{"id":604,"date":"2020-12-17T23:14:28","date_gmt":"2020-12-18T02:14:28","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=604"},"modified":"2020-12-17T23:14:28","modified_gmt":"2020-12-18T02:14:28","slug":"licoes-que-a-historia-nos-ensina-sobre-epidemias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/17\/licoes-que-a-historia-nos-ensina-sobre-epidemias\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es que a Hist\u00f3ria nos ensina sobre epidemias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>A atual pandemia tamb\u00e9m passar\u00e1 e a vida vai se impor mais uma vez<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o havia tempo para liberarmos os corpos. N\u00f3s os empilh\u00e1vamos no fundo da sala de reanima\u00e7\u00e3o do hospital. E liber\u00e1vamos os corpos quando pod\u00edamos, durante o dia ou \u00e0 noite\u201d. A descri\u00e7\u00e3o da cena dram\u00e1tica poderia ser de algum profissional de sa\u00fade em um centro m\u00e9dico na Europa em 2020. Mas o trecho \u00e9 extra\u00eddo de um depoimento a um jornal franc\u00eas de 1969, durante a Gripe de Hong Kong, que vitimou 31 mil franceses e um total de um milh\u00e3o de pessoas em todo o mundo.<\/p>\n<p>A analogia entre os dois momentos foi feita pelo deputado franc\u00eas Olivier Becht. Sua inten\u00e7\u00e3o foi chamar a aten\u00e7\u00e3o dos franceses para as li\u00e7\u00f5es que podem ser extra\u00eddas das epidemias pregressas. Em primeiro lugar, a boa not\u00edcia de que nossas sociedades j\u00e1 enfrentaram crises de propor\u00e7\u00e3o semelhante. Ele apontou a atual pandemia mundial como um evento jamais visto por nossa gera\u00e7\u00e3o. No entanto, ressalta que esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a Humanidade enfrenta uma crise de tal propor\u00e7\u00e3o e elenca outras ocorr\u00eancias recentes enfrentadas por gera\u00e7\u00f5es anteriores no s\u00e9culo XX, como a Gripe Espanhola (1918) e a Gripe Asi\u00e1tica (que matou dois milh\u00f5es de pessoas em 1957), al\u00e9m da j\u00e1 citada Gripe de Hong Kong. Apesar da mortalidade em massa, a Humanidade n\u00e3o foi dizimada a vida seguiu seu curso. Esta pandemia tamb\u00e9m passar\u00e1 e a vida vai se impor novamente.<\/p>\n<p>Outro ponto levantado por Becht \u00e9 que os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos modificaram a sociedade de forma definitiva nos \u00faltimos 50 anos. Se em 1969 a morte de milh\u00f5es de pessoas era interpretada como uma fatalidade, hoje ela nos soa simplesmente inaceit\u00e1vel. Espera-se que a ci\u00eancia possa nos proteger de todas as doen\u00e7as, como se a morte estivesse cada vez mais acuada, vencida pelas descobertas cient\u00edficas. No entanto, Becht pontua que essa vis\u00e3o sobre a morte se restringe apenas quando os atingidos s\u00e3o os pa\u00edses ocidentais. Ele se refere ao escandaloso fato de que 500 mil pessoas morrem de mal\u00e1ria na \u00c1frica todos os anos, sem a devida repercuss\u00e3o nos pa\u00edses do Primeiro Mundo.<\/p>\n<p>Becht tamb\u00e9m destaca a mudan\u00e7a no grau de exig\u00eancia da sociedade para com o Estado, responsabilizado por providenciar resposta a todas as demandas. \u201cEm 1969, ningu\u00e9m cobrou que Pompidou detivesse a gripe de Hong Kong\u201d, cita.<\/p>\n<p>Para o deputado franc\u00eas, fica claro que a Hist\u00f3ria nos ensina o quanto mudou a esfera midi\u00e1tica e sua influ\u00eancia em eventos de grande repercuss\u00e3o. \u00c0 \u00e9poca, muitos canais de m\u00eddias ainda estavam sob controle do Estado franc\u00eas. Como n\u00e3o era poss\u00edvel deter a doen\u00e7a, simplesmente n\u00e3o se falava sobre ela. J\u00e1 na era dos canais de not\u00edcias 24 horas no ar e das m\u00eddias sociais, o assunto domina todos os espa\u00e7os. \u201cTemos a impress\u00e3o que nossa vis\u00e3o de mundo se limita apenas ao que aparece nas telas\u201d, resume. E como s\u00f3 se fala de Covid-19, quase esquecemos que a vida continua \u201ccom o que ela tem de mais maravilhoso, como o amor, a cria\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m com o que ela tem de pior: o \u00f3dio, a viol\u00eancia, a criminalidade, a estupidez\u201d, provoca Becht. Ele defende que a satura\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre a doen\u00e7a nos d\u00e1 a impress\u00e3o que o mundo parou. E a normaliza\u00e7\u00e3o de tal sentimento faz com que ele pare, de fato.<\/p>\n<p>Becht se antecipa e afirma que sempre poder\u00e3o alegar que estamos vivendo outros tempos, bem diferentes de 1969. \u00c9 verdade. Os ensinamentos da Hist\u00f3ria n\u00e3o nos obrigam a repetir f\u00f3rmulas ou modelos para enfrentar novos desafios. Mas ele se arrisca a listar desde j\u00e1 algumas li\u00e7\u00f5es do passado que nos podem ser \u00fateis neste momento:<\/p>\n<p>1 \u2013 Epidemias sempre existiram e, provavelmente, sempre existir\u00e3o. Elas n\u00e3o s\u00e3o resultado de compl\u00f4s internacionais de estudiosos e militares em laborat\u00f3rios secretos. Elas s\u00e3o simplesmente v\u00edrus que fazem parte da natureza, assim como n\u00f3s.<\/p>\n<p>2 \u2013 Nem mesmo toda a ci\u00eancia ou os melhores l\u00edderes e autoridades podem evitar a ocorr\u00eancia de eventos naturais imprevistos.<\/p>\n<p>3 \u2013 \u00c9 preciso manter o otimismo, porque a Humanidade sempre conseguiu dar a volta por cima e se sobrepor \u00e0s epidemias.<\/p>\n<p>Becht prop\u00f5e que os franceses n\u00e3o se desgastem acompanhando a contagem de mortos que monopoliza a m\u00eddia e as redes sociais. Ele conclui seu racioc\u00ednio propondo um desafio. \u201cOlhem para o passado, este pode ser o recuo necess\u00e1rio que nos permitir\u00e1 construir um futuro melhor. Coragem e esperan\u00e7a!\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Epidemias anteriores oferecem li\u00e7\u00f5es para nosso atual momento.\u00a0<strong>Gordon Johnson Pixabay<\/strong>\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atual pandemia tamb\u00e9m passar\u00e1 e a vida vai se impor mais uma vez \u201cN\u00e3o havia tempo para liberarmos os corpos. N\u00f3s os empilh\u00e1vamos no fundo da sala de reanima\u00e7\u00e3o do hospital. E liber\u00e1vamos os corpos quando pod\u00edamos, durante o dia ou \u00e0 noite\u201d. 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