815548__ftn2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em>, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0 frase do c\u00e9lebre futurista Alvin Toffler, afirmando que \u201co analfabeto do\u00a0s\u00e9culo XXI n\u00e3o ser\u00e1 aquele que n\u00e3o sabe ler e escrever, mas aquele que n\u00e3o souber aprender, d esaprend er e reaprender\u201d.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rias formas de educa\u00e7\u00e3o poss\u00edveis (inclusive gratuitas, e com a pandemia as ofertas se multiplicaram). Tamb\u00e9m considero as viagens (quando voltarem a ser poss\u00edveis) e os relacionamentos como fontes de aprendizado e de autoconhecimento. E as leituras, tamb\u00e9m. Recomendo incluir outras, al\u00e9m e diferentes da sua \u00e1rea de interesse, as quais podem servir para ampliar seus horizontes e a criatividade.<\/p>\n<p>Para lidar com a \u201cvida centen\u00e1ria\u201d, Lynda e Andrew (os autores) criaram tr\u00eas blocos de ativos intang\u00edveis que precisamos cultivar, desde cedo, em nossa vida, a saber: Produtividade, Vitalidade e Transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ativo Produtividade engloba o conhecimento (t\u00e9cnico e habilidades), os pares e a reputa\u00e7\u00e3o. No ativo Vitalidade, encontram-se a sa\u00fade, o viver balanceado e os relacionamentos regenerativos (que nos energizam). Dentro do ativo Transforma\u00e7\u00e3o, est\u00e3o o autoconhecimento e as redes.<\/p>\n<p>Para refor\u00e7ar o cultivo desses ativos intang\u00edveis, um dos pontos de partida \u00e9 o desenvolvimento de h\u00e1bitos. Como aprendemos? Como podemos melhorar nossos h\u00e1bitos relacionados ao aprendizado? Como cuidamos de nossa sa\u00fade, de forma global? Que h\u00e1bitos podem nos levar a viver de forma balanceada?<\/p>\n<p>O conceito de trabalho tamb\u00e9m se transforma, com a possibilidade de exercermos diferentes atividades ao longo da vida. J\u00e1 podemos observar jovens que transitam entre empregos, empreendedorismo e momentos sab\u00e1ticos. Est\u00e1 cada vez mais forte a transi\u00e7\u00e3o do que chamamos de trabalho para uma conex\u00e3o com o prop\u00f3sito de vida.<\/p>\n<p>Pesquise em sua vida, lembrando o que aconteceu aos 18 anos e meio, aos 37 anos e aos 55 anos e 10 meses. Segundo os estudos de Biografia Humana, nestas idades acontece o nodo lunar (quando o sol e a lua est\u00e3o na mesma posi\u00e7\u00e3o de nosso nascimento), e podem ocorrer fatos que nos conectam \u00e0 nossa miss\u00e3o, voca\u00e7\u00e3o e profiss\u00e3o. Aos 18 anos e meio, podemos ter um vislumbre do nosso prop\u00f3sito, da nossa miss\u00e3o na vida. Aos 37 anos, ocorre um questionamento do exerc\u00edcio de nossa voca\u00e7\u00e3o (estamos na profiss\u00e3o correta?). E, no portal dos 55 anos e 10 meses, surge a vis\u00e3o de uma nova miss\u00e3o, para a fase seguinte a partir dos 63 anos.<\/p>\n<p>Como a aposentadoria, sonho de nossos pais, n\u00e3o est\u00e1 garantida e a expectativa de uma pens\u00e3o, seja do governo ou de uma empresa privada, est\u00e1 cada vez mais distante, precisaremos financiar nossos anos a mais de vida.<\/p>\n<p>No livro mais recente, The New Long Life: A Framework for Flourishing in a Changing World\u201d, os autores afirmam que ser\u00e1 a combina\u00e7\u00e3o entre tecnologia e longevidade que trar\u00e1 muitas quest\u00f5es sobre a carreira. O livro explora uma ampla estrutura sobre as dimens\u00f5es humanas de uma nova vida longa. Essa estrutura \u00e9 formada por cinco \u00e1reas principais, a saber: trabalhos e carreiras; envelhecimento; sa\u00fade; relacionamentos; e pioneiros.<\/p>\n<p>Para lidar com estas quest\u00f5es, precisamos voltar a pensar e repensar nossos h\u00e1bitos. Quais s\u00e3o as mudan\u00e7as que devemos fazer em nossos h\u00e1bitos de consumo, de poupan\u00e7a e de investimento? De dinheiro e de tempo! Dentre tantas incertezas, uma certeza se estabelece: se quisermos viver com qualidade a nossa longevidade, precisamos come\u00e7ar a investir j\u00e1!<\/p>\n<p>Ser\u00e3o necess\u00e1rios novos pressupostos e para desenvolv\u00ea-los, os autores sugerem tr\u00eas a\u00e7\u00f5es fundamentais (\u201cpedras de toque\u201d, em ingl\u00eas,\u00a0<em>touchstones<\/em>):<\/p>\n<p>1.\u00a0<strong>Narrar (Contar):<\/strong>\u00a0navegar nossa trajet\u00f3ria de vida. Criar uma narrativa, uma hist\u00f3ria, que confira significado \u00e0 nossa vida e ajude na navega\u00e7\u00e3o pelas escolhas que fazemos, considerando que a longevidade aumenta a dura\u00e7\u00e3o da vida e as rupturas tecnol\u00f3gicas criam transi\u00e7\u00f5es mais frequentes.\u00a0 Na minha experi\u00eancia, olhar para a biografia (hist\u00f3ria de vida) com uma vis\u00e3o panor\u00e2mica (passado, presente e futuro), apropriando-se dela, \u201ctomando a vida nas pr\u00f3prias m\u00e3os\u201d, pode contribuir para o desenho dessa narrativa. A partir de uma quest\u00e3o no presente, podemos encontrar no passado sementes, insights, para novas possibilidades de carreiras futuras. Sugiro procur\u00e1-las no per\u00edodo de 14 a 21 anos, quando a t\u00f4nica \u00e9 \u201co mundo \u00e9 verd adeiro&amp;r dquo; e o jovem entra em contato com seus ideais e tem um vislumbre do seu prop\u00f3sito (por volta dos 18 anos e meio, como j\u00e1 dissemos).<\/p>\n<p>2.\u00a0<strong>Explorar:<\/strong>\u00a0aprendizado e transforma\u00e7\u00e3o. Os seres humanos s\u00e3o propensos \u00e0 explora\u00e7\u00e3o. Neurocientistas encontraram uma parte do c\u00e9rebro que \u201cacende\u201d quando estamos envolvidos com novas informa\u00e7\u00f5es ou tarefas desafiadoras. Descobriram ainda que essa estimula\u00e7\u00e3o cerebral \u00e9 altamente motivante. Para lidar com as transi\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o, cada vez mais, parte de nossa vida precisaremos de curiosidade e coragem para aprender novas habilidades e experimentar novos comportamentos.<\/p>\n<p>3.\u00a0<strong>Relacionar-se:<\/strong>\u00a0conex\u00e3o profunda. O estudo de Harvard j\u00e1 citado (\u201cWhat makes a good life?\u201d) que acompanhou a vida de 250 homens durante 70 anos, mostrou que o fator mais importante para a longevidade e envelhecimento saud\u00e1vel era o n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o com os relacionamentos. Os autores afirmam que nossos relacionamentos criam um senso de pertencimento e de aprecia\u00e7\u00e3o. Quando somos amados e amamos outros, nos sentimos apreciados, felizes, cuidados e compreendidos.<\/p>\n<p>E voc\u00ea? Como tem se preparado para a longevidade? Qual ser\u00e1 sua pr\u00f3xima carreira? E sua sa\u00fade, quanto tem investido de tempo nela?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/ficarbemaos40.comandonews.com.br\/2020\/09\/15\/carreira-maturidade-longevidade-e-biografia\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pesquisas e institui\u00e7\u00f5es nos trazem not\u00edcias de que o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o no Brasil e no mundo \u00e9 uma realidade. 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