{"id":952,"date":"2020-12-18T21:09:10","date_gmt":"2020-12-19T00:09:10","guid":{"rendered":"http:\/\/eduvir.com.br\/hmlg\/?p=952"},"modified":"2020-12-18T21:09:10","modified_gmt":"2020-12-19T00:09:10","slug":"e-hora-de-colocar-vida-na-saude-das-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eduvir.com.br\/novo\/2020\/12\/18\/e-hora-de-colocar-vida-na-saude-das-pessoas\/","title":{"rendered":"\u00c9 hora de colocar vida na sa\u00fade das pessoas"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 seis meses o mundo acompanha os impactos da pandemia. De l\u00e1 pra c\u00e1, o v\u00edrus se tornou uma constante em nossas vidas. Nos ensina a cada dia e tamb\u00e9m gera d\u00favidas.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, tenho estudado bastante sobre a pandemia, participado de lives, publicado artigos e interagido com colegas m\u00e9dicos, brasileiros e estrangeiros. Divido aqui algumas das minhas constata\u00e7\u00f5es e d\u00favidas.<\/p>\n<p>A Covid-19, doen\u00e7a provocada pelo novo coronav\u00edrus- Sars-CoV-2 , \u00e9 uma doen\u00e7a nova. Existem outros tipos de coronav\u00edrus que infectam o ser humano, sendo que alguns s\u00e3o antigos, sazonais e benignos. Estudos recentemente publicados demonstram que a maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 portadora de anticorpos contra esses coronav\u00edrus \u201cbenignos\u201d. Assim, por ter imunidade \u00e0 eles, n\u00e3o estaria desenvolvendo a\u00a0 imunidade cruzada e protegida contra a Covid-19? Os idosos possuem m\u00ednimas dosagens desses anticorpos, isso explicaria a maior vulnerabilidade dessa faixa et\u00e1ria?<\/p>\n<p>Afinal, teremos a imunidade de rebanho ou imunidade cruzada para a Covid-19? Neste momento, algumas vacinas est\u00e3o sendo desenvolvidas em todo o mundo, das quais poucas est\u00e3o sendo testadas em seres humanos. Qual a estrat\u00e9gia de utiliza\u00e7\u00e3o dessa vacina em escala mundial? Ser\u00e3o utilizadas para os idosos, popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel? Quais pa\u00edses ter\u00e3o prioridade no acesso \u00e0 vacina? E os assintom\u00e1ticos, que representam a maioria dos casos, continuar\u00e3o presos em suas casas? Por quanto tempo? S\u00e3o transmissores do v\u00edrus? Precisar\u00e3o usar m\u00e1scaras?<\/p>\n<p>Muitas fam\u00edlias perderam entes queridos. Claro que toda morte nos entristece, gera sofrimento e traz medo. Os n\u00fameros apresentados abaixo s\u00e3o absolutos, o que nos permitem entender um pouco da pandemia atual.<\/p>\n<p>A curva pand\u00eamica atingiu seu pico em nossa cidade? Os hospitais privados e p\u00fablicos est\u00e3o se esvaziando. Os de campanha, pouqu\u00edssimos foram utilizados. Desde o in\u00edcio da pandemia, o Rio teve pouco mais de oito mil mortes. Dividindo por 120 dias de pandemia, chega-se a menos de 67 mortes por dia. Este n\u00famero \u00e9 inferior \u00e0s mortes com causa violentas e os \u00f3bitos por doen\u00e7as cardiovasculares e c\u00e2ncer. No mesmo per\u00edodo, mais de 6 mil pessoas morreram em casa, por medo de se deslocarem para hospitais, cl\u00ednicas e consult\u00f3rios. Pelo menos 50 mil brasileiros deixaram de ter o diagn\u00f3stico precoce do c\u00e2ncer e 10 mil cirurgias eletivas n\u00e3o foram realizadas no Rio, durante a pandemia. E n\u00e3o ouvimos men\u00e7\u00f5es no cotidiano \u00e0s doen\u00e7as infectocontagiosas. Milhares de mortes geradas no Brasil por tuberculose, mal\u00e1ria, dengue, AIDS e tantas outras doen\u00e7as foram esquecidas.<\/p>\n<p>O que dizer sobre o tempo e a energia dispendidas em discuss\u00f5es pol\u00edticas sobre uso ou n\u00e3o de hidroxicloroquina ou outra droga no tratamento da Covid-19? Esta decis\u00e3o cabe ao m\u00e9dico e ao paciente, rela\u00e7\u00e3o sagrada na Medicina. Se ambos, em comum acordo, optam por um tratamento, n\u00e3o h\u00e1 o que questionar. Toda discuss\u00e3o paralela se torna est\u00e9ril.<\/p>\n<p>Hoje sabemos que os par\u00e2metros que fazem diferen\u00e7a nessa pandemia s\u00e3o a idade e as comorbidades (doen\u00e7as cr\u00f4nicas). O pa\u00eds com mais casos de mortes \u00e9 justamente os Estados Unidos, populoso em idosos e em pacientes obesos, diab\u00e9ticos, card\u00edacos e portadores de doen\u00e7as respirat\u00f3rias. Em contraposi\u00e7\u00e3o, o Jap\u00e3o, tamb\u00e9m rico em idosos por\u00e9m com baixo \u00edndice de comorbidades, teve poucas mortes. Se olharmos a \u00c1frica, o continente mais pobre, o \u00edndice de morte por Covid-19 \u00e9 muito pequeno. Ser\u00e1 porque l\u00e1 a expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa?<\/p>\n<p>Quando tudo isso passar, n\u00e3o ter\u00e1 a OMS que explicar a raz\u00e3o de ter gerado tanto p\u00e2nico, medo e incertezas? Atendendo ao seu posicionamento alarmista, o que se viu foi uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia: escolas e empresas fechadas, a popula\u00e7\u00e3o mantida em casa por tr\u00eas meses ou mais (a maioria absoluta de assintom\u00e1ticos), milhares de infartos do mioc\u00e1rdio, AVCs e outras doen\u00e7as graves sem atendimento por relut\u00e2ncia dos pacientes em procurarem os hospitais, al\u00e9m do comprometimento da sa\u00fade mental de milhares de pessoas. Parece at\u00e9 que a Covid-19 se tornou a \u00fanica doen\u00e7a do planeta.<\/p>\n<p>Nos resta aguardar o balan\u00e7o final da pandemia para entendermos o verdadeiro papel exercido pela OMS durante esses meses. N\u00e3o seria mais prudente se a OMS tivesse se concentrado em usar toda a informa\u00e7\u00e3o de que disp\u00f5e para proteger os grupos de risco? N\u00e3o teria prestado melhor servi\u00e7o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de idosos, respeitando-os, sem transform\u00e1-los em potenciais cad\u00e1veres?<\/p>\n<p>As pessoas est\u00e3o esgotadas, sufocadas, tensas e n\u00e3o suportam mais tanta informa\u00e7\u00e3o desencontrada, d\u00fabia, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 todos os aspectos dessa pandemia.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es gigantescas contra o racismo em solo americano, tacitamente, colocaram em cheque todo o isolamento preconizado pela OMS. Na Europa, em v\u00e1rias cidades, de muitos pa\u00edses, as manifesta\u00e7\u00f5es contra o isolamento se multiplicam. A Fran\u00e7a acelera em todos os sentidos o t\u00e9rmino da quarentena e busca a volta \u00e0 normalidade.<\/p>\n<p>Hoje, recebemos um v\u00eddeo de amigos, feito na hora do almo\u00e7o, em Paris. Tempo bom, os parisienses flanam em sua cidade, os restaurantes est\u00e3o cheios, as pessoas alegres, sorridentes e sem m\u00e1scaras.<\/p>\n<p>A humaniza\u00e7\u00e3o retoma, a socializa\u00e7\u00e3o se fortalece, a alegria tal qual a primavera, floresce e a vida se imp\u00f5e!<\/p>\n<p>\u00c9 chegado o momento de se colocar vida na sa\u00fade das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fontes: Hoje sabemos que os par\u00e2metros que fazem diferen\u00e7a nessa pandemia s\u00e3o a idade e as doen\u00e7as cr\u00f4nicas.\u00a0Pixabay\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>https:\/\/vejario.abril.com.br\/blog\/gilberto-ururahy\/e-hora-de-colocar-vida-na-saude-das-pessoas\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 seis meses o mundo acompanha os impactos da pandemia. De l\u00e1 pra c\u00e1, o v\u00edrus se tornou uma constante em nossas vidas. Nos ensina a cada dia e tamb\u00e9m gera d\u00favidas. 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