{"id":697,"date":"2020-12-18T00:15:57","date_gmt":"2020-12-18T03:15:57","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=697"},"modified":"2020-12-18T00:15:57","modified_gmt":"2020-12-18T03:15:57","slug":"mudancas-pequenas-e-grandes-mortes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/18\/mudancas-pequenas-e-grandes-mortes\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as: pequenas e grandes mortes"},"content":{"rendered":"<p>Participei recentemente de um evento, o que n\u00e3o \u00e9 novidade para os que me conhecem. Estou sempre em busca de novos conhecimentos ou de aprofundar os existentes. O tema foi recebido com estranheza e espanto por alguns: a morte. O t\u00edtulo do evento em latim, Ars Moriendi, que pode ser traduzido por A Arte de Morrer, dizia respeito a um texto da Idade M\u00e9dia (s\u00e9culo XIV) chamado Livro Crist\u00e3o dos Mortos. Era um retiro de sil\u00eancio e medita\u00e7\u00e3o, conduzido por Jean-Yves Leloup.<\/p>\n<p>Quando falamos em morte, pensamos na derradeira, inexor\u00e1vel para a qual caminhamos e que ser\u00e1 a maior mudan\u00e7a que acontecer\u00e1 em nossas vidas. Dizia a placa na porta do cemit\u00e9rio do document\u00e1rio com o mesmo nome: \u201cN\u00f3s que aqui estamos por v\u00f3s esperamos\u201d.<\/p>\n<p>Podemos tamb\u00e9m pensar nas \u201cmortes\u201d di\u00e1rias que vivemos. Quando nossos contextos mudam. Quando relacionamentos se rompem. Quando perdemos um ente querido. Quando deixamos a empresa ap\u00f3s a aposentadoria. Quando somos despedidos. Quando nos desidentificamos com nossa autoimagem. Mudan\u00e7as, perdas, mortes.<\/p>\n<p>E para cada morte dessas \u00e9 importante vivenciar o luto. Fazer o trabalho do luto. Qual trabalho precisamos fazer para aceitar o inaceit\u00e1vel? nos perguntava Jean-Yves.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m comentado que, em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, ocorre o maior n\u00famero de suic\u00eddios de aposentados. Provavelmente ocasionados pelo fato de n\u00e3o terem vivido o luto da transi\u00e7\u00e3o pela perda da identidade que tinham com seus locais de trabalho, com suas empresas.<\/p>\n<p>O trabalho do luto implica em aceitar que o passado \u00e9 passado. N\u00e3o quer dizer que vamos esquecer. Enquanto vivemos no passado, estamos impedidos de viver o presente. E o luto n\u00e3o acontece por si s\u00f3. Demanda de n\u00f3s um envolvimento e um mergulho.<\/p>\n<p>Se escolhermos viver o trabalho do luto para essas \u201cmortes\u201d di\u00e1rias, para as mudan\u00e7as que acontecem em nossas vidas, certamente sairemos interiormente fortalecidos.<\/p>\n<p>Para o trabalho do luto, podemos reconhecer onde estamos, por meio dos sete est\u00e1gios identificados pela m\u00e9dica Elisabeth K\u00fcbler-Ross, em sua vasta experi\u00eancia acompanhando pessoas com doen\u00e7as terminais, que s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n<p>1. Nega\u00e7\u00e3o \u2013 a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 acontecendo;<\/p>\n<p>2. Culpa \u2013 busca de culpados ou de culpar-se a si mesmo pelo que aconteceu;<\/p>\n<p>3. Revolta e Raiva \u2013 express\u00e3o de sentimentos pelo fato acontecido;<\/p>\n<p>4. Barganha. Promessas \u2013 prometer algo se a situa\u00e7\u00e3o mudar, melhorar;<\/p>\n<p>5. Depress\u00e3o \u2013 momentos de grande solid\u00e3o, vivendo em um passado idealizado;<\/p>\n<p>6. Aceita\u00e7\u00e3o \u2013 aceitar que o passado passou.<\/p>\n<p>7. Reconstru\u00e7\u00e3o \u2013 atitude de aten\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a. Aceitar que a pessoa ou a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz mais parte do nosso presente. Voltamos a ser n\u00f3s mesmos, retomamos nosso lugar na sociedade com mais lucidez e maturidade.<\/p>\n<p>Considerando esses est\u00e1gios, podemos perceber que o trabalho do luto precisa de tempo.<\/p>\n<p>E voc\u00ea? Qual morte est\u00e1 vivendo em sua vida? Em que est\u00e1gio, voc\u00ea se percebe?<\/p>\n<p><strong>Para saber mais:<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da luz e da sombra: sobre o viver, o morrer e o ser \u2013 Jean-Yves Leloup \u2013 Ed. Vozes<\/p>\n<p>A morte \u00e9 um dia que vale a pena viver \u2013 Ana Claudia Quintana Arantes \u2013 Ed. Casa da Palavra<\/p>\n<p>A Morte: um amanhecer \u2013 Elisabeth K\u00fcbler-Ross \u2013 Ed. Pensamento<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participei recentemente de um evento, o que n\u00e3o \u00e9 novidade para os que me conhecem. Estou sempre em busca de novos conhecimentos ou de aprofundar os existentes. O tema foi recebido com estranheza e espanto por alguns: a morte. 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