{"id":3158,"date":"2023-03-08T11:34:52","date_gmt":"2023-03-08T14:34:52","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/novo\/?p=3158"},"modified":"2023-03-10T10:05:10","modified_gmt":"2023-03-10T13:05:10","slug":"encarando-os-estereotipos-e-preconceitos-para-evitar-a-discriminacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2023\/03\/08\/encarando-os-estereotipos-e-preconceitos-para-evitar-a-discriminacao\/","title":{"rendered":"Especial Dia da Mulher: Encarando os estere\u00f3tipos e preconceitos para evitar a discrimina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cO cuidado com a linguagem tamb\u00e9m faz parte da constru\u00e7\u00e3o da sociedade inclusiva.\u201d\u00a0Michel Foucault, 1995<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pensando no Dia Internacional da Mulher, trago algumas reflex\u00f5es sobre o uso que fazemos da linguagem e os impactos dela na vida cotidiana e na sociedade.<\/p>\n<p>Entendemos a linguagem como algo natural j\u00e1 que, diferente das l\u00ednguas estrangeiras, n\u00e3o vamos a uma escola para aprender a falar. Na alfabetiza\u00e7\u00e3o, aprendemos a ler e entender o significado das palavras, mas o ato de falar \u00e9 aprendido primeiro no conv\u00edvio na fam\u00edlia, depois na escola e na sociedade. Na vis\u00e3o da Biografia Humana, na fase de 7 aos 14 anos, estamos receptivos \u00e0s cren\u00e7as e valores da fam\u00edlia e da sociedade que s\u00e3o incorporados por n\u00f3s, sem nos darmos conta.<\/p>\n<p>Esse tema despertou minha aten\u00e7\u00e3o quando li o Gloss\u00e1rio Coletivo de Enfrentamento ao Idadismo, idealizado e organizado pela Longevida. Nele, os autores apresentam v\u00e1rias palavras, express\u00f5es e frases usadas no dia a dia, principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos idosos e que embutem preconceitos.<\/p>\n<p>No Relat\u00f3rio Mundial sobre o Idadismo, a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (OPAS) registra que \u201co idadismo se refere a estere\u00f3tipos (como pensamos), preconceitos (como nos sentimos) e discrimina\u00e7\u00e3o (como agimos) direcionadas \u00e0s pessoas com base na idade que t\u00eam.\u201d<\/p>\n<p>Ressalta ainda que \u201co idadismo pode ser institucional, interpessoal ou contra si pr\u00f3prio\u201d. O idadismo institucional \u201cse refere \u00e0s leis, regras, normas sociais, pol\u00edticas e pr\u00e1ticas institucionais que restringem injustamente as oportunidades e prejudicam sistematicamente indiv\u00edduos em fun\u00e7\u00e3o da idade deles\u201d. O idadismo interpessoal \u201csurge em intera\u00e7\u00f5es entre dois ou mais indiv\u00edduos, enquanto o direcionado contra si pr\u00f3prio ocorre quando o idadismo \u00e9 internalizado pela pessoa e usado contra ela mesma.\u201d<\/p>\n<p>Quando nos conscientizamos sobre nossa fala, estamos atuando no idadismo interpessoal, evitando que nossas palavras sejam discriminat\u00f3rias ou preconceituosas. Pensando nas bases da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, ao iniciar qualquer conversa com observa\u00e7\u00f5es, sem r\u00f3tulos ou pr\u00e9-julgamentos, podemos conseguir uma abertura da outra pessoa para nos ouvir.<\/p>\n<p>Express\u00f5es t\u00e3o cotidianas como \u201cconservada\u201d ou \u201cbonitona para sua idade\u201d trazem em si o preconceito de que uma mulher idosa n\u00e3o pode ter boa apar\u00eancia. Da mesma forma, existem as cren\u00e7as de que mulheres idosas n\u00e3o podem ter cabelos compridos ou usar roupas coloridas porque n\u00e3o seria apropriado. E quem define isso? Cada pessoa pode ter seu conjunto de valores e cren\u00e7as desde que n\u00e3o interfira nos de outra pessoa.<\/p>\n<p>Alguns ditados populares refor\u00e7am a discrimina\u00e7\u00e3o, por exemplo, \u201cpanela velha \u00e9 que faz comida boa\u201d, no qual, al\u00e9m de tratar a pessoa idosa como objeto, conclui que as boas pr\u00e1ticas (inclusive sexuais) da pessoa s\u00e3o decorrentes dos muitos anos de vida.<\/p>\n<p>Eu mesma me dei conta de que, quando digo \u00e0 uma pessoa idosa \u201cquero chegar assim \u00e0 sua idade\u201d, estou dizendo indiretamente que a apar\u00eancia dela n\u00e3o corresponde \u00e0 expectativa que constru\u00ed em minhas cren\u00e7as. Qual seria?<\/p>\n<p>Existe ainda a express\u00e3o \u201ctoda mulher, depois dos 50 anos, se torna loura\u201d que indica que as mulheres pintam os cabelos de louro para esconder os brancos que v\u00e3o surgindo. A pr\u00f3pria palavra \u201cesconder\u201d traz em si a exig\u00eancia de uma apar\u00eancia mais jovem. A resposta de muitas mulheres tem sido deixar os cabelos brancos. Eu prefiro os vermelhos e acredito que a escolha da cor precisa vir do gosto pessoal e n\u00e3o de uma conven\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Quais outras express\u00f5es voc\u00ea usa e que embutem preconceitos?<\/p>\n<p>Pare para pensar e vamos juntas e juntos criar uma nova realidade!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<br \/>\n.Gloss\u00e1rio Coletivo de Enfrentamento ao Idadismo \u2013 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o &#8211; Longevida<br \/>\n.<a href=\"https:\/\/www.longevida.ong.br\/glossario_idadismo.pdf\">https:\/\/www.longevida.ong.br\/glossario_idadismo.pdf<\/a><br \/>\n.Relat\u00f3rio Mundial sobre o Idadismo \u2013 OPAS<br \/>\n.<a href=\"https:\/\/iris.paho.org\/handle\/10665.2\/55872\">https:\/\/iris.paho.org\/handle\/10665.2\/55872<\/a><br \/>\n.Imagem de Gerd Altmann por Pixabay<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cO cuidado com a linguagem tamb\u00e9m faz parte da constru\u00e7\u00e3o da sociedade inclusiva.\u201d\u00a0Michel Foucault, 1995 &nbsp; Pensando no Dia Internacional da Mulher, trago algumas reflex\u00f5es sobre o uso que fazemos da linguagem e os impactos dela na vida cotidiana e na sociedade. 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