{"id":694,"date":"2020-12-18T00:14:35","date_gmt":"2020-12-18T03:14:35","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=694"},"modified":"2020-12-18T00:14:35","modified_gmt":"2020-12-18T03:14:35","slug":"os-melhores-gestores-sao-felizes-fora-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/18\/os-melhores-gestores-sao-felizes-fora-do-trabalho\/","title":{"rendered":"Os melhores gestores s\u00e3o felizes fora do trabalho"},"content":{"rendered":"<div class=\"gg-post__title\">\n<div class=\"gg-post__thumbnail\">Uma empresa bem-sucedida \u00e9 aquela que tem muitos l\u00edderes \u2013 em todos os n\u00edveis hier\u00e1rquicos. \u00c9 isso que defende o israelense Tal Ben-Shahar, ex-professor de Harvard, universidade na qual ministrou aulas de psicologia positiva e psicologia da lideran\u00e7a, entre 2004 e 2008. Em seus cursos, alguns dos mais populares da escola, ele discorria sobre felicidade e satisfa\u00e7\u00e3o pessoal.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gg-post__excerpt\">\n<p>Agora, ele aborda os mesmos temas em palestras e consultorias para executivos de grandes empresas ao redor do mundo. \u201cCompanhias que querem ter sucesso precisam de funcion\u00e1rios que evoluem\u201d, disse em entrevista ao Valor, durante a Sohn Conference, em Nova York. \u201c\u00c9 mais prov\u00e1vel que os profissionais permane\u00e7am se estiverem satisfeitos, e a autonomia contribui para isso.\u201d<\/p>\n<p>Autor de \u201cHappier: Learn the Secrets to Daily Joy and Lasting Fulfillment\u201d [Mais feliz: aprenda os segredos da alegria di\u00e1ria e da realiza\u00e7\u00e3o duradora] e \u201cChoose the Life you Want: the Mindful Way to Hapiness\u201d [Escolha a vida que quer: a maneira \u201cmindful\u201d de ser feliz], ele dedicou seu \u00faltimo livro ao estudo da lideran\u00e7a. Em \u201cThe Joy of Leadership\u201d, com lan\u00e7amento previsto para agosto nos Estados Unidos, Ben-Shahar defende que o crescimento pessoal e a felicidade s\u00e3o atributos fundamentais dos bons gestores. A seguir os principais trechos da entrevista:<\/p>\n<p><strong>Valor: A busca por felicidade e prop\u00f3sito no trabalho ganhou bastante aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores e consultores na \u00faltima d\u00e9cada \u2013 e o senhor foi um dos porta-vozes deste tema. Ao procurar prop\u00f3sito ou felicidade no ambiente profissional n\u00e3o estamos supervalorizando a fun\u00e7\u00e3o do emprego?<\/strong><\/p>\n<p>Tal Ben-Shahar: Prop\u00f3sito e significado s\u00e3o importantes para a felicidade. Como hoje a maior parte do tempo que passamos acordados \u00e9 no local de trabalho, \u00e9 natural querermos ser felizes nesse ambiente. Esperar encontrar significado e satisfa\u00e7\u00e3o apenas em casa, com a fam\u00edlia e amigos, nos fins de semana ou f\u00e9rias, significa desistir de uma parte importante da vida.<\/p>\n<p><strong>Valor: Muitas pessoas, por\u00e9m, n\u00e3o podem escolher o trabalho de acordo com a pr\u00f3pria vontade, pois precisam suprir necessidades b\u00e1sicas. Essa busca por \u201calgo mais\u201d est\u00e1 restrita a quem j\u00e1 conquistou certo patamar socioecon\u00f4mico?<\/strong><\/p>\n<p>Ben-Shahar: Ter um prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 tentar vencer a pobreza mundial. As a\u00e7\u00f5es do dia a dia \u2013 e a sua maneira de realiz\u00e1-las \u2013 podem atribuir sentido \u00e0 vida. As pesquisadoras Amy Wrzesniewski [da Universidade de Yale] e Jane Dutton [da Universidade de Michigan] investigaram os funcion\u00e1rios de alguns hospitais e descobriram que, de acordo com a forma como encaravam a pr\u00f3pria atividade, eles poderiam ser divididos em tr\u00eas grupos: (1) aqueles que viam seus empregos como trabalho, (2) como carreira ou (3) como voca\u00e7\u00e3o. As pessoas que encaravam como trabalho cumpriam tarefas, almejavam o fim de semana, as f\u00e9rias e a aposentadoria. Faziam o trabalho porque n\u00e3o tinham escolha. Quem encarava o emprego como uma carreira estava interessado em atingir o pr\u00f3ximo n\u00edvel, queria ser promovido, subir na hierarquia e ganhar mais dinheiro. O terceiro grupo, que encarava o emprego como voca\u00e7\u00e3o, tinha um senso de prop\u00f3sito. Eram pessoas que sentiam fazer a diferen\u00e7a no ambiente \u2013 mesmo que sua fun\u00e7\u00e3o fosse trocar len\u00e7\u00f3is e limpar o ch\u00e3o. Fariam a mesma atividade mesmo sem receber. O interessante \u00e9 que foram encontrados faxineiros, enfermeiros e m\u00e9dicos nos tr\u00eas grupos. Os que encaravam o trabalho como voca\u00e7\u00e3o desfrutavam mais da rotina, eram felizes e executavam a atividade com mais qualidade. As pesquisadoras replicaram esse estudo com outros profissionais \u2013 cabeleireiros, engenheiros, empres\u00e1rios, professores \u2013 e os resultados foram similares.<\/p>\n<p><strong>Valor: H\u00e1 alguns profissionais que n\u00e3o sabem o que querem fazer, n\u00e3o sentem que encontraram sua voca\u00e7\u00e3o. Nesses casos, buscar um prop\u00f3sito pode gerar ansiedade?<\/strong><\/p>\n<p>Ben-Shahar: Encontrar um prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o apenas externa. Est\u00e1 relacionada tamb\u00e9m com a maneira como n\u00f3s interpretamos o que estamos fazendo \u2013 seja l\u00e1 o que for. \u201cNo que estou focando? Em algo que me d\u00e1 uma satisfa\u00e7\u00e3o e um senso de significado ou apenas no resultado externo? Estou ganhando a vida e isso \u00e9 suficiente? Ou estou encontrando o sentido maior at\u00e9 nos menores detalhes do dia a dia?\u201d. O faxineiro que entende que limpar hospitais ajuda a melhorar a vida e a sa\u00fade das pessoas ter\u00e1 mais satisfa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos ir para o extremo oposto e dizer que o significado \u00e9 apenas uma interpreta\u00e7\u00e3o interna. Acima de tudo, \u00e9 importante buscar algo que tenha significado para voc\u00ea, que o estimule. Mas, enquanto n\u00e3o encontra, procure ter significado e est\u00edmulo no que j\u00e1 est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p><strong>Valor: Trabalhar com o que se gosta tamb\u00e9m pode ser um problema. Pode levar as pessoas a trabalharem al\u00e9m da conta, a terem dificuldade de se desconectar. Podemos dizer que a realiza\u00e7\u00e3o extrema tamb\u00e9m provoca efeitos colaterais?<\/strong><\/p>\n<p>Ben-Shahar: Sim. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante dizer \u201cn\u00e3o\u201d para pessoas e oportunidades, ainda que sejam atraentes. O que temos de mais significativo na vida s\u00e3o as pessoas de quem gostamos. Se n\u00e3o nos desligarmos do trabalho, n\u00e3o podemos desfrutar da companhia delas e isso far\u00e1 falta.<\/p>\n<p><strong>Valor: A dificuldade de se desconectar de e-mail, telefone e redes sociais tamb\u00e9m tem a ver com uma mudan\u00e7a na estrutura corporativa. Vivemos um enfraquecimento do trabalho formal. O home office \u00e9 uma tend\u00eancia, assim como os escrit\u00f3rios compartilhados e virtuais. Quais os impactos dessas mudan\u00e7as na qualidade de vida?<\/strong><\/p>\n<p>Ben-Shahar: O lado bom \u00e9 que hoje h\u00e1 mais liberdade. Pode-se trabalhar de casa ou de um caf\u00e9. Mas a parte ruim \u00e9 que n\u00e3o temos limites. No passado, quando voc\u00ea sa\u00eda do escrit\u00f3rio, acabava o trabalho. Hoje, com os celulares, n\u00e3o h\u00e1 demarca\u00e7\u00e3o clara entre vida profissional e pessoal. O problema n\u00e3o \u00e9 o trabalho, mas o fato de n\u00e3o termos tempo para nos recuperarmos do trabalho. Outra desvantagem \u00e9 n\u00e3o encontrar mais os colegas de trabalho com a mesma frequ\u00eancia de antes. N\u00f3s precisamos da intera\u00e7\u00e3o social para equilibrar at\u00e9 a sa\u00fade f\u00edsica. Estudos j\u00e1 mostraram que o tempo de qualidade que passamos com as pessoas pr\u00f3ximas \u00e9 o principal gerador de felicidade. Mas o isolamento possibilitado pelas rela\u00e7\u00f5es virtuais pode levar \u00e0 solid\u00e3o e, consequentemente, \u00e0 depress\u00e3o e a uma maior fragilidade f\u00edsica. O nosso sistema imunol\u00f3gico \u00e9 mais forte quando temos suporte social.<\/p>\n<p><strong>Valor: Qual \u00e9 a melhor forma de nos \u201crecuperarmos do trabalho\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Ben-Shahar: Precisamos de tr\u00eas n\u00edveis de recupera\u00e7\u00e3o. O n\u00edvel micro s\u00e3o alguns minutos de descanso no dia. Por exemplo, uma pausa para um caf\u00e9, para praticar medita\u00e7\u00e3o, fazer uma refei\u00e7\u00e3o (longe do celular e computador) ou gin\u00e1stica, por exemplo. A recupera\u00e7\u00e3o de n\u00edvel m\u00e9dio \u00e9 aquela promovida por uma boa noite de sono ou um dia de folga. E a recupera\u00e7\u00e3o macro s\u00e3o as f\u00e9rias: uma semana ou mais sem trabalhar.<\/p>\n<p><strong>Valor: Quais s\u00e3o as principais queixas dos executivos que procuram seu trabalho como consultor?<\/strong><\/p>\n<p>Ben-Shahar: Eles se queixam do estresse. Muitas vezes, n\u00e3o se d\u00e3o conta de que o que precisam para come\u00e7ar a melhorar s\u00e3o 15 minutos de pausa entre uma atividade e outra. Sem isso, entram em um c\u00edrculo vicioso: ficam estressados e, por isso, n\u00e3o conseguem fazer tudo o que precisam. Ent\u00e3o, trabalham cada vez mais, t\u00eam menos tempo para se recuperar e ficam ainda mais estressados. Outra fonte de estresse \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o com o mundo que muda rapidamente. Eles sentem que n\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de manter o ritmo, de se manter atualizados em suas \u00e1reas no mesmo n\u00edvel em que s\u00e3o demandados.<\/p>\n<p><strong>Valor: H\u00e1 alguma maneira de resolver esse conflito?<\/strong><\/p>\n<p>Ben-Shahar: Eles n\u00e3o precisam saber de tudo. O que precisam \u00e9 formar mais l\u00edderes nas organiza\u00e7\u00f5es. Porque l\u00edderes responsabilizam-se por si mesmos, inovam e pensam fora da caixa. \u00c9 disso que o mundo precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fonte: Valor Econ\u00f4mico, por Ariane Abdallah, 01.06.2017<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma empresa bem-sucedida \u00e9 aquela que tem muitos l\u00edderes \u2013 em todos os n\u00edveis hier\u00e1rquicos. \u00c9 isso que defende o israelense Tal Ben-Shahar, ex-professor de Harvard, universidade na qual ministrou aulas de psicologia positiva e psicologia da lideran\u00e7a, entre 2004 e 2008. Em seus cursos, alguns dos mais populares da escola, ele discorria sobre felicidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":695,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/694"}],"collection":[{"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=694"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":696,"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/694\/revisions\/696"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/695"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}