A Sessão Vai Começar – Festival Varilux de Cinema Francês

A Sessão Vai Começar – Festival Varilux de Cinema Francês

Mencionei na última sessão que, em junho, realizou-se no Rio o Festival Varilux do Cinema Francês onde vi vários filmes dessa mostra. O cinema é um veículo de comunicação que nos oferece uma tonalidade de olhares para cada cena apresentada. Isso me levou a pensar sobre questão da dinâmica da Percepção e como ela influencia a Comunicação.

A percepção é o processo em que cada pessoa elege, organiza e estrutura os fatos e situações conforme as suas crenças, valores, sentimentos e vivência pessoal. Por isso, ela tem um papel fundamental na decodificação da mensagem, pois, por mais objetiva e real que seja a mensagem, a sua interpretação será filtrada pela subjetividade e emoção do receptor.

Qualquer experiência a que sejamos submetidos tem que ser estruturada por nós, afim de ganhar um significado. Verificamos que todos nós temos diferentes formas de vivenciar as experiências e, assim, fazemos diferentes interpretações a respeito do que foi comunicado.

Portanto, se a Percepção é um fator que influencia de forma determinante a comunicação, esse processo pode melhorar se levarmos em conta dois questionamentos: O que o interlocutor quer dizer além do que está explicitamente sendo comunicado? Qual é o seu intuito ao abordar tal assunto desta ou de tal maneira?

Por fim, só podemos compreender o que está sendo dito se formos capazes de aceitar as diferentes percepções dos nossos interlocutores, pois o outro também tem a sua forma de olhar o mundo. Logo ao entender que a comunicação será sempre influenciada pela dinâmica da Percepção é necessário estarmos atentos a esta questão no nosso dia a dia seja na área profissional ou social.

Os filmes do festival Varilux entraram no circuito e ainda estão sendo exibidos. Segue uma pequena sinopse de cada um.

Custódia

O casal Miriam e Antoine acabam de se divorciar. E, para garantir a proteção de seu filho Julian do pai, que ela acusa de ser violento, Miriam pede a custódia exclusiva. A juíza, no entanto, acaba concedendo custódia compartilhada. Julian torna-se refém da situação.

 Nos vemos no Paraíso

Em novembro de 1918, alguns dias antes do Armistício de Compiègne, Édouard Péricourt salva a vida de Albert Maillard. Os soldados franceses não têm nada em comum, a não ser a guerra e o ódio pelo vil tenente Preadell. Por isso, são obrigados a se unir para sobreviver.

 O Orgulho

Neïla Salah,moradora do subúrbio de Paris, quer ser advogada e, desde o primeiro dia de aula na universidade, entra em confronto com Pierre Mazard,veterano professor conhecido por seus ataques de explosão, preconceitos e arrogância. Ele é desafiado a preparar Neïla para vencer um concurso acadêmico de retórica em troca de uma segunda chance de seus superiores para permaneça na universidade.

50 são os novos 30

Aos 50 anos, Marie-Francine está muito velha para o seu emprego e para o marido, que a troca por uma mulher mais nova. Ela volta a morar na casa dos pais, que a tratam de forma infantilizada, e começa a trabalhar em uma pequena loja de cigarros eletrônicos, onde conhece Miguel, um chef de cozinha que também está na mesma situação que ela, ou seja, morando com os pais.

Amante Duplo

Chloé é uma mulher reprimida sexualmente que, constantemente, sente dores na altura do estômago. Acreditando que seu problema seja psicológico, ela busca a ajuda de Paul, um psicólogo. Só que, após algumas sessões de terapia, eles acabam se apaixonando. Diante disso, Paul encerra a terapia e indica uma colega para tratá-la. Chloé, no entanto, decide recorrer a outro profissional.

O Retorno do Herói

Em 1809, na França, o capitão Neuville é chamado para batalha, deixando a futura noiva com o coração partido. Vendo a tristeza da moça, sua irmã decide escrever cartas em seu nome para animá-la. Porém, tudo vai por água abaixo quando Neuville reaparece.

Até a próxima sessão !

 

 

A Sessão Vai Começar – Um Lugar Silencioso

A Sessão Vai Começar – Um Lugar Silencioso

Em março em vez da nossa sessão mensal, celebramos o Dia Internacional da Mulher apresentando o estudo da Dra. Barbara Fredrikson, da Universidade da Carolina do Norte – EUA sobre a Positividade e as Emoções Positivas.

Este mês estou de volta com o tema Comunicação que já abordei em fevereiro sobre a ótica do poder da comunicação não–verbal através do filme “A Forma da Água” que aliás ganhou o Oscar de melhor filme e direção. E escolhi o filme “Um Lugar Silencioso” que se tornou um sucesso de bilheteria nos Estados Unidos desde seu lançamento em princípio de abril.

É um filme de suspense e terror sobre uma família forçada a viver em silêncio absoluto para que não sejam devorados por criaturas alienígenas com a audição sobrenaturalmente aguda. Os monstros se guiam apenas pela audição. O expectador passa a conviver neste mundo onde os seres humanos são obrigados a serem “mudos“ sempre prestando atenção em qualquer ruído e as criaturas que utilizam somente um dos cinco sentindos que é o Ouvir.

Como já tinha abordado a questão da comunicação não–verbal o meu olhar com este filme foi para o tema da habilidade de ouvir.

 Ouvir é a habilidade mais negligenciada na comunicação. Saber ouvir exige quase sempre esforço reeducativo, pois somos muito mais condicionados a falar e só ouvir o que julgamos ser do nosso interesse. É fundamental “saber ouvir” para poder “saber falar”.

Quando ouvimos atentamente uma pessoa, estamos na verdade escutando duas partes distintas de sua mensagem:

  • Em primeiro lugar: estamos prestando atenção nas palavras, isto é, no conteúdo da mensagem.
  • Em segundo lugar: estamos prestando atenção no sentido que há por trás dela onde envolve também o tom de voz e a linguagem corporal.

Ouvir com atenção significa compreender o ponto de vista da outra pessoa sem avaliar ou julgar o que está sendo dito. Compreender que cada pessoa vê o mundo da perspectiva dela, aceitar que esta perspectiva pode ser diferente da sua é respeitar essa diferença. Por mais objetiva e factual que seja a mensagem, a sua interpretação será filtrada pela subjetividade e emoção do receptor.

Quando ouvimos para compreender o que está sendo dito diminuímos a atitude defensiva, aumentamos a compreensão, a confiança e o respeito. Consequentemente aumentando a possibilidade de crescimento individual ou organizacional.

Peter Drucker considerado o pai da Teoria da Administração enfatizava a importância da boa comunicação, e dizia que é mais importante ouvir o que não está sendo dito.

Até a próxima sessão!

Celebrando o Dia Internacional da Mulher com Emoções Positivas

Celebrando o Dia Internacional da Mulher com Emoções Positivas

Seriam tantas os temas que poderia abordar para falar neste 8 de março quando celebramos um dia tão belo que é “O Dia Internacional da Mulher”.

Logo, lembrei do estudo da Dra. Barbara Fredrikson, pesquisadora do laboratório de Emoções Positivas e Psicologia da Universidade da Carolina do Norte – EUA.

No seu livro Positivity (Three Rivers Press, 2009) ela nos convida a conhecer o conceito de Positividade que como ela menciona pode vir em vários formatos e tamanhos.Ela explora o tema através de 10 emoções positivas que foram identificadas na sua pesquisa pois são as que mais brilham no diaadia da vida das pessoas.

Da lista abaixo vocês saberiam dizer quais seriam as 10?

Realização Orgulho Satisfação Humor
Admiração Confiança Vibração Divertimento
Gratidão Carinho Interesse Serenidade
Encantamento Gentileza Realização Otimismo
Generosidade Inspiração Compaixão Alegria
Bravura Amor Afeição Solidariedade
Divertimento Esperança Harmonia Vitalidade

São todas emoções incríveis mas as 10 Emoções Positivas do estudo da Dra.Fredrikson, são estas que estão em ordem pela frequência que elas apareceram ao longo da pesquisa.

ALEGRIA

GRATIDÃO

SERENIDADE

INTERESSE

ESPERANÇA

ORGULHO

DIVERTIMENTO

INSPIRAÇÃO

ENCANTAMENTO

AMOR

É importante ressaltar que o AMOR aparece no final pois é a emoção que reúne todas as outras.

Então, das 10 emoções mencionadas a que floresceu em mim hoje foi o ORGULHO.

Dedico esta emoção a todas as mulheres do mundo que trilhamum sentido de propósito e significado expandindo o potencial para fazer coisas maiores em prol de todos.

Um maravilhoso dia!

Desnaturalização do Olhar

Desnaturalização do Olhar

Dia Internacional da Mulher. Muitas felicitações e um longo caminho de desenvolvimento a seguir. Como mulher, como humanidade. Para todos, homens e mulheres.

O tema que escolhi para celebrar o dia é a desnaturalização do olhar. O que é isso? É refletir sobre o que vivemos no dia a dia, observando os comportamentos e atitudes (nossos e dos outros), assumidos como naturais (normais). Como falamos, ouvimos, pensamos… O que é natural? O que é normal?

Ficamos acostumados a uma forma de ver, ouvir e interagir com o mundo, que aprendemos na escola, na família, na sociedade. Ao usar o “o” como uma forma de incluir os vários gêneros, desperto minha atenção para o fato de que usamos o masculino quando nos referimos ao plural de um conjunto de pessoas, mesmo quando a maioria são mulheres. Como desperto essa atenção na fala? Quem determinou isso, no curso da história?

Segundo relatório da ONU, que pode ser consultado no link a seguir, https://esa.un.org/unpd/wpp/Publications/Files/WPP2017_KeyFindings.pdf, somos em torno de 7,6 bilhões de habitantes, com uma distribuição praticamente igual entre homens e mulheres.

Assim como a questão do plural, deixamos de observar o tratamento que recebemos das pessoas que estão ao nosso redor, sejam homens ou mulheres…. Quando vi, no aeroporto, a divulgação do aplicativo Women Interrupted, http://www.womaninterruptedapp.com/pt/, que detecta a Interrupção Masculina em conversas do dia a dia, fiz essa reflexão.

Será que os homens não são interrompidos? Também! Principalmente, se pertencerem ao espectro LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros/transexuais e intersexuais)…

Como vivemos em uma sociedade predominantemente patriarcal, é mais provável que os comportamentos a seguir aconteçam com mulheres:Manterrupting, Bropriating, Mansplaining, Gaslighting.Independentementese você é homem ou mulher, jáobservou esses comportamentos?

A medida que despertamos esse olhar, podemos nos sentir chateados, irritados, infelizes, desesperançosos… O que nos alivia é perceber que não estamos sozinhos.

O caminho de desenvolvimento do ser humano passa pela consciência, exercitada na convivência pacífica, acolhedora e empática com os outros.

“Empatia é uma compreensão respeitosa do que os outros estão experienciando. ” (Marshall Rosenberg)

Dia Internacional da Mulher: uma Reflexão!

Dia Internacional da Mulher: uma Reflexão!

Dia 8 de março. O que nós mulheres temos a lembrar, a celebrar?

Certamente muito. Avanços contínuos e incessantes em termos de inclusão, em todas as áreas das atividades humanas, sempre em movimento… (alguns dizem que desde a Revolução Francesa/Iluminismo.)

Mudamos e somos mudados cotidianamente quando na relação com nossos pares e com o ambiente que nos cerca. Não estagnarmos é de fato uma meta. Isto vale para todos.

Pessoalmente não sou afeita às comemorações deste dia. É que me dá uma sensação de “coisificação” … penso: tanto foi feito para não mais ocuparmos esse lugar, não é?  Mas se é para celebrarmos a vida e suas mudanças, contem comigo. Sempre.

E aqui estamos: mulheres, parceiras, empresárias, mães, presidentes, amigas, funcionárias, avós, sonhadoras, donas de casa… enfim: donas de nossos narizes, na medida do possível, naturalmente.

Adoramos estar com outros, de  acrescentarmos valor por onde passamos.  Mas isto não nos define.

LIBERDADE, esta me parece ser a palavra com a qual mais nos identificamos hoje.

Psicanalista que sou, convido meus mestres…

Freud já no final de sua vida teria confidenciado à sua amiga e discípula Marie Bonaparte:

“A questão que nunca foi respondida e que eu ainda não tenho sido capaz de responder, apesar de meus trinta anos de pesquisa sobre a alma feminina é: o que quer uma mulher?”

À esta reflexão, Lacan acrescenta  sua polêmica e deliciosa  afirmação/ provocação: “A mulher não existe”… Isto tudo para nos dizer  o que, me parece, Freud já teria indicado de certa forma:

O conceito de “A” mulher de fato não existe, porque nós mulheres  temos a capacidade de sermos uma a uma, de dispensarmos o coletivo que nos aprisiona quando nos define e nos reduz. Não queremos, nem precisamos ser,  representantes de nossa “Condição”. Vamos sendo…

Para mim o que temos realmente  a celebrar neste dia é a liberdade conquistada de podermos ser uma, dentre tantas mulheres. Tão somente uma. E a de sermos ouvidas a partir de nossas individualidades, de nossas experiências, de nossas falas e da expressão do que queremos como indivíduos, em nossas radicais diferenças, sem necessitarmos de padrões pré-fixados que nos digam o que queremos ou devemos ser!

Demos luz à diversidade! Precisa dizer mais?

Neste dia então, proponho que celebremos o maravilhoso fato de podermos ser cotidianamente “esta metamorfose ambulante”…”

CHEERS

Dora Gurfinkel Haratz é psicanalista e terapeuta de família e casal.