{"id":530,"date":"2020-12-17T00:38:54","date_gmt":"2020-12-17T03:38:54","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=530"},"modified":"2020-12-17T00:38:54","modified_gmt":"2020-12-17T03:38:54","slug":"emocoes-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/17\/emocoes-e-saude\/","title":{"rendered":"Emo\u00e7\u00f5es e sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Leonardo Da Vinci no s\u00e9culo XVI disse: \u201cO homem \u00e9 um. \u00c9 corpo e alma\u201d. No s\u00e9culo seguinte, Spinoza ratificou que esp\u00edrito e corpo deviam ter raiz comum. Por v\u00e1rias raz\u00f5es, sobretudo religiosas, a ci\u00eancia manteve uma separa\u00e7\u00e3o entre corpo e esp\u00edrito. A posi\u00e7\u00e3o de Da Vinci e Spinoza, profunda e corajosa para a \u00e9poca, permaneceu incompreendida e durante muito tempo o dualismo cartesiano perdurou.<\/p>\n<p>Desde o nascimento somos nutridos tanto de emo\u00e7\u00f5es como de leite. Freud demonstrou como as primeiras emo\u00e7\u00f5es estruturam a personalidade. Na vida adulta, evolu\u00edmos a partir das emo\u00e7\u00f5es vividas na fase de crescimento. Uma das primeiras vantagens da maturidade e da experi\u00eancia \u00e9 saber identificar nossas emo\u00e7\u00f5es e, em alguns casos, domestic\u00e1-las progressivamente.<\/p>\n<p>As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o inerentes ao ser que, segundo estudiosos, est\u00e3o inscritas no patrim\u00f4nio gen\u00e9tico. Para Darwin, existiriam seis emo\u00e7\u00f5es comuns \u00e0 humanidade: alegria, tristeza, surpresa, medo, desgosto e raiva. H\u00e1 quem associe essa vis\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es \u00e0 das cores. A variedade de matizes seria uma mistura entre as cores de base. No caso das emo\u00e7\u00f5es, as tonalidades seriam infinitas.<\/p>\n<p>No plano cient\u00edfico a emo\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um mist\u00e9rio. Trata-se, a nosso ver, de uma mistura fisiol\u00f3gica complexa de horm\u00f4nios, neurotransmissores, neur\u00f4nios e circuitos neurocerebrais especiais transferidos a todos os \u00f3rg\u00e3os e tecidos do corpo, somada a fatores psicol\u00f3gicos. As emo\u00e7\u00f5es determinam nossos atos, nos d\u00e3o a energia para agir, amar, viver, mas tamb\u00e9m para sofrer e adoecer. Muitas vezes somos obrigados a n\u00e3o demonstr\u00e1-las e, sobretudo, a fre\u00e1-las. Como se fosse poss\u00edvel esconder uma emo\u00e7\u00e3o. Cada vez mais os m\u00e9dicos percebem a estreita rela\u00e7\u00e3o entre as emo\u00e7\u00f5es e a sa\u00fade.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 fazendo mal \u00e0 sa\u00fade do brasileiro. Com exce\u00e7\u00e3o da alegria, as demais emo\u00e7\u00f5es descritas por Darwin est\u00e3o sendo vividas pela popula\u00e7\u00e3o de forma intensa _ todas decorrentes de recess\u00e3o econ\u00f4mica, fal\u00eancias, instabilidade pol\u00edtica, desemprego elevado, banaliza\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, infla\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia etc.<\/p>\n<p>Darwin tamb\u00e9m dizia que somos produtos do meio ambiente. Hoje, no Brasil, esse ambiente \u00e9 rico em condi\u00e7\u00f5es que agu\u00e7am emo\u00e7\u00f5es negativas e abrem as portas do corpo para as mais diversas doen\u00e7as, dependendo das individualidades. Quantos brasileiros j\u00e1 sucumbiram em fun\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio que nos \u00e9 oferecido? Em recente estudo desenvolvido em nossas cl\u00ednicas, observamos que comparativamente ao primeiro semestre de 2014, a depress\u00e3o cresceu 30% em 2015 na popula\u00e7\u00e3o de dez mil indiv\u00edduos que realizaram check-ups m\u00e9dicos. A ansiedade atingiu 32% dos clientes contra os 20% registrados anteriormente. J\u00e1 a ins\u00f4nia \u00e9 relatada por 25% dos examinados _ maior que os 21% de antes. O percentual de pessoas que adotam a automedica\u00e7\u00e3o passou de 10% para 18%, sendo que os medicamentos mais utilizados s\u00e3o os analg\u00e9sicos, anti\u00e1cidos, aqueles voltados para os dist\u00farbios de ere\u00e7\u00e3o, os ansiol\u00edticos e os antidepressivos.<\/p>\n<p>Cada momento da nossa vida \u00e9 colorido pelas emo\u00e7\u00f5es. No Brasil de hoje as vivemos em preto e branco. Diante de tantas emo\u00e7\u00f5es negativas \u00e9 preciso encontrar maneiras para proteger e preservar o que temos de mais importante, a nossa sa\u00fade. Algumas a\u00e7\u00f5es simples contribuem para a melhora do bem-estar: atividade f\u00edsica regular, alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada evitando-se a\u00e7\u00facares, gorduras e excesso de cafe\u00edna, encontrar amigos, namorar e ainda buscar um sono de qualidade contribuem bastante para enfrentar este momento dif\u00edcil que atravessamos. Afinal, como disse o poeta em passado recente\u2026 Vai passar!<\/p>\n<p>* Gilberto Ururahy \u00e9 diretor-m\u00e9dico da Med-Rio Check-up e autor do livro \u2018Emo\u00e7\u00f5es e Sa\u00fade: Um novo olhar sobre a preven\u00e7\u00e3o\u2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leonardo Da Vinci no s\u00e9culo XVI disse: \u201cO homem \u00e9 um. \u00c9 corpo e alma\u201d. No s\u00e9culo seguinte, Spinoza ratificou que esp\u00edrito e corpo deviam ter raiz comum. Por v\u00e1rias raz\u00f5es, sobretudo religiosas, a ci\u00eancia manteve uma separa\u00e7\u00e3o entre corpo e esp\u00edrito. 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