by admin | nov 19, 2018 | Angela, Empatia |
A palavra empatia passou a frequentar as páginas de revistas e as bocas de muitos palestrantes. A minha inclusive. A revista Época Negócios de fevereiro de 2018, sobre Educação Executiva, afirmava que os líderes do futuro serão treinados em soft skills (habilidades pessoais e interpessoais) em contraposição às hard skills (habilidades e conhecimentos técnicos). E a empatia é uma dessas soft skills. Soube de uma empresa que fez a seleção final baseada na empatia. A capacidade técnica dos candidatos era equivalente e o que os diferenciou foi a capacidade de empatia.
O conhecido jornal Financial Times publicou uma matéria sobre trocar o treinamento em ética por empatia. A ética trata do bem comum e a empatia estabelece a conexão pessoa a pessoa.
Marshall Rosenberg, criador da CNV (Comunicação Não-violenta) diz que “empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo”.
E compreender não pressupõe aceitar ou rejeitar. O olhar empático implica em suspender o julgamento e buscar entender que o outro teve suas razões (sua história, suas crenças, sentimentos etc.) para ter tido aquele comportamento ou atitude, para ter dito o que disse.
Empatia não é simpatia ou antipatia… Qualquer desses dois implica em escolher uma posição a favor ou contra. Empatia implica em aceitar que o outro é diferente de nós.
Em um vídeo delicado e direto, Brené Brown explica o que é empatia. Começa dizendo que, enquanto a empatia atrai a conexão, a simpatia a afasta. Para estabelecer uma conexão com o outro, precisamos estar conectados primeiro com nós mesmos. Perceber nossos sentimentos, nossas necessidades.
Empatia fala de vulnerabilidade… De não ter todas as respostas.
O filósofo social Roman Krznaric idealizou o Museu da Empatia, em Londres. Uma grande caixa de sapato e dentro dela você pode escolher e calçar um par de sapatos, ao mesmo tempo em que ouve um áudio com a pessoa, dona do sapato, contando uma parte de sua história. É possível concretamente calçar o sapato do outro. Uma vivência profunda que pude experimentar quando o Museu esteve no Ibirapuera em 2017.
Empatia não é educar a outra pessoa, nem competir pelo sofrimento, nem consolar. Dizer ao outro o que fazer, é assumir que as suas ideias são melhores e que você possui as respostas.
Empatia é poder dizer ao outro que você está ao seu lado, independente se concorda ou não com as razões dele. Cada indivíduo é único.
Como exercitar a empatia? O primeiro passo é ouvir atentamente o outro e para isso, precisamos estar presentes; de corpo, alma e espírito. No aqui e agora, não no ontem ou no amanhã. E, esse ouvir precisa ser qualificado… Gostei muito da inversão feita pelo autor Paulo Coelho na frase “as paredes tem ouvidos”. A versão atual, segundo ele, seria “os ouvidos tem paredes”. Quando estivermos com outras pessoas, vamos lembrar de suspender as paredes para poder ouvir os pensamentos, sentimentos e necessidades do outro.
Exercitando a empatia, desenvolveremos a possibilidade de expandir nossa visão de mundo para incluir as visões de outras pessoas; e lapidaremos nossa convivência em sociedade.
E você, qual insight surgiu pela leitura? Como pretende exercitar a empatia?
Fontes:
Livro: Comunicação não-violenta – Marshall Rosenberg – Ed. Ágora
Site Center for Nonviolent Communication: https://www.cnvc.org/
Vídeo “O poder da empatia”: https://www.youtube.com/watch?v=4pADHGRNgbI
by admin | nov 5, 2018 | A Sessão vai Começar, Gilda, Gilda Palhares |
Em várias outras sessões ressaltei que é possível reconhecer múltiplos temas dentro de um mesmo filme. Em Ponto Cego (Blindspotting) o diretor lança nosso olhar para questões que tangem a violência policial, a desigualdade social e a marginalização dos habitantes de uma determinada localidade que estão passando por um processo de gentrificação. Tudo isso é visto através dos personagens Collin e Miles – um negro e outro branco -, que são amigos de infância e também trabalham juntos numa empresa de mudanças. A questão é que Collin está a três dias de conquistar sua liberdade condicional e não quer entrar em nenhuma encrenca. Já Miles é inconsequente e impetuoso, o que pode comprometer a liberdade do amigo.
Na mesma semana em que vi esse filme participei de uma palestra ministrada por um professor de Filosofia sobre Os Sentidos Dos Afetos. E um dos módulos tinha como tema a Alegria pelo ponto de vista do filósofo do século XVII Baruch Espinoza.
Bem, a pergunta que coloco sobre o filme Ponto Cego é: como poderíamos relacionar esse tema à ideia de Alegria de Espinoza. Penso que nas relações interpessoais dos personagens Collin e Miles.
Segundo Espinoza, todo organismo vivo se esforça não só para se proteger, mas também para aumentar sua potência vital, ou seja, se aperfeiçoar. Esse esforço decorre de encontrarmos com outras pessoas as quais nos afetam e pelas quais somos afetados.
Nesses encontros, em que potencializamos nossas forças positivas, geramos a alegria e, consequentemente, uma ação positiva. Já nos encontros em que diminuímos a nossa vitalidade geramos tristeza e, consequentemente, uma reação negativa.
Em várias cenas do filme Ponto Cego é possível observar a filosofia de Espinoza, tanto nos encontros alegres como nos tristes. Quando os dois personagens estão trabalhando é possível perceber claramente os encontros nos quais uma ação positiva é potencializada, tornando o trabalho de ambos alegre e produtivo. E nas cenas em que Collin ou Miles tomam atitudes inapropriadas, tal como quando fomentam uma briga que torna o encontro inadequado, isso gera tristeza e, consequentemente, uma reação negativa.
É curioso refletir sobre quão importante profissionalmente e na nossa vida social, focarmos em encontros que potencializem o que temos de melhor, para gerarmos alegria e, portanto, uma ação positiva. Essa ação, com certeza, acionará uma força poderosa: a criatividade.
Podemos concluir que a alegria permanece como uma certeza e uma extraordinária possibilidade.
Até a próxima sessão.
by admin | out 3, 2018 | A Sessão vai Começar, Gilda, Gilda Palhares |
O filme “Escobar: A Traição” é narrado pelo ponto de vista de Virginia Vallejo, interpretada pela atriz Penélope Cruz. Virginia Vallejo foi a primeira jornalista a entrevistar Pablo Escobar, chefe do cartel de drogas de Medellín, na Colombia. Os dois se apaixonaram loucamente e mantiveram um relacionamento romântico e tempestuoso que durou por volta de cinco anos. Terminou em 1987, na véspera da guerra de Escobar com o cartel de Cali e o estado colombiano.
Ao terminar de ver o filme pensei sobre como somos naturalmente atraídos por boas histórias. Elas nos fazem refletir, nos inspiram, nos fazem rir e, algumas, nos fazem mudar. Dessa forma, nesta sessão, queria compartilhar com vocês sobre a ferramenta chamada “storytelling”.
Contamos histórias para vender nossas ideias, para persuadir as pessoas, para educar, para motivar as equipes. Logo, podemos dizer que é uma das formas de comunicação que pode gerar excelentes resultados. De acordo com Anna Sullins, gerente de Treinamento e Desenvolvimento do Biltmore Center for Professional Development, com sede na Carolina do Norte (EUA),“storytelling” pode desempenhar um papel fundamental no sucesso da organização quando usada de maneira estratégica. Ela gera um senso de urgência nos outros, criando uma visão compartilhada e inspirando aqueles ao nosso redor a agir. Uma história bem trabalhada pode levar as equipes a transformar o planejamento em execução. Contar histórias como uma estratégia de negócios gera uma vantagem competitiva.
Sugiro as seguintes perguntas para reflexão: Qual é a sua história? Como isso está sendo dito? Quem está alcançando? Como você pode aproveitar isso?
Cabe aqui lembrar uma frase do célebre produtor de cinema Dino de Laurentiis. Ele dizia:”O público quer ser atraído não pelos críticos, mas por uma grande história. Você deve entregar emoção ao público. E, quando digo emoção,quero dizer suspense, drama, amor”.
Até a próxima sessão!
by admin | ago 30, 2018 | A Sessão vai Começar, Gilda, Gilda Palhares |
O cinema é uma das artes que mais possuem gêneros. Osfilmes de ação e aventura, por exemplo,são caracterizados por cenas com mais imagens e movimentos do que com palavras e diálogos.Entretanto,essas categorias devem ser capazes de transmitir algo sobre a personalidade dos personagens e as circunstâncias em que se encontram.
Com esse olhar, achei interessante conversarmos sobre a personalidade de Ethan Hunt (Tom Cruise), o personagem protagonistade todos os filmes Missão Impossível, estabelecendo uma correlaçãocom aTeoria da Autodeterminação (Self Determination Theory), desenvolvida pelos PhDs Edward L. Deci e Richard M. Ryan, da Universidade de Rochester,em Nova Iorque (EUA).
A Teoria da Autodeterminação(SDT) propicia um amplo quadro para o estudo da motivação humana e personalidade.
De acordo com Ryan e Deci, aSDT realça a importância dos recursos próprios do ser humano e a relevância de satisfazertrês necessidades psicológicas básicas e inatas que são:
- Necessidade de Competência – Refere-se à necessidade de ser eficaz e realizar as ações propostas.
- Necessidade de Vínculo – Refere-se à necessidade de ter relacionamentos significativos.
- Necessidade de Autonomia –Refere-se à necessidade de as pessoas viverem de acordo com os seus valores e podendo executar as suas atividades com liberdade.
De que forma a personalidade de Ethan Hunt estaria relacionada a essa teoria?
Necessidade de Competência -O protagonista dos filmes Missão Impossível exerce suas funções com extrema eficiência e sempre realiza as missões que lhe são propostas.
Necessidade de Vínculo – Ethan valoriza a equipe e tem vínculos fortes com ela. Neste último filme,Missão Impossível – Efeito Fallout, a missão inicialque lhe foi destinada falhou, pois Ethanoptou por salvar um membro da sua equipe, o personagem Lutero.
Necessidade de Autonomia -Ainda no filme, o diretor do IMF (Impossible Mission Force), Alan Hunley,dáplena liberdadede ação a Ethan. EEthan executa sua missão de acordo com os seus valores.
É importante ressaltar que essas três necessidades, num contexto cultural e social adequado,promovem engajamento e, por sua vez, melhor desempenho, persistência e criatividade. Forças encontradas em Ethan Hunt em todas as suas missões.
Portanto, essa teoria nos faz refletir sobre a importância de promover essas necessidades,pois elas vão gerar a sensação de bem-estar em nós.
Caso tenham interesse em conhecer mais sobre Self Determination Theory(Teoria da Autodeterminação), que compreende também cinco miniteorias complementares e integrativas, o livro sobre o tema pode ser encontrado (somente em inglês e por encomenda) na Amazon.com ou Livraria Cultura. Hoje, Richard Ryan é professor do Instituto de Psicologia Positiva e Educação da Universidade Católica Australiana, em Sydney, na Austrália. E Edward Deci, professor de Ciências Clínicas e Sociais em Psicologia da Universidade de Rochester, em Nova Iorque (EUA). A título de curiosidade: Tom Cruise evita o uso de dublês na maioria das cenas. O ator, que recentemente completou 56 anos, em uma das sequências deMissão Impossível – Efeito Falloutquebrou o tornozelo,mas não parou a cena. Prosseguiumancando, mas firme no corpo de Ethan. Ao que parece o ator também é movido pela autodeterminação e seus pilares!
Até a próxima sessão!
by admin | jul 31, 2018 | Relacionamentos, Zilda |
A Enfoque e seus parceiros realizaram pesquisas no Brasil e na Europa sobre o papel do homem como pai nos dias de hoje e tivemos alguns aprendizados.
Ainda que as mães e pais das novas gerações desejem cuidar de seus filhos de forma cooperativa, a realidade impõe sacrifícios a este desejo. O que vai de fato delinear o perfil do “novo pai” e a divisão de cuidados parentais é o tempo disponível – dele – para se dedicar aos filhos.
Estas limitações de tempo nos permitiram identificar três diferentes perfis de pais, que implicam diferentes “rituais” na forma de exercitar seus outros papéis na casa. Eles são: um “paiexpress”, um “pai mão na massa” ou um “pai CEO”.
O “paiexpress” é aquele que trabalha muitas, muitas horas por dia. A mãe acaba sendo a principal cuidadora das crianças. Assim, quando ele está com as crianças, o tempo tem que ser muito bem aproveitado e ele tende a usar este tempo paparicando os filhos e brincando com eles.
O “pai mão na massa” trabalha tanto quanto a mãe e eles dividem os cuidados das crianças. Quando ele está com os filhos, quer fazer tudo “do seu jeito”. Ele tende a “gamificar” as tarefas cotidianas com os filhos, tais como alimentar, vestir, dar banho, transformando-as em pequenas diversões e, assim, em pequenas vitórias cotidianas.
O “paiCEO”é o principal cuidador dos filhos, já que a mãe é a principal provedora e trabalha em tempo integral, por muitas horas. O desafio pessoal deste pai é conservar a própria identidade. Ele necessita fazer algo para si mesmo, precisa ter algumas formas de escapar da rotina muito trabalhosa, como é o caso de mães de tempo integral!
Claro que numa família com crianças e com divisão de tarefas, cuidar dos filhos não é a única atividade compartilhada. A participação na compra de alimentos, o redesenho das relações entre as pessoas da casa e fora da casa e a própria redefinição do papel masculino na família nuclear apontam a persistência de valores ocidentais atribuídos ao “macho”, mas sob novas tintas. Se nos tempos imemoriais o macho era o caçador, o chefe da tribo e o guerreiro, nos rituais de hoje estas inclinações ainda persistem, escondidas e sutis, é bem verdade, nos rituais cotidianos.
Hoje o pai exercita seu papel de trazer “comida para casa” nos “ritos de provisão”. Mas nem todos os pais exercitam os mesmos rituais de provisão. Encontramos aqueles que fazem as compras de supermercado, outros que se transformam eventualmente em chefes de cozinha ou aqueles que fazem do ato de guardar e aplicar o dinheiro da casa a sua forma de garantir “a comida na mesa” nos dias futuros.
A ida ao supermercado pode funcionar como uma terapia para alguns pais…mas eles tendem a esquecer itens que as esposas pedem para comprar. E quase invariavelmente trazem produtos que não estavam na lista! Em geral, estes itens não listados são formas de se recompensar: um queijinho, uma guloseima… Em suma, parece ser uma forma subliminar de rebelião contra a liderança feminina sobre o que vai entrar na despensa e na geladeira. Pais no supermercado estão mesmo sujeitos a muitas tentações.
Quando os pais vão para a cozinha e se transformam em “chefs”, vão invadir um território antes mais feminino. Mas o fazem da sua maneira. Em geral, preferem receitas com carnes, assados, churrascos. Eles apreciam a habilidade de transformar os ingredientes em alimentos, como numa verdadeira alquimia ou engenharia. Eles adoram usar muitos ingredientes e condimentos para obter um prato diferente, exclusivo e delicioso. Eles realmente não se policiam e tendem a usar muitos utensílios. Amam a parte divertida de cozinhar com as crianças. Mas cozinhar para as crianças vai além do lado lúdico, tem o aspecto emocional de alimentar a família… como nos velhos tempos.
Quando levam os meninos para o futebol, praticam uma forma de socialização num território ainda mais masculino nos códigos e vocabulário. Os pais gostam muito mais do fazer do que do falar. Ensinando a andar de bicicleta, a jogar um jogo, a lidar com tecnologia, podem ensinar os filhos a serem esportivos, honestos, persistentes.
Ao vermos que cada vez mais os homens assumem papéis que historicamente têm sido das mulheres, identificamos algumas tendências que parecem estar ligadas à necessidade de reafirmar o arquétipo da masculinidade. A principal delas indica que a proteção continua a ser um valor central para o pai de hoje em dia e que ela se manifesta de formas muito variadas.
Zilda Knoploch
CEO Enfoque Pesquisa de Marketing
Estudo em parceria com RDSi UK.