{"id":443,"date":"2020-12-16T19:43:44","date_gmt":"2020-12-16T22:43:44","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=443"},"modified":"2020-12-16T20:04:16","modified_gmt":"2020-12-16T23:04:16","slug":"lacos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/16\/lacos\/","title":{"rendered":"La\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p><strong>La\u00e7os\u2026 Compromisso e Comprometimentos<\/strong>, t\u00eam sido temas bastante discutidos, ultimamente.<br \/>\nTenho visto o quanto a palavra \u201ccompromisso\u201d tem gerado profundo mal estar em algumas pessoas.<br \/>\nUm termo t\u00e3o pleno de significantes significados, t\u00e3o humano, tornou-se, de repente, quase maldito!<br \/>\nMelhor diz\u00ea-lo bem\u2026<br \/>\n\u00c9 imposs\u00edvel tentar realizar o mito de ser sozinho. Pura fantasia!<br \/>\nFato irrefut\u00e1vel: somos humanos, portanto, seres de \u201ccom\/viv\u00eancias\u201d\u2026<\/p>\n<p>De que ser\u00e1 que temos medo? Pois \u00e9 por medo, suponho que evitamos nos comprometer.<br \/>\nMedo de n\u00e3o sermos correspondidos, talvez.<br \/>\nMas como sermos correspondidos se julgamos nada ter a oferecer ou quando pensamos n\u00e3o ser o Outro merecedor do que temos a ofertar?<br \/>\nNeste momento paro e penso:<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m \u00e9 suficientemente pobre que n\u00e3o tenha nada a oferecer, nem desmesuradamente rico que nada tenha a receber.<\/p>\n<p>Parece que nossa \u201cpalavra de honra\u201d est\u00e1 com seus dias contados, desmerecida, esvaziada, at\u00e9 mesmo ridicularizada. Um horror!<br \/>\n\u00c9 preciso consideramos tamb\u00e9m, a \u201cReciprocidade\u201d.<br \/>\nSem este compromisso do Outro para conosco, ser\u00edamos lan\u00e7ados ao desamparo absoluto. Coisa terr\u00edvel, esta sim, o desamparo. Aquele que desde cedo lutamos para evitar. Por sobreviv\u00eancia mesmo.<\/p>\n<p>Pensemos agora no \u201cComprometimento\u201d\u2026<br \/>\nNo mundo corporativo, por exemplo, temos uma s\u00e9rie de compromissos, uma s\u00e9rie de tarefas, por assim dizer.<br \/>\nJ\u00e1 o comprometimento \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que estabelecemos com estes compromissos.<br \/>\nUma vez envolvidos e motivados, compromissos fazem parte desta rica alian\u00e7a de pertencimento. Eis que nos encontramos naturalmente comprometidos com causas, pessoas, objetivos e sonhos. Humanos\u2026<br \/>\nFunciona assim com nossos afetos tamb\u00e9m. Somos os mesmos, onde quer que estejamos\u2026<br \/>\nA partir deste ponto, basta que nos mantenhamos fi\u00e9is a n\u00f3s mesmos, simplesmente. Um novo ponto de vista, uma nova cena, mais arejada, aqui se apresenta.<br \/>\nPrecisamos ser sinceros conosco e, portanto, com os Outros.<br \/>\nSe por algum motivo come\u00e7armos a questionar nossa motiva\u00e7\u00e3o, est\u00e1 na hora de repensarmos se as causas ainda fazem sentido para n\u00f3s, se os objetivos ainda s\u00e3o os mesmos, se as regras est\u00e3o de acordo com nossos valores atuais.<br \/>\nN\u00e3o conseguimos fugir de n\u00f3s mesmos. Nem vale a pena tentar\u2026<\/p>\n<p>Objetivos em mente, identificados com causas e valores pessoais que nos representem, podemos dizer: \u201cterra \u00e0 vista\u201d, sem medo de naufragarmos.<br \/>\nA vontade de pertencer, a \u00e9tica, o afeto e a comunica\u00e7\u00e3o nos bastam.<br \/>\nParece muito, mas s\u00e3o atributos que j\u00e1 nos constituem. Fazem parte de nossa natureza.<\/p>\n<p>Lembro aqui um pequeno extrato de texto do fil\u00f3sofo franc\u00eas Paul Ricouer (1913\/2005):<br \/>\n\u201cQuem diz iniciativa diz responsabilidade. Toda a iniciativa \u00e9 uma inten\u00e7\u00e3o de fazer e, como tal, um compromisso a fazer, portanto, uma promessa que eu fa\u00e7o silenciosamente a mim mesmo e tacitamente a outrem. A promessa \u00e9 a \u00e9tica da iniciativa.\u201d<\/p>\n<p>Depender\u2026 dependemos mesmo \u00e9 das rela\u00e7\u00f5es que estabelecemos, das atitudes, do querer fazer parte de\u2026 O fato do pertencimento \u00e9, por si s\u00f3, constituinte do nosso ser. Fato.<br \/>\nIsto demanda sim uma boa dose de dedica\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e senso de responsabilidade, com aquilo ou com quem, nos comprometemos.<br \/>\nPara que complicarmos? Somos greg\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o nego aqui a necessidade fundamental de nos pensarmos como indiv\u00edduos. Mas n\u00e3o s\u00f3(s). Pelo simples fato de nos engendramos uns aos outros.<\/p>\n<p>O medo da depend\u00eancia me parece ser uma forma de \u201cre-atualiz\u00e1-la\u201d. Seja em nossas rela\u00e7\u00f5es afetivas, familiares, ou corporativas.<br \/>\nParece ser tamb\u00e9m uma falsa quest\u00e3o, uma vez que esta condi\u00e7\u00e3o nos \u00e9 dada desde nossa \u201cpr\u00e9-hist\u00f3ria\u2019 individual.<br \/>\nSomos seres de pertencimento. Este \u00e9 nosso tecido, n\u00e3o nossa armadilha.<\/p>\n<p>Sem nos lan\u00e7armos nesta empreitada, a de nos comprometermos conosco e com os Outros, viveremos \u00e0 deriva em nosso barco falsamente chamado de Liberdade.<br \/>\nSem amarras, \u00e9 bem verdade, mas tamb\u00e9m sem la\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La\u00e7os\u2026 Compromisso e Comprometimentos, t\u00eam sido temas bastante discutidos, ultimamente. Tenho visto o quanto a palavra \u201ccompromisso\u201d tem gerado profundo mal estar em algumas pessoas. 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