{"id":3337,"date":"2023-05-23T10:10:57","date_gmt":"2023-05-23T13:10:57","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/novo\/?p=3337"},"modified":"2023-05-23T10:12:45","modified_gmt":"2023-05-23T13:12:45","slug":"idadismo-o-que-eu-tenho-a-ver-com-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2023\/05\/23\/idadismo-o-que-eu-tenho-a-ver-com-isso\/","title":{"rendered":"Idadismo: o que eu tenho a ver com isso?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">\u201cA idade \u00e9 a \u00fanica categoria social que identifica subgrupos aos quais todos podemos eventualmente ingressar.\u201d (M. S. North &amp; S. T. Fiske)<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1960, duas pessoas de diferentes g\u00eaneros e forma\u00e7\u00f5es, separadas por um oceano, escreveram sobre a forma como as pessoas idosas eram tratadas.<\/p>\n<p>Simone de Beauvoir, mulher, francesa, 61 anos (em 1969), intelectual e fil\u00f3sofa existencialista, escreveu o livro \u201cA Velhice\u201d, no qual apresenta a evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia que estuda a velhice (gerontologia) e analisa como as sociedades \u201cprimitivas\u201d (estudadas pela Antropologia e sem contato com a civiliza\u00e7\u00e3o) tratavam os seus membros mais velhos. No livro, a autora tamb\u00e9m mostra a forma de tratamento das pessoas mais velhas, a partir de poetas e escritores, analisando extratos de seus textos, nos quais falavam da velhice.<\/p>\n<p>Robert N. Butler, homem, norte americano, 42 anos (em 1969), m\u00e9dico, gerontologista e psiquiatra, escreveu um artigo sobre suas impress\u00f5es acerca das rea\u00e7\u00f5es das pessoas da comunidade do entorno (em Washington, EUA) ao saberem que um edif\u00edcio pr\u00f3ximo seria destinado a receber pessoas idosas. Para expressar o \u201cfen\u00f4meno\u201d observado, ele cunhou a palavra \u201cage-ism\u201d, juntando a palavra \u201cage\u201d (idade) ao sufixo \u201c-ism\u201d j\u00e1 usado em outras palavras que designam preconceitos ou movimentos (racismo, sexismo, feminismo etc.). No texto, o autor comenta sobre o preconceito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas idosas, mas registra a possibilidade de outras faixas et\u00e1rias, por exemplo, os jovens, tamb\u00e9m serem v\u00edtimas dele.<\/p>\n<p>Em portugu\u00eas, v\u00e1rias palavras v\u00eam sendo usadas para expressar essa condi\u00e7\u00e3o: age\u00edsmo, etarismo e idadismo.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (OPAS) escolheu a palavra idadismo ao emitir o Relat\u00f3rio Mundial sobre o tema, registrando que \u201co idadismo se refere a estere\u00f3tipos (como pensamos), preconceitos (como nos sentimos) e discrimina\u00e7\u00e3o (como agimos) direcionadas \u00e0s pessoas com base na idade que t\u00eam.\u201d<\/p>\n<p>Por que o idadismo est\u00e1 cada vez mais presente e vis\u00edvel? A explica\u00e7\u00e3o pode ser dada pela demografia e pela longevidade. O Brasil acompanha a tend\u00eancia mundial de crescimento da faixa 65+ (pessoas acima de 65 anos) que \u00e9 proporcionalmente maior do que as curvas relacionadas \u00e0s outras faixas et\u00e1rias. As proje\u00e7\u00f5es indicam que, por volta de 2030, a popula\u00e7\u00e3o de 65+ ultrapassar\u00e1 a faixa de 15 a 24 anos e, em 2040, a faixa de 0 a 14 anos; ocorrendo uma invers\u00e3o, com mais idosos compondo a popula\u00e7\u00e3o do que crian\u00e7as (0 a 14 anos).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3338 aligncenter\" src=\"http:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Grafico-Angela-23.05.23-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"527\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Grafico-Angela-23.05.23-300x210.jpg 300w, https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Grafico-Angela-23.05.23-1024x716.jpg 1024w, https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Grafico-Angela-23.05.23-768x537.jpg 768w, https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Grafico-Angela-23.05.23.jpg 1166w\" sizes=\"(max-width: 527px) 100vw, 527px\" \/><\/p>\n<p>A expectativa de vida ao nascer saltar\u00e1 de 73,4 anos em 2022, para 79,9 anos em 2062, configurando um aumento aproximado de 10%. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 expectativa de vida aos 80 anos, em 2022 projeta-se um valor de mais 6,7 anos e em 2042, mais 8,4 anos. Esses valores est\u00e3o relacionados ao aumento da longevidade e implicam no crescimento do quantitativo de pessoas acima de 60 anos na distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Em consequ\u00eancia, pode-se esperar que o idadismo fique cada vez mais vis\u00edvel, porque poder\u00e1 atingir um n\u00famero maior de pessoas. Ainda segundo a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), a popula\u00e7\u00e3o do Brasil apresentava em 2022, uma idade m\u00e9dia de 33,2 anos, sendo que daqui a 20 anos (em 2042), esse valor ser\u00e1 de 41 anos, demonstrando um envelhecimento da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>E o que n\u00f3s temos a ver com o idadismo? O preconceito relacionado \u00e0 idade pode ter um impacto significativo na economia e na sociedade em geral. Segundo alguns estudos apresentados no Relat\u00f3rio Mundial da OPAS, o idadismo custa bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0 sociedade todos os anos, uma vez que retira milh\u00f5es de pessoas da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa e limita a sua possibilidade de gera\u00e7\u00e3o de valor. No conv\u00edvio social, a linguagem pode ser fonte de express\u00e3o de estere\u00f3tipos e preconceitos (ver artigo \u201cEncarando os estere\u00f3tipos e preconceitos para evitar a discrimina\u00e7\u00e3o\u201d). No Brasil, v\u00e1rios itens do Estatuto do Idoso foram alterados por projeto de lei em 2022, inclusive o nome que passou a ser Estatuto da Pessoa Idosa, evitando-se o r\u00f3tulo.<\/p>\n<p>A resposta para evitarmos o idadismo est\u00e1 em nossas mentes, cora\u00e7\u00f5es e m\u00e3os. \u00c0 medida que elevamos nosso n\u00edvel de consci\u00eancia poderemos passar a perceber quando pensamos de forma estereotipada, quando os preconceitos se manifestam em nossos sentimentos e quando agimos de forma discriminat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<br \/>\n. Simone de Beauvoir. A velhice. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.<br \/>\n. Richard N. Butler. Age-ism: Another form of bigotry. The Gerontologist, v. 9, p. 243\u2013246, 1969.<br \/>\n. Relat\u00f3rio Mundial sobre o Idadismo \u2013 OPAS:\u00a0 <a href=\"https:\/\/iris.paho.org\/handle\/10665.2\/55872\">https:\/\/iris.paho.org\/handle\/10665.2\/55872<\/a><br \/>\n. Artigo \u201c<a href=\"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2023\/03\/08\/encarando-os-estereotipos-e-preconceitos-para-evitar-a-discriminacao\/\">Encarando os estere\u00f3tipos e preconceitos para evitar a discrimina\u00e7\u00e3o\u201d<\/a><br \/>\n. Gr\u00e1fico (fonte): <a href=\"https:\/\/population.un.org\/wpp\/\">https:\/\/population.un.org\/wpp\/<\/a><br \/>\n. Imagem: Gerd Altmann por Pixabay<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA idade \u00e9 a \u00fanica categoria social que identifica subgrupos aos quais todos podemos eventualmente ingressar.\u201d (M. S. North &amp; S. T. Fiske) No final da d\u00e9cada de 1960, duas pessoas de diferentes g\u00eaneros e forma\u00e7\u00f5es, separadas por um oceano, escreveram sobre a forma como as pessoas idosas eram tratadas. 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