{"id":1433,"date":"2020-12-21T16:30:18","date_gmt":"2020-12-21T19:30:18","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=1433"},"modified":"2020-12-21T16:30:18","modified_gmt":"2020-12-21T19:30:18","slug":"o-impacto-do-novo-normal-pos-covid-nos-negocios-sob-a-perspectiva-do-pensamento-sistemico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/21\/o-impacto-do-novo-normal-pos-covid-nos-negocios-sob-a-perspectiva-do-pensamento-sistemico\/","title":{"rendered":"O impacto do Novo Normal (p\u00f3s-COVID) nos neg\u00f3cios sob a perspectiva do pensamento sist\u00eamico"},"content":{"rendered":"<p>Adoto o pensamento sist\u00eamico como base para a reflex\u00e3o sobre as organiza\u00e7\u00f5es de hoje e do futuro. Como consultora, geralmente, opto por uma linguagem subjacente para contemplar os elementos que este tipo de pensamento traz a abordagens mais objetivas e ferramentais exigidas pela minha atua\u00e7\u00e3o em empresas tradicionais que precisam aprender a inovar.<\/p>\n<p>Com a crise do coronavirus, a vis\u00e3o sist\u00eamica tornou-se ainda mais relevante. De repente, sistemas antes eficientes baseados em tecnologias dominadas tornaram-se obsoletos em poucos dias. Em movimentos desesperados, alguns clientes que resistiam \u00e0s solu\u00e7\u00f5es digitais passaram a adot\u00e1-las rapidamente, ainda que de forma pouco coordenada. Com um novo padr\u00e3o de consumo, novas agendas de sobreviv\u00eancia surgiram. Mesmo em um momento de urg\u00eancia que exige a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, a maioria das medidas empresariais parecem ou erradas ou in\u00fateis. Perdidos, executivos come\u00e7am a questionar o futuro, mas para isso, precisam buscar outros tipos de conhecimentos para pensarem em medidas mais duradouras, al\u00e9m das conting\u00eancias.<\/p>\n<p>Neste contexto, a mudan\u00e7a que pensadores e profissionais como eu j\u00e1 propag\u00e1vamos (e que pareciam ainda especulativas por falta de exemplos mais pr\u00f3ximos a cada setor da economia), passa a fazer sentido e se materializa para diversos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>E como as empresas podem se preparar para este mundo novo que podemos vivenciar por uma janela aberta pela COVID-19? Este artigo tem o objetivo de responder esta pergunta conceitualmente a partir do pensamento sist\u00eamico, em especial o elegante (e, portanto, simples) modelo delineado por Peter Senge.<\/p>\n<p>Em seu modelo de\u00a0<em>iceberg<\/em>, o autor explica que eventos acontecem em um sistema a partir de padr\u00f5es de comportamentos que existem a partir de estruturas do pr\u00f3prio sistema e que s\u00e3o formadas por modelos mentais que formam a cultura. O modelo de Senge vai do macro ao micro, do sistema maior (econ\u00f4mico ou organizacional) at\u00e9 o indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Com a COVID-19, as estruturas que sustentavam o nosso sistema econ\u00f4mico foram abaladas (pense nas milhares de pessoas que assistiram a\u00a0<em>live\u00a0<\/em>de quarentena da Sandy e Junior sem precisar da Rede Globo). Algumas, eliminadas (pense na quantidade de pessoas que n\u00e3o precisa mais de uma sala de aula para aprender).<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo \u2014 tanto como causa, quanto como consequ\u00eancia das pr\u00f3prias estruturas \u2014 os modelos mentais est\u00e3o se alterando: indiv\u00edduos est\u00e3o aprendendo novos valores e novas formas de relacionamento e mudando sua percep\u00e7\u00e3o de valor. Vozes que soavam baixo ganham coro, agora, por discutirem novos tipos de solu\u00e7\u00f5es e abordagens (pense nos grupos colaborativos que se formam durante a crise para solucionarem problemas sociais). Novas conex\u00f5es se estabelecem trazendo novos aprendizados que ter\u00e3o continuidade no futuro: esta \u00e9 a base do\u00a0<strong>novo normal<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Mas este novo normal substituir\u00e1 totalmente o nosso modelo de vida e de neg\u00f3cios anteriores?<\/strong>\u00a0Acredito que ao responder a esta pergunta, muitas empresas ir\u00e3o errar. Tenho visto cen\u00e1rios de futuro elaborados pelas empresas ainda baseados em paradigmas do passado.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, precisamos assumir que a crise n\u00e3o \u2018vai passar\u2019 simplesmente. Medicamentos e vacinas n\u00e3o s\u00e3o criados do dia para a noite, portanto, teremos est\u00e1gios de evolu\u00e7\u00e3o que ir\u00e3o da crise mais aguda atual, passando pela retomada parcial da \u2018vida com o coronavirus ainda \u00e0 espreita\u2019 at\u00e9 chegarmos a um ponto no qual o v\u00edrus n\u00e3o ser\u00e1 mais um risco importante. Isso pode levar de 1 a 2 anos, ou seja, tempo suficiente para mudar a percep\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias pessoas sobre o nosso modelo de vida e sociedade.<\/p>\n<p>A partir do in\u00edcio do per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o algumas pessoas voltar\u00e3o a consumir e a viver em moldes parecidos com os anteriores, mesmo com algumas novas pr\u00e1ticas de uso de m\u00e1scaras e \u00e1lcool gel para ir ao trabalho ou ao shopping. Isso gerar\u00e1 a falsa impress\u00e3o de que estaremos no caminho do mesmo padr\u00e3o de consumo no qual est\u00e1vamos antes da crise. Isso nos far\u00e1 falhar em nossas an\u00e1lises.<\/p>\n<p><strong>Sugiro uma pista quando quiser saber se est\u00e1 no caminho correto: se, conforme a crise evoluir, voc\u00ea e sua empresa voltarem a operar com os mesmos processos e propostas de valor que propunham antes da COVID-19, provavelmente, estar\u00e3o caminhando para o fracasso.<\/strong><\/p>\n<p>Como citei anteriormente, diversos modelos mentais v\u00e3o mudar. Em todo o mundo, milhares de pessoas demitidas j\u00e1 despejam conhecimento e capacidades no mercado e, em breve, se tornar\u00e3o concorrentes de seus antigos empregadores. Comunidades j\u00e1 se organizam de forma virtual e cooperativa para criarem solu\u00e7\u00f5es reais. Os conhecimentos de alto n\u00edvel (cient\u00edfico, social e filos\u00f3fico) antes pouco valorizados por\u00a0<em>Wall Streeters\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Faria Limers\u00a0<\/em>j\u00e1 correm soltos e formam grupos que os propagam e que exigir\u00e3o novas formas de relacionamento entre empresas e indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>O ano de 2020 deve ser o ano de maior aprendizado que algumas sociedades tiveram at\u00e9 hoje. Este conhecimento estar\u00e1 nas ruas, em cada funcion\u00e1rio e em cada cliente. \u00c9 um conhecimento que aproxima as pessoas independentemente das classes sociais, ao mesmo tempo em que separa aquelas que n\u00e3o conseguirem aprender a pensar de forma respons\u00e1vel perante a sociedade e perante cada indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Este modelo mental crescer\u00e1, desenvolver\u00e1 novas culturas, novas tribos e potencializar\u00e1 novas estruturas. Algumas delas, inclusive, j\u00e1 existiam antes, mas com menor for\u00e7a, tais como grupos de colabora\u00e7\u00e3o para o trabalho (como j\u00e1 acontecia nas comunidades de aprendizado), para a inova\u00e7\u00e3o (como nos ecossistemas de\u00a0<em>startups<\/em>) e at\u00e9 para a conviv\u00eancia no dia a dia (como comunidades de coexist\u00eancia).<\/p>\n<p>A partir desses movimentos, a inova\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ter mais frentes de origem e se acelerar\u00e1, aumentando, portanto, a concorr\u00eancia por profissionais e por mercados. Ao mesmo tempo, a transforma\u00e7\u00e3o digital que se acelera com a crise amea\u00e7ar\u00e1 fortemente alguns modelos de neg\u00f3cios e postos de trabalho tradicionais e criar\u00e1 novas demandas profissionais. Cadeias produtivas ser\u00e3o totalmente revistas e as empresas ter\u00e3o que abra\u00e7ar as mudan\u00e7as ou morrer.<\/p>\n<p><strong>O fidigital (uni\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es em meios f\u00edsico e digital) j\u00e1 \u00e9 o novo normal. Uma nova \u201ceconomia da sa\u00fade\u201d surgir\u00e1 trazendo oportunidades e amea\u00e7as a diversos setores. Caso n\u00e3o impacte o seu diretamente, voc\u00ea correr\u00e1 o risco de ficar como o \u2018sapo na panela\u2019, sem perceber que o seu ambiente de neg\u00f3cios tamb\u00e9m j\u00e1 foi alterado. Acredite, chegar\u00e1 a sua vez.<\/strong><\/p>\n<p>Quando exatamente o seu setor ser\u00e1 impactado? N\u00e3o sei dizer. Na verdade, a previs\u00e3o desta data n\u00e3o \u00e9 importante. O que importa \u00e9 saber que j\u00e1 h\u00e1, hoje, empresas realizando esta virada. Use a l\u00f3gica que as finan\u00e7as corporativas nos ensinam: o valor de um neg\u00f3cio \u00e9 dado pela expectativa futura de seu fluxo de caixa. E, quando se consegue quantificar a redu\u00e7\u00e3o nas expectativas, pode ser tarde demais.<\/p>\n<p>Certamente, voc\u00ea j\u00e1 ouviu tudo isso antes. Este discurso existe na Administra\u00e7\u00e3o h\u00e1 v\u00e1rios anos, mas era de dif\u00edcil materializa\u00e7\u00e3o at\u00e9 agora. Profissionais e estudiosos de diversas \u00e1reas j\u00e1 explicaram partes \u2014 ou at\u00e9 a totalidade \u2014 desses movimentos de formas diversas. Ser\u00e1 que voc\u00ea e sua empresa entender\u00e3o desta vez?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/medium.com\/@renata_barcelos?source=follow_footer--------------------------follow_footer-\">\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Escrito por<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/medium.com\/@renata_barcelos?source=follow_footer--------------------------follow_footer-\">Renata Barcelos<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Professora e pesquisadora nas \u00e1reas de estrat\u00e9gia e pensamento sist\u00eamico. Professor and researcher: strategy &amp; systems thinking. PhD in Business Administration.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adoto o pensamento sist\u00eamico como base para a reflex\u00e3o sobre as organiza\u00e7\u00f5es de hoje e do futuro. Como consultora, geralmente, opto por uma linguagem subjacente para contemplar os elementos que este tipo de pensamento traz a abordagens mais objetivas e ferramentais exigidas pela minha atua\u00e7\u00e3o em empresas tradicionais que precisam aprender a inovar. 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